Thursday, February 21, 2013

Grândola de Boca em Boca Não Está Morena, Está Preta

Nos últimos tempos a canção de José Afonso tem ecoado na Assembleia da República, nas escolas, em auditórios e tem literalmente calado os Sr.s Ministros representantes do actual Governo.
Não é que concorde ou discorde, pois vendo bem a coisa, um grupo de pessoas utiliza uma canção que promove a Democracia para impedir outros de exercer o seu direito democrático.
No entanto, acredito que o cerne da questão está em tentar perceber os motivos que levam a estes acontecimentos.
Não acredito que as pessoas o façam apenas por carolice, mas talvez porque sentem uma necessidade enorme de contrariar o rumo das coisas fazendo-se ouvir. E este foi o caminho que escolheram.
Aliás, eu próprio já ando cansado de "politiquices" à muito tempo. Já não consigo ver os noticiários, carregados de casos de lobbys, favores nada éticos, corrupção e as tão badaladas derrapagens orçamentais. Chega de cinismos!
Enquanto existirem conflitos de interesse entre os que detêm o poder de decisão, por mais que se reclame e por mais que sejam as vozes de protesto, as coisas dificilmente irão mudar. O Sistema está montado e engrenado para não falhar. Pode abrandar em determinadas ocasiões, mas nunca pára e quem pode ganhar com isso está garantido.
Portanto, a solução passa por fazer alterações desde a raiz, e não continuarmos com promessas hipócritas de mudança que mergulham em círculos contínuos sem fim.
Primeiramente, acabem-se com os Partidos Políticos tal como os conhecemos hoje, com ideologias ultrapassadas e desadequadas ao nosso tempo. Quem governa, está sujeito a normas externas, e sendo de direita, esquerda ou centro, acabam por fazer algo semelhante, diferindo apenas no propósito de que o que vem a seguir não seja tão mau como o anterior. De uma forma ou de outra, os seus membros saem sempre beneficiados, normalmente sob condições no mínimo duvidosas.
Portanto, em alternativa, proponho um modelo de governação diferente do habitual. A criação de uma equipa  liderada por figuras com experiência comprovada nas várias áreas tuteladas pela Governação.
Não consigo compreender, como é possível termos Ministros da Agricultura e Pescas que não sabem o que é um tractor ou um barco. Ministros da Segurança que não fazem ideia do que é o dia a dia dos profissionais da área. Ministros da cultura que não sabem o que é um teatro. Em suma, não podemos continuar a ter responsáveis máximos em várias áreas, quando os mesmos nunca tiveram qualquer ligação ou experiência relativas à área que tutelam.
As equipas seriam lideradas por elementos referência e de excelência a nível nacional ou internacional na área da saúde, da cultura, da economia, etc. Esses elementos teriam direito ao mesmo vencimento que recebiam nas suas anteriores actividades profissionais. A única diferença é que trabalhariam em prol do País. Os elementos das suas equipas seriam escolhidos e orientados por esses líderes. Deveriam ser da sua confiança e com experiência comprovada no terreno. Essas equipas teriam a responsabilidade de propor alternativas que visassem o melhoramento da produtividade e modelos de governação do País. Sem quaisquer responsabilidades partidárias, ou interesses lobbystas. Apenas gerir o País como se de uma empresa se tratasse, tendo em consideração o factor mais importante desta equação: as pessoas e o seu bem estar.
Estas equipas seriam responsáveis por apresentar propostas e relatórios periódicos ao Presidente da República que teria a responsabilidade de tomar as decisões definitivas, tendo em consideração os seus conselhos. Sim, queremos um Presidente da República interventivo e sábio nas suas decisões sobre o País. Não apenas uma figura que serve para discursar textos preparados pelos seus acessores.
A ideia base seria gerir o País de forma isenta, com pessoas responsáveis e experientes nas várias áreas, em que tudo fosse pormenorizadamente reportado, onde houvesse discussão de ideias e criticas construtivas, sem interesses de opinião pública e manobras políticas duvidosas. Em suma, o País gerido de forma competente como empresa, tendo como prioridades máximas os seus interesses em detrimento de terceiros, a justiça social e a qualidade de vida da população.



Friday, January 25, 2013

Mas Porquê Pepa? Porquê?

Estamos perto do final do mês de Janeiro e confesso que ainda não consegui encontrar um pingo de inspiração para partilhar algo de interessante.
A crise, qual carrasco, está presente todos os dias, e já se tornou numa espécie de vírus contagioso presente em quase todas as conversas. Conversar, reflectir ou sonhar, é sinónimo de uma valente gripe intelectual.
No entanto, aconteceram algumas coisas de que quase vale a pena (não) falar.
Comecemos pela Pepa Xavier. Um vulgar nome como tantos outros - ok, Pepa é invulgar e faz lembrar nome de caniche, mas não esqueçamos que o Benfica já teve um jogador de nome Pepa, lembram-se? - que passou de desconhecido para cair nas bocas do mundo pelos piores motivos.
Como costumo andar distraído no que diz respeito a estes pseudo especialistas de modas, fiquei surpreedendido com o alarido que se criou à volta do spot publicitário onde participou a dita senhora. Depois de tantos blogs, críticas facebookianas, e até entrevistas televisivas, lá resolvi matar a curiosidade e dar uma vista de olhos pelo vídeo da polémica. No final cheguei a uma simples conclusão... Mas porque raio é que sequer se começou a falar nisto??!!
Assisti a uma jovem, de perfil fútil, manias e expressões estranhas e com uns desejos que fez confusão a muita gente, mas que para mim são perfeitamente legítimos, desde que tenha dinheiro para os pagar. O item em questão: a mala Chanel.
Primeiro ponto, muitos ficaram a saber que Chanel se escreve com um "n" e não com dois. Esta senhora prestou um autêntico serviço público! Segundo ponto, o objectivo da Samsung saiu furado, pois o protagonismo acabou por cair em cima da Pepa e da Chanel. Por fim, toda esta reacção crítica em massa, faz-me ver que realmente, em certos aspectos, somos muito pequeninos.
Por falar em pequeninos, faço uma breve passagem pela Casa dos Segredos 4. Certo dia aconteceu o momento mais degradante a que assisti na televisão portuguesa. Foram ditos cerca de 1785 palavrões em directo, quase em horário nobre, por razões que ainda hoje me são incompreensíveis. E estas pessoas têm fãs!!! Em evidência esteve um ser de nome "Fanny" que gastou 90% do vocabulário mais sujo que existe na Língua Portuguesa. Desconhecia que alguém com 1,50m de altura por 1,50m de largura pudesse conter no interior tantos resíduos. Como disse o grande (literalmente) Bruno Nogueira, Deus quando criou a Fanny e a lançou para a Terra, esqueceu-se de lhe por uma laranja na boca. Aliás, para os participantes do citado programa, Deus precisava de um enorme laranjal, para fazer face às necessidades que lhe foram apresentadas.
A verdade é que eu assisti, a uma parte do programa que ninguém vê. Todos ouvem falar, ou fazem zapping, ou vêm nas revistas e todos comentam o que se passa, mas muito poucos assumem que vêem o programa.
O Português é certinho, fá-lo pela calada.

Friday, November 02, 2012

Sonho de Papel

"O seu sonho de adolescente - melhorar o mundo, contribuir para uma sociedade mais segura e mais justa, ser promovido, lutar por um cargo no Ministério da Justiça, dar à mulher e aos filhos uma vida mais confortável, colaborar na mudança da maneira como são vistos os agentes da ordem, mostrando que ainda existem polícias honestos, termina sempre na mesma palavra.
Papel."




in O Vencedor Está Só - Paulo Coelho

Monday, September 10, 2012

Eu quero, posso e mando... Neste meu Portugalinho.


Confesso que me incomodou utilizar o diminutivo do meu país no título desta publicação, mas face à situação grotesca que vos irei descrever, creio que se adequa perfeitamente.

Partilho convosco a história de um homem que se encontrava à porta de um supermercado a fazer o seu trabalho. De quando em vez, deslocava-se junto dos automobilistas que estacionavam na faixa de rodagem, quando existiam bem próximo lugares de estacionamento vagos. Por vezes bloqueavam esses mesmos estacionamentos. O intuito era sensibilizar as pessoas a estacionarem correctamente, facto que foi acatado por todos. Mas houve uma excepção.

- A senhora está mal estacionada, se não se importa tem aqui ao lado um lugar vago.
Ignorando completamente o que lhe foi dito, a senhora sai do carro em modo de arrogância on e remata.
- Eu sei, são só dois minutos. Vou ao supermercado.
- Então é o tempo que preciso para lhe passar uma multa.

A acompanhante da senhora, prontamente afia as facas, com o ego nas nuvens e uma prepotência desmesurada, dirige-se ao Agente.
- Eu sou Magistrada do Ministério Público! O que pensa que está a fazer?
Grita a senhora em plenos pulmões do outro lado da rua, originando um aparato entre todos os presentes.
-Você deve ser novo aqui. Os seus colegas todos conhecem-me, quem pensa você que é para estar a fazer isto?
- Desculpe, eu não a conheço mas se calhar é esse o problema. Pensar que pode fazer tudo o que lhe apetece. – Responde o rapaz, perplexo com o escândalo que se estava a desencadear.
- Eu quero a sua identificação! Vou apresentar queixa de si!
O Agente fornece-lhe a identificação, tranquilo e seguro do que estava a fazer.
Entretanto a senhora suposta Magistrada pega no seu telemóvel para fazer uma chamada.
- Estou (dirigindo-se por “tu” a um Oficial de Polícia). Está aqui um rapazinho… Chama lá os teus meninos para virem aqui resolver a situação.
Os “meninos” foram chamados, mas face à aparente demora, a senhora volta a dar uso ao seu aparelho electrónico e ao seu estatuto.
- Estou. Ainda estou à espera do Carro Patrulha. Nunca mais chegam?

Um senhor que ali se encontrava, tendo sido ele próprio aconselhado, momentos antes, a estacionar devidamente a sua viatura, ao assistir indignado a tal espectáculo, resolveu aproximar-se.
- Sr. Agente, desculpe lá estar a meter-me. Mas se quiser pode ficar com a minha identificação para ser sua testemunha. É que esta mulher deve estar a pensar que manda nesta merda toda para estar a falar desta maneira.

Entretanto, a senhora parece ter começado a cair em si, e resolve fazer mais uma chamadinha “máfia russa” dizendo que afinal já não era necessária a presença do Carro Patrulha.
Mas continua…
- Isto agora fica por aqui. Nem vou apresentar queixa de si, senão arranjava-lhe uma carga de trabalhos.
Preparava-se para partir junto com a sua acompanhante, quando o Agente voltou a dirigir-se a ela.
- Não, agora vai esperar um pouco porque eu também quero a sua identificação.
- O quê? Eu não dou identificação nenhuma. Eu só tenho que me identificar perante um superior seu.
- Pois, mas eu não a conheço de lado nenhum. A Sr.ª diz que é Procuradora mas eu não sei se corresponde à verdade. Sou Agente da Autoridade e já me identifiquei. Tenho o direito de lhe requerer a identificação e como deve saber, se recusar está a incorrer num crime.
- Olhe que ela é sua patroa. (Contribui a condutora com precioso comentário).
- Eu sou sua superior e só tenho que responder perante os seus superiores.
- Não, (volta o Agente a elucidar a senhora) o meu superior é o Comandante da minha Esquadra e é a ele que tenho que prestar contas.
O Agente mantendo sempre uma postura de calma e respeito face às adversidades do circo montado, profere as últimas palavras à senhora.
- Sabe, eu sou Polícia mas quando estou fora de serviço, não ando por aí a identificar-me e a usar a profissão para benefício próprio. Já a senhora, usou e abusou do seu cargo para me tentar condicionar a fazer o meu trabalho, originando este espectáculo sem necessidade nenhuma.
A senhora formada, mas aparentemente com pouca formação, acabou por admitir que talvez tenha “exagerado um pouco” e abandonou o local.
Veio-se a verificar que a senhora era efectivamente aquilo que dizia ser.
Por enquanto, a situação ficou resolvida.

Como nota final de reflexão, é muito desapontante assistir ou ter conhecimento de situações como esta ou semelhantes. Cada vez mais torna-se notório, de que canudos académicos e estatutos profissionais não são sinónimo de educação e boa formação.

Em países civilizados, como por exemplo no Canadá, qualquer forma de descriminação, menosprezo, ou comportamentos de superioridade de um ser humano sobre outro ser humano, sejam eles relacionados com etnia, classe social ou profissional é altamente censurável. A título elucidativo, se um Magistrado se dirigisse a um varredor de ruas, sem o devido respeito, abusando do seu estatuto e lhe pedisse de forma menos própria para varrer a entrada da sua casa e se esta situação chegasse a conhecimento público, esse senhor iria com certeza deparar-se com muitos problemas.
Mas neste País, dos “baixa calcinhas”, quem pode manda e faz o que quer. Aparentemente, se estes senhores da sociedade espirram o Mundo treme…
O respeito, a educação e os bons valores não se compram. Quem acredita que sim são os idiotas e os ignorantes. Os que pertencem a essa classe elitista (e ainda bem que a é) que o sejam entrem eles e sejam felizes. E que sempre que pretendam abusar do seu estatuto, embrulhem uma resposta à altura e se apercebam que o Mundo não é só deles.


P.S – Esta história é ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Monday, May 14, 2012

Informação Útil de (Pouco) Conhecimento Público

Recentemente desloquei-me a Lisboa utilizando os transportes públicos. Como tal, adquiri um cartão Viva Viagem para poder validar a passagem.

Já há algum tempo que me questiono, porque sou obrigado a comprar um cartão que acrescenta 0.50e ao preço das viagens. Se o objectivo é facilitar a vida dos utilizadores, por vezes isso simplesmente não acontece.

Ora na minha deslocação a Lisboa adquiri um bilhete de ida e volta no comboio Fertagus. Posteriormente, necessitei de viajar no Metro, logo, tive que adquirir outro cartão, porque estes cartões não acumulam viagens relativas a meios de transporte diferentes, se uma se encontrar pendente. No final já gastei 1 euro a mais do custo das viagens.

O que muita gente não sabe é que estes cartões podem ser devolvidos e o dinheiro restituído. Essa informação existe, mas convenientemente não se encontra acessível ao conhecimento geral. Em primeiro lugar deveria encontrar-se explanada no próprio cartão, onde apenas se lê “Consulte as condições gerais de utilização do cartão e dos títulos de transportes, disponíveis nos Operadores aderentes.”

Estes Operadores reservam para si a devolução dos cartões, ou seja, só podem devolver um cartão à mesma empresa onde o compraram. Por exemplo, se adquiriram um cartão no Metro, só o podem devolver no Metro. Para além disso, existe um prazo de 5 dias par ao efeito, conforme consta em informação mais detalhada, como exemplo, no site da Metro Lisboa em http://www.metrolisboa.pt/informacao/viajar-no-metro/viva-viagem7-colinas/

“Para os clientes que não pretendam reutilizar o cartão, o valor do mesmo é reembolsável nos seguintes termos:
– o cartão tem de se encontrar em bom estado de conservação, ter sido adquirido no Metro com uma antecedência máxima de 5 dias, carregado com bilhetes viagem metro e contra a apresentação do respectivo comprovativo de compra.
Saiba aqui onde fazer a retoma do seu cartão.”

Para o utilizador casual, turistas, etc, este sistema origina um acréscimo no preço da viagem e não se revela prático no processo de retoma. Ou seja, as pessoas pagam, não questionam e a empresa agradece o “donativo”.

Apenas se pretende alertar para a quantidade de cartões que nos são impingidos encarecendo consideravelmente o preço das viagens. A grande maioria das pessoas desconhece totalmente esta informação e vai acumulando cartões na carteira ou simplesmente deitam-nos fora. Imaginem quanto não lucram estas empresas com esta forma de aquisição de bilhetes. Olhem para o exemplo de cada um de vós e reflictam: quanto já gastei eu a mais à conta deste sistema de aquisição de cartões?

Friday, January 06, 2012

Auto de Denúncia do estado do País

O presente texto pretende elucidar os leitores sobre as linhas que traçam o estado da governação em Portugal. Fica exemplificado de que forma a corrupção e interesses vários têm deixado a nossa Nação na lama. Se isto não conduz à revolta, o que conduzirá?


- Em Portugal a política tornou-se numa mega central de negócios. Em 10 anos descemos 10 lugares na lista de Países menos corruptos.
- A principal finalidade dos partidos políticos é tomar conta do governo para tomar conta do orçamento.

- Muitos sujeitos chegaram a Lisboa à 15 ou 20 anos com uma mala e fato no corpo e de repente, vemo-los a viverem de uma forma completamente desconforme com aquilo que eles foram e por azar ou por sorte, passaram pela política.


Exemplificando:

- As pessoas que mandam na defesa do País desde os últimos anos provêm todos do mesmo escritório de advogados.

- Na Comissão Parlamentar que acompanha as negociações com a Troika, as pessoas com mais relevância estão ligadas à banca e às privatizações.

- Em Espanha encontram-se presos 320 autarcas. Em Portugal 0. Quando aparece alguém com mais independência é pressionado e despachado.


Caso BPN:

- Tudo o que mexe com o BPN em Portugal está contaminado. Foi feito na sua origem por políticos numa época de perdões fiscais nos primeiros governos de Cavaco Silva.

- A SLN (Sociedade Lusa de Negócios) criada na mesma altura, é constituída por privados, que quando ficam “no osso”, passa para o Estado que fica com os prejuízos e volta a entregar limpinho aos privados.
- A história do BPN é das histórias mais tristes da Democracia Portuguesa.

- Grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos. Os Planos Directores Municipais (PDM) muitas vezes são alterados a pedido.


Vejamos:

- Alguém com influência política compra um terreno a um pobre agricultor com classificação de solo agrícola. Com a conivência do Governo, ou da Câmara, consegue alterar a classificação do solo para urbanizável. Um terreno que valia 10 mil euros passa a valer de repente 100 mil.

- Esta é uma prática generalizada ao nível do país. A excepção é o contrário.

- As alterações aos PDM´s raramente são efectuadas em função do interesse colectivo. São arbitragens das entidades administrativas que vão gerindo as suas influências, em que quem ganha são as pessoas que compram os terrenos e financiam os partidos.

- Só há dois negócios que geram margens de lucro desta dimensão em Portugal: o Urbanismo de Ordenamento do Território e o tráfico de droga.

- Os terrenos quando são avaliados desta forma geram ganhos através de empreendimentos imobiliários, ou mesmo que não se façam, vão à banca buscar financiamento sobre 1000 para um terreno que efectivamente valia 100.

- As imparidades na banca em Portugal têm a ver com negócios deste género. Os bancos fizeram empréstimos a pessoas com valorizações de terrenos indevidos. Os próprios bancos são cúmplices desta situação. (Veja-se o caso do BPN).


A contribuição da legislação:

- A maioria da legislação que tem incidência económica de grande relevância é muito confusa deliberadamente. É propositadamente feita de forma a que ninguém a perceba, de preferência, e contém muitas excepções.

- As leis são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país. Isto permite que ganhem milhares de euros pela elaboração das leis e depois, como as leis são pouco claras, passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles próprios fizeram e voltam a ganhar milhares de euros. Posteriormente, são estes mesmos escritórios de advogados que vendem a privados os alçapões que eles próprios introduziram na lei.

- Estas leis pouco claras, permitem que quem chegue à política tenha a possibilidade de autorizar valorizações de terrenos e decidir quem e quanto podem ganhar.


Desvios orçamentais:

- Na Administração Pública não pode haver desvios na despesa, na medida em que um orçamento funciona como autorização de despesa. No entanto, no nosso país assistimos ao fenómeno de desvio na despesa.

- Isto acontece porque encomendam-se obras públicas sem a respectiva cabimentação orçamental. Nos termos da responsabilidade dos políticos, o político deve de imediato perder o mandato e ter responsabilidades criminais.

- Tanto na classe política como no Tribunal de Contas onde existe um responsável do próprio Ministério Público e que teriam que actuar imediatamente, não se verificou qualquer esclarecimento ou incriminação de quem, através de documento, contratou obras não cabimentadas.

- As obras chegam a custar 7 vezes o orçamentado, 3 vezes é vulgaríssimo.


Financiamento partidário:

- O financiamento partidário é um negócio que agrada a toda a gente. Os partidos passam a ter dinheiro para as suas actividades, através de angariadores que têm uma comissão de angariação de financiamento partidário na ordem dos 40%.

- Estes senhores são conhecidos nos partidos como “Homens da Mala”. Deslocam-se junto dos privados buscar dinheiro para os partidos e ficam com a sua parte do bolo.

- Mas os verdadeiros beneficiados são os que financiam os partidos. Dão 100 mil euros a um partido, e depois só num negócio de um terreno que valia 100 mil, valorizam para 1 milhão. O ganho líquido só neste negócio é de 800 mil euros.


Assim surgem as parcerias Público Privadas:

- O princípio máximo das PPP´s é garantir os lucros para os privados e se houver prejuízo o Estado paga.

- Por exemplo em 2010 (já em plena crise) relativamente às SCUT´s, foi alterada a legislação, o que garantiu que os concessionários seriam pagos não em função do tráfego, mas em função da “Taxa de Disponibilidade Diária”, ou seja, basta que a auto-estrada esteja lá para garantir aos concessionários rentabilidades na ordem dos 15% ano, mesmo que não passe lá carro nenhum. Este custo é somado ao investimento do Estado que por sua vez já é caro.

- São estas empresas que financiam os partidos e têm nos seus concelhos de administração pessoas que estão simultaneamente nas direcções dos partidos.


Continuando:

- No momento em que se negociaram estas PPP´s, na legislatura anterior, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, constituída por cerca de 12 pessoas, 6 eram administradores de empresas públicas e simultaneamente deputados.

- Prevê-se que durante 10/15 anos estas PPP´s vão custar ao país cerca de 1500 milhões de euros/ano.

- A renegociação das PPP´s é uma das exigências do Memorando de Entendimento com a Troika e até agora ainda não se fizeram nem se tem conhecimento de qualquer explicação.


Reflectindo:

- A desgraça a que o país foi conduzido tem muito a ver com estas negociatas e falcatruas.

- Nós não vamos empregar os desempregados que temos. Nada se está a fazer na economia ocidental para que isso aconteça.

- Vamos assistir à sobrevivência de uma classe que vive à custa alheia, através de traficâncias deste género, a par de uma sociedade com um futuro completamente enegrecido.

- A corrupção está na origem de uma parte da crise e está também na base que levou à queda do regime anterior.

(Assim se percebe a necessidade de cortes nos salários e pensões)



Adaptado de “Olhos nos Olhos – Dr. Paulo Morais e Dr. Medina Carreira.


Friday, June 10, 2011

Passeio por Sintra

Hoje resolvi dar um passeio por Sintra, e como sempre faço quando vou a qualquer lado que não conheço, faço umas pesquisas para saber o que visitar, onde comer, etc.
Procurando através da Internet, cheguei à conclusão de que iria almoçar a um local chamado de “Adega do Saloio”. Segundo várias opiniões, um local onde se come boa comida tradicional a baixo custo e onde se preza a qualidade “sem pretensões ao estrelato”.
De decoração rústica, o restaurante em si é bastante simpático e acolhedor. Já o mesmo não se pode dizer do empregado, que de 0 a 10 em simpatia, no máximo, atribuo um -1.
Quanto ao atendimento, foi notória a preferência por clientela mais velha e “da casa” a quem era prestado um serviço bem mais atencioso do que o que me foi prestado.
Na altura de escolher o prato, decidi-me por secretos de porco preto grelhados e a minha companhia decidiu-se por espetadas à Bruxelas. Os secretos vêm acompanhados com ervilhas cozidas, o que me deixou surpreendido, e batata frita. A espetada fez-se acompanhar de arroz e batata frita.
Chegada a hora de degustação, os secretos estavam tão salgados que passei o dia a beber água e ainda parece que tenho sal na boca.
No final um pudim de claras saboroso salvou a refeição.
O melhor ficou guardado para o fim. A conta marcava 33,10 euros e parece que em vez de meias doses, comemos doses completas que normalmente até costuma dar para dois. Fiquei a pensar se meia dose de espetada significa servirem metade de uma espetada, mas depois de tirar de esforço educadamente com o empregado, ele com a simpatia que o caracteriza, prontamente me elucidou que afinal tínhamos comido uma dose cada.
Em suma, 33,10 euros por uma refeição a 2 perfeitamente banal, que me deixou descontente e com um gosto amargo de boca e não só.
Fica o desejo de que, numa próxima pesquisa “google”, alguém tenha acesso a este texto e consequentemente a uma outra opinião.

Para quem nunca visitou, aconselho vivamente uma visita à “Quinta da Regaleira”. Um local de paisagens, arquitectura e mistérios, onde se passa uma tarde muito agradável. Pode-se passear, percorrer grutas, visitar palácios, capelas, jardins, entre várias construções antigas.

P.S – Não esquecer uma lanterna para explorar as grutas. Evitam usar a luz do flash milhares de vezes para conseguir ver o caminho no interior, como eu tive que fazer…


Monday, March 14, 2011

Crónica de Uma Geração

Não se fala de outra coisa. Finalmente o povo decidiu sair à rua em massa e demonstrar o seu descontentamento e indignação.
Já muito se disse e escreveu sobre a recentemente manifestação de jovens (e não só) "à rasca", e não há muito mais a acrescentar, a não ser o desejo de que este movimento consiga sensibilizar de alguma forma a classe política completamente alienada dos seus propósitos.
Pessoalmente, penso que a maioria dos Portugueses não se importaria de fazer sacrifícios pelo seu País. Uma excepcional aceitação de cortes de salários, aumentos de impostos e do custo de vida, pois acredito que somos um povo com orgulho na sua Pátria e que tudo faria em nome de uma sociedade mais igual e mais justa.
No entanto, aqueles que nos pedem sacrifícios, são os primeiros a desrespeitarem os pressupostos vitais para a prosperação de uma sociedade justa.
Não podemos aceitar que o despesismo do Estado continue sem regulação, que Gestores Públicos continuem com salários milionários independentemente dos seus resultados, que obras públicas tenham custos 3 ou 4 vezes superiores ao orçamento inicial, que se fale constantemente em crise e que as grandes empresas nacionais tenham facturado dezenas de milhões de euros de lucro, que se concedam subsídios a quem não quer trabalhar e se acomoda nesta "mama" enquanto se corta nos salários de quem desconta, que se encerrem centros de saúde nas zonas interiores, negando-se desta forma o acesso de cuidados básicos a idosos por motivos financeiros. Onde está o Humanismo destes senhores? Onde está o respeito pelos valores elementares?
Continuamos a assistir a uma governação de juros, défices e dívidas, onde se tapam buracos com remendos. Esquecem-se que somos Humanos e tratam-nos como máquinas registadoras.
Com esta situação, muitas entidades empregadoras aproveitam-se do mal dos outros para conseguirem trabalhadores “desesperadamente motivados” que tudo fazem na esperança de encontrarem o seu lugar no mercado de trabalho, enquanto ziguezagueiam por estágios, subsídios de alimentação ou de transporte como remuneração, aquisição de currículo, horas extras, ou que o fazem apenas para não estarem parados. Onde estão as perspectivas de futuro para esta gente? Onde está a ética destas empresas que exploram para benefício próprio?
Por outro lado, esta também é em parte a Geração que designo de "Os pais pagam, os filhos gastam". Felizmente é uma minoria, mas a verdade é que se vêem por aí muitos jovens acomodados à vida de "estudante", perdidos entre festas e modas, à espera do trabalho ideal. É importante ter formação, mas considero igualmente importante saber-se o que é cumprir horários, ter objectivos, trabalhar para poder comprar. Às vezes é preciso fazer primeiro o que não gostamos, enquanto espreitamos uma oportunidade na nossa área de estudos. Não é vergonha para ninguém.
Termino dizendo que estive presente nesta manifestação, embora esteja empregado num sector completamente alheio à minha área de formação académica. Estive nesta e estarei se possível nas próximas, porque mais que o descontentamento de uma Geração, assistimos à indignação de todo um Povo. Somos pacíficos, acomodados, demasiadamente permissivos. Demonstramos as nossas opiniões em conversas de família ou amigos, em casa ou nos cafés. Enquanto dura este impasse, os Portugueses vão acumulando frustrações até atingirem o ponto de saturação. Não há nada mais forte do que um povo indignado a sair à rua, movido por uma causa comum.

Tuesday, February 15, 2011

Vamos jogar às Moções?

É engraçado. O Bloco de Esquerda decide formalizar uma Moção de Censura contra o Governo. E contra o PSD, o maior partido da oposição. Ou seja, dá o dito por não dito.
Um partido que decide deitar abaixo um Governo através de iniciativa própria é de louvar tendo em conta o primordial interesse que se coloca em cima da mesa da Assembleia todos os dias: a actual situação País. No entanto, quando essa iniciativa visa prejudicar outros partidos deitando assim por terra um eventual apoio, a isto eu chamo show off – vamos mostrar trabalho, vamos mostrar que estamos vivos mas sem beneficiar ou prejudicar ninguém. O resultado é uma deprimente novela.
Deprimente também, é o facto de outros partidos da oposição deixarem uma tomada de decisão quanto a esta moção para mais tarde, ou seja – vamos demonstrar que estamos contra o Governo fazendo bluff quanto a uma tomada de decisão, conquistando a opinião pública e no final vamos votar contra, ou abster porque a moção não é séria. Aliás, a Moção é também contra outros partidos da oposição, neste caso o maior. Porque não cada partido formalizar Moções contra todos os outros partidos? O resultado final seria o mesmo, mas tínhamos material político para encher jornais e opinião pública durante todo o ano.
O que me deixa triste, é a Comunicação Social atribuir tanta importância a este spam eleitoral, a estes conflitos de interesse em que cada partido se quer fazer mostrar. Em que cada partido finge ter iniciativas e tomar decisões, mas o principal objectivo, é sempre sair com a sua imagem limpa. Enquanto ninguém se decidir a pôr-se ao trabalho e sujar as mãos, vamo-nos mantendo neste jogo do empurra. O Mundo vai sempre continuar a girar e a família política agradece.

Tuesday, January 04, 2011

Com ou Sem

Ano novo, vida igual.
Sinceramente estou cansado de pensar e de tentar encontrar soluções para problemas. De me enervar com factos notíciosos polémicos. De assistir a tanta incompetência. Tanto negativismo...
Este é o ano do novo acordo ortográfico. Como já devem ter reparado ainda não ado(p)tei o novo modelo de escrita, nem sei se me vou conseguir adaptar tão depressa. A verdade é que impreterivelmente vamos tôdos ficá um pôquinho mais brasileiros, né?
Depois das pérolas "Allgarve" e "Azores"... Prefiro nem continuar, chega de negativismos.
Este será também um ano de recordes no que diz respeito ao preço dos combustíveis.
No entanto, há uma dúvida que me assombra e que torna os meus dias um pouco mais cinzentos.
Assistimos à introdução no mercado de combustíveis sem aditivos com preços bem mais simpáticos que os combustíveis regulares. Muito se tem dito que sem aditivos, as viaturas poderão vir a ter problemas. Verdade seja dita, até ao momento não existem factos que o comprovem. Aliás, já existem marcas que resolveram criar um combustível próprio sem aditivos.
Atendendo ao facto de que sem aditivos conseguimos poupar cerca de 10 cêntimos/litro sem prejudicar os lucros da empresa, eu questiono: Durante quanto tempo fomos nós "enganados" e "obrigados" a usar o combustível convencional mais caro, quando poderia existir uma alternativa?
Quantos milhares/milhões largámos durante anos de mão beijada nos bolsos de "alguém"? Isto porque assistimos a um fenómeno relativamente recente de opção de escolha e segundo estudos noticiados não existem diferenças assinaláveis. Mas ninguém parece realmente interessado em desvendar este mistério. Talvez porque desta forma é satisfatório para todos e em estratégia que ganha não se mexe.
Com ou sem aditivos, com mais ou menos dinheiro, façam o favor de ter um óptimo 2011. De preferência com todos os "pês" e "tês" a que a nossa Língua tem direito.

Thursday, October 28, 2010

"Estamos" em Crise

"A Galp Energia apurou um resultado líquido de 266 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2010, considerando o replacement cost ajustado (RCA), mais 48% do que o lucro apurado em igual período de 2009, anunciou a petrolífera portuguesa esta quinta-feira."

"O BCP terá registado lucros de 224 milhões nos primeiros nove meses do ano, segundo uma 'poll' de seis analistas."

"Estimativas do KBW apontam para que o BES tenha registado lucros de 384 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Banco de investimento diz que acções não estão caras e risco de queda é limitado."

"A ZON Multimédia registou um resultado líquido (ajustado) de 31,6 milhões de euros no final dos primeiros nove meses de 2010, mais 10% do que em igual período do ano anterior, anunciou a empresa que detém a TV Cabo e a Net Cabo."

"O lucro da Portucel terá subido 85% para 134,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, suportado na subida das vendas de papel e dos preços da pasta."

Wednesday, October 13, 2010

Crónica de Uma Juventude Anunciada


Lembro-me de há trinta anos atrás... Gostava de sair com os amigos, cometer algumas loucuras, vestíamos o que estivesse à mão, andávamos na rua, conversávamos, discutíamos, abraçávamos e isso era tudo.
Às vezes tocávamos as estrelas entre música e fumo. Outras vezes reuníamo-nos e reflectíamos sobre o que nos rodeava, sobre as árvores, o capitalismo, o tempo, o concerto passado. Tinhamos tempo para pensar, para partilhar ideias, para ver e para sentir.
Hoje tenho dois filhos. Ambos tentam poupar para poderem ter o melhor telemóvel. Gostam de internet, onde falam sobre tudo. Gostam de sair à noite com as melhores roupas e têm uma obsessão pelos seus cursos. Querem ter um bom emprego. O Luís quer ser arquitecto e a Sofia quer ser empresária. Dizem-lhes que têm de garantir os seus futuros. Devem ter um bom emprego que os deixe bem na vida, para poderem comprar uma casa num sítio agradável e "fugir" desta selva em que nos encontramos. Não vêem as notícias porque são uma seca e quando vêem acreditam em tudo. Não querem pensar no que viram. Apenas se querem despachar e sair rapidamente, onde num café próximo os amigos esperam-nos para conversar sobre o namoro terminado da Joana, o carro novo do Alberto, ou sobre o que a Isabel disse da Cátia.
Será que somos assim tão diferentes?
Às vezes tenho vontade de lhes cortar as gargantas. Não quero mais filhos, nem amigos de filhos. São apenas bonecos.
Foram educados para aceitarem o que lhes dão. Para estarem na moda. Para verem reallity shows e acompanharem-nos diariamente. Para se divertirem, consumirem, seguir tendências criadas por alguém que ninguém sabe.
São parafusos na máquina económica e quando algum salta, é posto de parte e substituído por um novo.
Se lhes perguntarem o que é ter consciência e responsabilidade social, pensam que é o nome de algum videojogo para intelectuais cromos que não sabem "viver a vida".
Continuam a comprar ténis de marca mesmo sabendo que são originários da exploração de asiáticos. A comprar jóias mesmo sabendo que estão banhadas em sangue africano. A seguir "superstars" extravagantes mesmo sabendo que no Mundo ainda se morre de fome.
Tenho vontade de lhes cortar os pescoços. Lentamente de lâmina pouco afiada.
Não votam porque "tásse" melhor na praia, não reinvidicam a não ser que lhes doam os bolsos, não saem à rua porque vão às compras, não conversam porque não vale a pena. Para quê?
Podem não poder mudar nada, mas só o poderem pensar na mudança ou terem consciência do Mundo onde vivem ou poderem fazer escolhas, já é um grande passo.
Estão vazios.
Estes idiotas chanfrados que se vestem e penteiam todos da mesma maneira estão completamente fodidos.
Eu. Eu já sou um cota. Já estou velho e não percebo nada.
Eles esquecem-se que também já fui um jovem. Tinha óculos que me ocupavam a face, calças justas, ía a festivais e dormia onde calhasse, fumava umas e bebia outras.
Um dia mais o meu grupo de amigos e mais tantos outros grupos de amigos, saímos à rua e gritámos Liberdade. E nunca mais fomos os mesmos.

Às vezes apetece-me...

Monday, September 13, 2010

Toddlers & Tiaras & Stupidity


Numa destas noites tive a triste ideia de pegar no comando do televisor e parar num canal que passava o programa "Toddlers & Tiaras". Fiquei-me por lá para tentar compreender que género de programa era aquele e... Até hoje não consegui.
A verdade é que existem pessoas que levam esta prática como modo de vida e, desculpem-me os mais sensíveis, só poderia acontecer no país supra sumo do desenvolvimento: os E.U.A.
Segundo me apercebi, este programa retrata a vida de algumas famílias que levam os seus filhos a concursos de beleza, proporcionando-lhes tudo a que uma verdadeira top-model tem direito. A questão é que estas crianças têm 5/7 anos!?!?!
Surpreendidos? Ainda não viram nada...
Os dedicados "pais" inscrevem as suas criancinhas em concursos que mais parecem exibições de espécies raras. Compram vestidos que custam milhares, perucas, dentaduras postiças para ficarem com um sorriso direitinho e brilhante, pulvorizam-nas com pistolas bronzeadoras, têm tratamentos de pele, vão à manicure/pedicure e têm sessões de maquilhagem de onde saem umas senhoras... de 5 anos.
Depois, surge a oportunidade de exibirem os seus filhos em vários tipos de desfiles, com roupas e coreografias que levam semanas a preparar. É de realçar a necessidade persistente que estes paizinhos têm em afirmar que os seus filhos se estão a divertir e que só participam nos concursos que querem. Mas depois é vê-los com expressões aterrorizadas, de pânico, quando os seus rebentos não vencem, ou enquanto os obrigam (sorrindo para as câmaras) a cumprirem as suas ordens, quando as crianças querem simplesmente... brincar.
O mais curioso neste programa é que a maioria das mães presentes, são autênticas bolas de carne com pernas que permitem a sua locomoção. No entanto, transmitem todas as suas frustações aos seus filhos, incutindo-lhes a competição, a vaidade, o conceito de status, em autênticos "freak-shows" de exibição social.
Estas crianças participam em dezenas de concursos por ano e o mais preocupante é imaginar as conversas pós competição em casa, de comparação e inveja com os filhos dos vizinhos. Que adultos exemplares estas crianças se vão tornar...

Podem aceder a este hino à educação e desenvolvimento em: http://tlc.discovery.com/tv/toddlers-and-tiaras/

Tuesday, August 03, 2010

!OO



A centésima mensagem.

O que nos leva a escrever, criar e partilhar com os outros?
Já escrevi sonhos e partilhei desejos, experiências e emoções.
Desde que me lembro de ter pressionado a primeira tecla, muito mudou. Estou mais crescido, mais adulto e isto significa, em certa parte, viver menos. "Temos que fazer isto...", "Temos que fazer aquilo...", "Amanhã tenho que estar ali...", "Não posso faltar...".
Um corropio de responsabilidades, necessidades, comprometimentos. Palavras demasiado cumpridas e demasiado pesadas.
Mas nem tudo é mau. Tornamo-nos úteis à sociedade (alguns), independentes, realistas, mais conscientes, etc. Enfim, mais adultos...
Cada um cresce à sua maneira, mas mais cedo ou mais tarde todos acabamos por crescer. A virtude está em sobreviver à contaminação das mentes do mundo dos adultos.
O problema é que quem conseguir fugir totalmente a esta contaminação, não se safa. No mundo dos adultos, quem é "saudável" fica de parte.
Eu considero-me um contaminado saudável. Nunca me esquecendo de quem fui, do que já vivi, do meu lugar.

Esta é a minha caixa dos segredos, o meu muro das lamentações.
O meu espaço, a minha fronteira, onde todos entram sem pagar, até que alguém se lembre do contrário. Daqui a uns anos, cada mensagem aqui deixada será recordada por mim, bem como todos os factos, pensamentos e emoções a elas associados.

Embora este seja o meu post nº 100, este é também um ponto de viragem. Já não tenho vontade de escrever poesia, nem inspiração e a criatividade essa guardo para mim, deixando a publicação para mais tarde, o que depois acaba por não suceder.
No entanto, vou continuar a escrever, nem que sejam as reflexões do que vivo diariamente. O lado mais negro que as pessoas podem ter, eu guardo, dou-lhes destino e venha o próximo. De vez em quando, lá aparecem razões para um sorriso.
Dentro dos possíveis, vai valendo a pena...

Thursday, May 20, 2010

As Crises da Crise

A crise instalou-se na Europa e vivemos em tempo de instabilidade social, agravada em grande parte pela falta de carácter e rigor presentes nas medidas governamentais. Comecemos pelas últimas eleições em que o governo de José Sócrates foi reeleito conclusivamente por exclusão de partes. Apesar do voto de protesto que lhe retirou a maioria absoluta, a verdade é que não existia (ou nao existe?) alternativa ao actual primeiro-ministro, deixando os portugueses sem escolha e revelando a pouca credibilidade da política portuguesa.
Este governo contribuiu para o "salvamento" dos bancos à beira da falência, financiando um dos principais causadores desta crise. Os créditos e empréstimos eram incentivados e facilitados, enquanto o dinheiro virtual dos credores era usado em negócios bancários. Dinheiro esse que não foi restituído, resultando um enorme buraco financeiro.
Agora, resta-nos como herança o tão falado PEC, e os bancos defendem-se com taxas elevadíssimas deixando os portugueses com uma mão atrás das costas. Não deixa de ser irónico, ainda para mais quando alguns deles continuam a registar excelentes margens de lucro.
Mas não é só na crise financeira que estão os nossos problemas. Existe uma crise de solidariedade social, que, claro está, não tem como exemplo o nosso estimado governo. Pede-se um aperto de cinto, institui-se um aumento generalizado de impostos, mas depois não se cortam nas despesas públicas nem nas despesas do Estado. Desta forma, estas medidas não serão mais do que um penso na ferida, que depois de retirado voltará a sangrar. Não se justifica uma terceira ponte sobre o Tejo, a construção de um novo aeroporto ou mesmo o TGV, que apesar de potencialmente ser um bom investimento para o país, nos dias que correm é um risco e um autêntico tiro no escuro. Seria mais interessante incentivar os portugueses a investirem em negócios no seu país, facilitando o acesso e manutenção dos mesmos e acabando com burocracias supérfluas que retiram a motivação a qualquer um. Como é o caso flagrante dos chineses, livres de impostos nos primeiros 5 anos e que deixam os comerciantes nacionais ainda mais com a corda na garganta.
Apesar de estas medidas (PEC) serem inevitáveis, o nosso primeiro ministro revela um orgulho e teimosia, fiel aos seus grandes projectos que não abona em nada aos interesses do país.
Também é de realçar a crescente crise na justiça social. Rendimentos e subsídios foram distribuídos ao desbarato e agora estamos a pagar por isso. Creio que custa a todos saber que milhares de idosos que trabalharam e descontaram durante toda a sua vida, se encontrem agora com reformas miseráveis e em casas degradadas, enquanto outros que nunca contribuíram para a sociedade vivem de rendimentos, com casas oferecidas e que muitas vezes garantem mais rendimentos através de negócios ilícitos. Não será tempo de se tomarem medidas mais rígidas relativamente à fiscalização e penalização neste tipo de rendimentos? Quando uma pessoa trabalha, desconta e é demitida, muitas vezes marido e mulher dispensados das fábricas onde laboravam, merece com absoluta certeza o apoio e contribuição dos contribuintes. No entanto, existem casos em que seria aconselhado uma investigação ao historial de pessoas que usufruem de rendimentos sem nunca terem contribuído. É uma questão de justiça e nos tempos que correm, não há que preterir os que merecem pelos que não merecem. Além do mais, todos os que beneficiem de rendimentos sociais e que cometam crimes, deveriam ver essa regalia lhes ser retirada, pois é um ultraje e uma falta de respeito para com a sociedade que os financia.
Finalmente, não posso deixar de referir a crise que foge um pouco mais à responsabilidade do Estado, a crise de valores, referente a todos nós. Continua a imperar cada vez mais o "salve-se quem puder", e é de lamentar que os portugueses ao requisitar um serviço ou efectuar uma compra necessitem de andar sempre de pé atrás, pois à mínima distracção levam-lhe a mão ao bolso. A integridade está à venda em Portugal. A falta de transparência é patente a vários níveis, o significado de "negócio" é levado ao extremo e o consumidor é espremido, seja nas grandes ou pequenas empresas, privadas ou públicas. Vive-se num clima de desconfiança pelo próximo e a solidariedade social, tão pertinente nestas alturas, é deixada para segundo plano.
Enquanto isto, continuamos sob a alçada de um governo desorientado, que ora diz uma coisa ora diz outra. Que toma decisões a contra-relógio e que continua a demonstrar um enorme orgulho, sinónimo de irresponsabilidade, contrário de liderança. E o povo vai pagando como pode.

Saturday, May 15, 2010

Solidariedade de LUXO


O cantor Kanye West participou recentemente numa campanha de solidariedade pelo Haiti, na qual contribuiu com a voz e a sua imagem na produção de um videoclip da música "We Are The World" popularizada pelo artista Michael Jackson.
Nas imagens podemos ver a "estrela solidária" contribuir para para uma maior (des)igualdade no mundo enquanto usa uma camisa com o valor de cerca de 8 mil euros. (!?!?!??)
Fico muito satisfeito por verificar que as figuras públicas continuam a entregar-se a este tipo de iniciativas de forma tão dada e humilde, contribuindo (pouco ou nada) para um mundo melhor.

Wednesday, April 21, 2010

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Thursday, April 01, 2010

Medicilina

Um mau jeito num ombro e uma espécie de estalar do osso, causados num treino, levaram-me ao hospital logo pela manha.
Uma hora e meia depois fui atendido pelo médico, quando só tinha cinco pessoas à minha frente. O mesmo pediu-me três movimentos com o braço e escreveu. Escreveu, escreveu, escreveu e receitou-me uma injecção que eventualmente me iria provocar um "aquecimento" pelo corpo.
Já na enfermaria colocaram-me um tubo na mão e duas injecções de cerca de 15cm estavam prontas a entrar no meu organismo. A primeira causa desconforto e a segunda queima-me literalmente o estômago e faz-me perder os sentidos quase instantaneamente.
Volto a acordar, colocam-me na maca de pernas para cima levam-me para o corredor e activam a protecção lateral de ferro porque estava desorientado e queria sair dali.
Chamei a enfermeira e expliquei-lhe que só me tinha magoado no ombro e queria um RX para confirmar, e que em vez disso estava deitado numa maca, num corredor, com um tubo espetado na mão, depois de ter perdido os sentidos. A mesma disse-me que só podia sair quando o médico me desse alta.
Depois de mais uns minutos intermináveis à espera, chamo outra enfermeira e vou falar directamente com o médico, que depois de me ouvir por breves segundos me diz "Então vamos tirar um RX"...
Três horas e meia depois, o médico observou o resultado e segundo o mesmo não tinha nada, era apenas uma lesão muscular.

Valeu pela experiência eutanásica.

Wednesday, March 03, 2010

Abençoadas Campanhas

No seguimento do terramoto do Haiti e mais recentemente das cheias na Madeira, várias campanhas foram criadas de forma a auxiliarem na reconstrução de habitações e os mais sacrificados por estas tragédias.
No entanto, vou concentrar-me no caso português e no ciclo vicioso em que este tipo de iniciativas se podem tornar.
Não questionando, por uma única vez, a evidente solidariedade dos portugueses, a verdade é que este não passa de um sistema de improviso e corrida desenfreada em busca de contribuições. Bem mais objectivo, seria a criação de um fundo de apoio social em que as pessoas podessem doar durante todo o ano, os valores que quisessem segundo a responsabilidade social de cada um, das formas habituais, como tranferências bancárias, chamadas telefónicas, arredondamentos em compras de supermercado, etc. Este fundo serviria para uma resposta rápida a este tipo de situações e seria fruto directo da boa vontade da cada um. Aliás, estes valores poderiam também ser utilizados para matar a fome de muita gente que necessita e em construções de casas para sem abrigos, com respectivo acompanhamento de reincerção social e introdução no mercado de trabalho. O verdadeiro combate à pobreza. Em vez disso, continuamos à espera que as desgraças aconteçam para depois "sermos" solidários, intermediados por empresas públicas e privadas que rapidamente movem esforços para campanhas, que por outro lado, acabam por ser um excelente meio de puplicidade, tanto para a comunicação social, que mantém um assunto em voga durante muito mais tempo, como para as próprias empresas que vêem o seu nome associado a campanhas de solidariedade e que posteriormemte irão buscar o respectivo lucro.
Outra vantagem seria de que todos teriamos a certeza de qual a finalidade específica das contribuições de cada um, em vez de assistirmos a uma distribuição injusta dos frutos dos nossos descontos, com que tantas vezes não concordamos. Enquanto esta situação se mantiver, continuaremos a tapar o sol com a peneira, ficando sempre a suspeita de que alguém fica a ganhar com estas doações, tanto a nível monetário como a nível mediático.
É caso para dizer que a desgraça de uns se pode tornar na felicidade de outros.

Thursday, February 04, 2010

"Rainvíndicações"

Os alunos do Básico e Secundário querem o fim dos exames nacionais.

E já agora...

- Direito a educação sexual nas salas da aula e sexo sem educação atrás do Bloco.
- Fumar charros sem serem incomodados.
- Mesas para quatro para jogarem a Sueca enquanto a professora diz aquelas coisas estranhas.
- Saldo ilimitado no telemóvel dentro das salas de aula para uma comunicação mais eficaz.
- Máquinas de preservativos para encherem e lançarem ao ar e pílulas do dia seguinte, para quando descobrirem que os preservativos já não voltam.
- Taxa crime de álcool no sangue superior a 5.0g/l para poderem beber à vontade e depois conduzir.
- Implementação da "semanada mínima" para os que não conseguem estudar. Os que conseguem não precisam.
- Aumento da ainda por aprovar "semanada mínima".
- Diminuição do preço do álcool e do tabaco devido aos efeitos da crise. Os pais já se queixam que os "almoços" estão cada vez mais caros.
- Direito a insultar o professor cada vez que ele interromper as suas conversas com perguntas supérfulas.
- Direito a insultar a mãe quando esta os "envergonha" em frente aos amigos.
- Conseguirem uma taxa superior a 2% de alunos que saibam realmente porque se estão a manifestar.
- Morangos com Açucar em horário nobre.
- Acesso à Internet com pornografia ilimitada.
- Poderem gritar palavrões nos transportes públicos. (Ah não, esta já foi aprovada em RGA´s anteriores).
- Direito a no mínimo duas festas por semana, um festival por mês e uma balda por dia. (Excepto nos dias em que há Matemática, História, Química, Ed. Física, Português, ou análogas) podendo atingir as duas ou três.


*Uma pequena sátira que cai no exagero. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência (ou não...).