Friday, January 30, 2015

Sócrates. Filósofo ou Impostor?

Sócrates. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental. Um mestre idealista da filosofia antiga. Figura mítica Grega, que levou o seu nome a ser eternizado.
Sócrates. Político socialista Português. Ex-primeiro ministro. Acusado por crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
João Araújo. Advogado de José Sócrates (ou o que dá a cara para os media), referiu numa entrevista televisiva que o grande responsável por o seu cliente estar a passar por esta situação complexa, é ele mesmo. Porque aprovou a lei.
Ou seja, com este tipo de raciocínio podemos calcular como funcionam algumas mentes ligadas ao direito e ao poder governamental. José Sócrates não está preso porque supostamente cometeu crimes de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais. Está preso porque aprovou leis que visam combater esses mesmos crimes. Então qual seria a solução mais lógica?  Não cometer este tipo de crimes ou de qualquer outro tipo. Certo? Errado... Segundo a linha de pensamento apresentada por estes senhores de fato e gravata, a resposta consiste em não aprovar leis que combatam os crimes. Assim, na eventualidade de virem a ser responsabilizados, nunca serão punidos, por uma lei que convenientemente não existe.
Sócrates, o José, também perdurará na História. E esperemos que a História nos presentei com mais casos semelhantes, com outros tantos "Sócrates" e adidos da Política nacional e do Mundo.
Como diria o saudoso José Hermano Saraiva, "E esta hein!?"

Thursday, December 11, 2014

Cidadania Mas Pouco

Em finais do passado mês de Novembro, fomos fustigados com chuvas fortes e ocorrências de algumas cheias um pouco por todo o país. E este foi o estado em que ficou o pavimento da minha área de residência.



















Exactamente oito crateras de diâmetro semelhante e profundidade suficiente para originar danos em viaturas ou provocar acidentes. Nos dias de chuva, os buracos ficavam completamente cobertos com água e era impossível vislumbrar as falhas no pavimento.
Durante duas semanas a estrada ficou neste estado, numa rua movimentada, e da minha janela ouvia o som dos pneus que largavam um estrondo quando embatiam nestes buracos. Decidi tirar estas fotografias e comunicar à Junta de Freguesia. Recebi uma resposta passados dois dias, agradecendo o contacto e referindo que o Presidente da Junta se tinha deslocado ao local e dado prioridade ao caso. No dia seguinte os buracos estavam tapados.
Fiquei satisfeito por ter tomado a iniciativa e o problema ter sido resolvido para bem de todos, mas por outro lado preocupado. Preocupa-me a falta de civismo das pessoas e a falta de participação activa na sociedade. Bastou um simples gesto para se resolver a situação, mas imagino as dezenas de pessoas que se lamentaram, criticaram, ou queixaram-se em conversas de café do estado do pavimento. Mas talvez ninguém tenha dado conhecimento a quem de direito. Talvez ninguém tivesse chegado a dar o primeiro passo e as coisas não se resolvem por si, entre lamurias de ocasião.
Também recentemente desloquei-me à estação dos barcos do Barreiro, sob alçada da empresa Soflusa. Na hora de adquirir os ingressos, todas as máquinas tinham a modalidade de pagamento por multibanco inactivas. Na bilheteira fui informado que só aceitariam pagamento por multibanco de valor superior a cinco euros. Tive que me deslocar propositadamente a um multibanco para levantar dinheiro, mas a minha mulher pediu o livro de reclamações. Como é possível que todas as máquinas não estejam a aceitar multibanco e na própria bilheteira não o aceitem como forma de pagamento só porque não atinge o valor que pretendem? Qual a alternativa que me oferecem?
Durante o preenchimento da reclamação pela minha mulher, ouvia o senhor da bilheteira - Não sei para que é isto. Não vai dar em nada. Reparei também que era a primeira reclamação a ser preenchida no livro. Será que nunca ninguém reclamou? Que tudo correu às mil maravilhas? Ou será que não há tempo? Disponibilidade? Vontade de agir? Isso não sei responder. Mas sei que a frase proferida pelo senhor da bilheteira ecoa em milhões de cabeças do nosso país.
Outro exemplo semelhante é a decisão do Pingo Doce em não permitir pagamentos por multibanco em pagamentos inferiores a vinte euros. O motivo é o aumento das comissões por parte dos terminais multibanco. Se bem entendo, uma grande empresa imputa comportamentos (necessidade de levantamentos de dinheiro à priori ou durante a fase de pagamento na própria caixa) e retira meios de pagamento e respectivo conforto aos seus clientes, porque outra empresa aumentou para si os custos. Ora então eu, a quem me tem sido retirado frequentemente capacidade de poder de compra, posso também ter legitimidade para informar o Pingo Doce que irei pagar valor inferior aos preços marcados, porque têm aumentado gradualmente nos últimos tempos. Isto não faz qualquer sentido. Mas continuo a verificar que os clientes continuam a ser clientes e aceitam as mudanças que os prejudicam de ânimo leve. Se assim é, porque não seguem outras empresas os mesmos passos se ninguém reage? Será que não está na eminência de acontecer?
Se ninguém agir e deixarem as reclamações perdidas em desabafos com vizinhos e amigos, aí ninguém tem conhecimento. Ninguém se digna a resolver. Empurram-se responsabilidades e ninguém faz nada.

Monday, October 27, 2014

Liga dos Comilões

Caros amigos. Hoje vou falar sobre futebol. Compreendo que alguns de vocês não se interessem e terminem imediatamente com a leitura. Mas também acredito que a outros despertará a curiosidade no que diz respeito à minha opinião sobre este assunto.
Com certeza que muitos dos apreciadores do futebol, já se depararam com a questão das arbitragens prejudiciais a equipas portuguesas na competição denominada Liga dos Campeões. E a verdade, é que nos últimos anos, nos jogos em que estiveram envolvidas equipas portuguesas frente a outras equipas europeias, supostamente mais "fortes", as representantes de Portugal normalmente saem prejudicadas. E este ano não é excepção. Mas também é verdade, que para os mais atentos nesta competição, e que acompanham outros jogos com outras equipas europeias, é curioso constatar que normalmente a decisão do árbitro pende para o elo mais forte. Ou seja, há muitas mais equipas europeias de menor expressão, que sofrem do mesmo mal das portuguesas.
Para que não fique no ar uma teoria da conspiração pouco fundamentada, baseada em opiniões e clubismos, desafio-vos a fazer um pequeno raciocínio. Não é por acaso que a Liga dos Campeões, é também conhecida como Liga dos Milhões. Isto porque, é uma competição que envolve muito dinheiro e claro, onde há dinheiro há interesses. Para lá do que se passa dentro das quatro linhas, existe uma panóplia de entidades envolvidas cujo objectivo é lucrar com este desporto. Desde patrocínios, casas de apostas, direitos televisivos, empresários, intermediários, e no topo da cadeia alimentar, a própria FIFA. E quem move esta máquina de gerar riqueza e alimenta todos os apêndices? Os grandes clubes, como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, etc. Ou seja, quanto mais tempo estas equipas estiverem envolvidas nesta competição com todas as suas estrelas, maior é o número de seguidores e mais dinheiro é gerado. Por isso muitas vezes, não são bem vindas surpresas de outros clubes que ousem intrometer-se numa fase mais avançada da competição.
Vou tomar como exemplo um jogo a que assisti e que de certa forma vai de encontro ao que aqui foi dito. Ludogorets - Real Madrid (e perguntam vocês, Ludo quê??). Exacto, estão a ver onde quero chegar. Esta equipa desconhecida fez frente ao Real Madrid, num passado recente e chegou a assustar os gigantes, chegando mesmo a ter vantagem no jogo. Mas um penalty bastante duvidoso e um golo em que existem dúvidas sobre uma falta atacante, permitiram ao Real dar a volta, entre outros lances que normalmente pendiam a favor dos espanhóis. Se estou a contestar o mérito do Real nesta vitória? Não. Estamos a falar de duas equipas com uma diferença abismal de qualidade. Se acredito que estes dois lances seriam decididos da mesma forma se os papéis se invertessem? Não, absolutamente. É muito mais seguro para um árbitro tomar uma decisão em que no máximo poderá ser contestado por "meia dúzia" de adeptos, do que ter os olhos do mundo em cima de si por falhar num lance em que prejudique um gigante do futebol.
Este é apenas um dos exemplos por que clubes como Benfica e mais recentemente o Sporting passam e tanto se queixam. Não só têm que enfrentar equipas mais poderosas a nível europeu, como têm que ultrapassar o interesse maior, que muitas vezes demonstra a sua influência através de arbitragens. Mas se analisarmos bem o contexto nacional, o mesmo se passa com os três grandes e as restantes equipas. E a verdade desportiva não passa de utopia.
Como diz o outro, " O fair play é uma treta."

Friday, September 26, 2014

Pai, Recomenda-se!

Um ano, um mês e oito dias, foi o tempo que passou desde o último post de “Um Mundo a Atingir”. Passou muito tempo. Demasiado tempo. A verdade é que pelo meio sucederam-se alguns percalços, acidentes bons e outros menos bons, alguma falta de vontade e mais importante de tudo: o nascimento de uma criança.
Todos ouvimos falar do quanto incrível ser pai, pode ser. Tantas histórias e experiências partilhadas, que nos fazem imaginar, o que é ser pai. Mas a verdade, é que enquanto não vivenciamos a experiência in loco, nunca sabemos o que significa na realidade.
Mas comecemos pelo início.
Quando soube que ía ser pai, vivi um misto de sensações. Por um lado uma alegria imensa, mas por outro alguma apatia e apreensão, porque não fazia ideia do que esperar. Sabia apenas que vinha aí "qualquer coisa" que ía mudar a minha vida por completo. Mas não sabia como...
Ao assistir à primeira ecografia, acordei para as primeiras grandes emoções, do género "Epá, já está ali desenhado. Isto é mesmo a sério!". Até ao nascimento tudo se baseia em cuidados, expectativas, preparação e muita informação à mistura. É uma menina!
No dia 24 de Abril do presente ano a menina decidiu conhecer o mundo. A muito custo, diga-se, mas os pormenores ficam para outra altura.
Os primeiros dias são no mínimo hostis. Um novo ser, de tamanha reduzido, ar engelhado e carrancudo, chorão, rabugento e completamente dependente. E agora, o que é que eu faço?
Chorar, dormir e fazer cocó. São os princípios básicos de um recém nascido. Tão bom, que saudades. Mas a descida aos infernos depressa se faz sentir, com choros e berros estridentes e repetitivos que quase nos levam à loucura. E as cólicas? Ai essas serial killers da calma e descanso. Não dão tréguas, mas com o tempo, acabam por sucumbir à ordem natural das coisas, e a uma série de "medicamentos milagrosos", que nos levam a carteira por um pouco de conforto e muito efeito placebo.
Nos primeiros três meses, não me sentia um verdadeiro pai. A sensação de ter a responsabilidade por um ser, que pouco ou nada interage e cujo único objectivo é sobreviver com ajuda dos pais, não é a que estava à espera na minha imaginação. Tudo isto aliado às queixas constantes do pequeno e pobre ser com sofrimentos que parecem não ter fim e nos levam ao desespero. "Se eu soubesse que seria assim..." Eu sei, é um pensamento ultrajante, mas acredito que passou pela cabeça de todos os pais, nem que seja por um breve segundo, e quem não o admite está a ser politicamente correcto. Uma expressão honrosa para hipócrita, que tão bem combina com política.
Mas passados os primeiros três meses, chegam os primeiros sorrisos. E assim todas as noites sem dormir e inquietações constantes valeram a pena. Bastou um sorriso.
Começam os gugus, os dadás, os gritinhos, as festinhas, e os sorrisos... Tantos sorrisos que originam outros tantos. E agora sou pai.
A interacção com aquele ser simpático, gorducho, carinhoso, construtor de felicidade, transforma-se na mais bela essência da natureza humana: o amor de um pai pela filha.

Um Mundo a Atingir leva agora oito anos de existência. Embora com algumas paragens pelo meio, prometo voltar a escrever com maior regularidade, sobre actualidade, desporto, cultura, entre outros devaneios pessoais. Porque o mundo, irá ter sempre algo a atingir.

Sunday, August 18, 2013

Ciao Sicília

Neste tópico irei relatar-vos como se desenrolou a minha viagem de lua-de-mel. O destino escolhido foi a Sicília. Queríamos aproveitar o sol de Agosto e belas praias, mas ao mesmo tempo conhecer uma cultura diferente de perto. Acabamos por escolher esta bela ilha Italiana.
Ao chegarmos a Sicília deparamo-nos com um tempo quente e húmido, muito abafado para quem não está habituado. Mesmo de noite o ar é pesado e o pouco vento não é suficiente para combater o calor. No entanto, o corpo habitua-se, mas é essencial ter ar condicionado no quarto.

A nossa estadia iniciou-se em Palermo, a capital da ilha, e do Aeroporto até ao hotel é possível vislumbrar uma enorme rocha ao longo da estrada, que nos apresenta aquilo que é a paisagem constante de Sicília, uma região muito montanhosa. 

1º Dia

Visita a Cefalú, uma vila do norte que fica a cerca de uma hora de carro de Palermo. Pela primeira vez experimentamos a praia e não ficamos desiludidos, a água é transparente e morna, nem é preciso adaptar o corpo para entrar nela. Sair é que fica difícil, pois sabe maravilhosamente bem. No final da tarde, fizemos uma visita pela vila, muito simpática e tradicional, onde provamos alguns doces típicos da região.




2º Dia

No segundo dia, resolvemos fazer um tour por Palermo, num daqueles autocarros Sightseeing. O tour tem dois percursos distintos – o red e o blue – primeiro fizemos o percurso red, onde passamos pelas zonas históricas principais da cidade, e depois o blue, que não apresenta nada digno de grande registo. Na verdade, Palermo não é uma cidade bonita. Tirando alguns pontos históricos, a cidade é muito cinzenta, com edifícios sujos do tempo, a precisar de uma limpeza. À noite, com a iluminação amarelada e o movimento das pessoas, tudo fica bem mais simpático.




3º Dia

Viagem até ao Sul à região de Agrigento. Aqui visitamos um local muito particular chamado de Punta Bianca. Um ponto localizado numa pequena praia selvagem, onde se chega através de um caminho de terra e depois acessível apenas a pé ou de bicicleta. Em baixo um enorme rochedo branco banhado pelas ondas que se fazem sentir, bem como um forte vento constante e uma casa antiga nesse local, o que oferece um cenário muito bonito onde se podem tirar óptimas fotografias.



Depois fomos até ao “Vale dos Templos”, onde por um bilhete de 10 euros podemos visitar um vale com vários templos e ruínas gregas, com especial destaque para o Templo de Concórdia que se encontra em excelente estado de conservação. Uma excelente experiência para quem nunca teve contacto de perto com relíquias arqueológicas tão imponentes quanto estas.




Por fim, fizemos uma passagem por Scala dei Turchi, um dos pontos muito procurado pelos turistas, mas mantivemo-nos à distância. O mar estava violento e pareceu-nos ser uma paisagem muito semelhante a Punta Bianca, pelo que decidimos ficarmos pelo alto e regressar a Palermo.


4º Dia

Aproveitamos o tempo excelente para um dia na praia de Mondello. Esta praia fica bem pertinho da capital e a água apresenta uma temperatura e uma cor azul-turquesa do outro mundo, entre rochedos que nos oferecem um cenário muito bonito. Mas atenção, o areal está maioritariamente ocupado por condomínios reservados, e é bastante requisitada. Nós alugamos um spot num dos condomínios. Foi um pouco caro, mas valeu a pena.
Da parte da tarde, viagem até Catania.



5º Dia

Resolvemos visitar um dos lugares mais procurados de Sicília, Taormina. Não visitamos a vila em si, porque queríamos aproveitar as praias, então ficamo-nos pela praia em Giardini – Naxos, que fica a poucos quilómetros, onde passamos excelentes momentos. Lá é possível apanhar um barco que nos leva em uma visita até Isola Bella, um dos locais mais bonitos que já vi. Pelo caminho é possível ver os inúmeros iates instalados que permite aos seus utilizadores usufruírem das águas transparentes com mais exclusividade, bem como os hotéis localizados estrategicamente junto às encostas, alguns deles até, com praia privativa. Visitamos a gruta e fizemos também uma paragem onde pudemos mergulhar com óculos e respiradouros. O Sr. do barco lançou comida para a água e dezenas de peixes vieram à superfície. Quando mergulhei, tinha vários peixes de várias cores à minha volta e via-se o fundo perfeitamente. Foi uma experiência excelente.
Ainda no barco deram-nos a provar alguns doces típicos da região, frutas da época e licor.





6º Dia

Quem visita Sicília não pode deixar de fazer uma visita ao vulcão Etna. Sem dúvida uma experiência completamente diferente, que nos apresenta um cenário muito particular que não se vê todos os dias.
De carro fomos até Nicolosi, uma vila localizada na base do vulcão, e seguimos em direcção a Etna Sud. Após vários quilómetros a subir, onde se apresenta uma paisagem rochosa resultante da actividade do vulcão, chegamos ao Funivia, o teleférico que nos levará até ao topo. Durante a subida, vamos observando o terreno rochoso e a vegetação que foi crescendo no local. Após terminar a subida, apanhei um pequeno autocarro que nos leva ainda mais acima, junto das crateras secundárias do vulcão e aí sim, consegue-se sentir verdadeiramente o ambiente vulcânico. É possível sentir o calor do vapor que sai das crateras e que contrasta com o imenso frio e vento que lá existe, bem como o solo característico rochoso. A vista é deslumbrante. Aconselho o uso de agasalho adequado pois lá no alto faz imenso frio.







Da parte da tarde, um passeio pela cidade de Catania. Mais uma vez, não acho que seja uma cidade muito apelativa para se visitar, porém, o centro histórico é excepção. Vale a pena passear pela avenida que termina na Duomo, onde se podem observar vários monumentos interessantes e um ambiente muito agradável.




7º Dia

No último dia, queríamos apenas aproveitar a praia, então fomos até uma terra chamada Fondachello, onde ficamos numa praia de pedrinhas muito agradável. Junto ao mar fazia um pequeno declive, onde era possível sentar e sentir o impacto de pequenas ondas nas pernas enquanto se ouvia o chocalhar das pedrinhas. Para não variar, a água era quente e transparente e foi onde passei a maior parte do tempo. Almoçamos no restaurante com vista para o mar e assim terminamos a nossa lua-de-mel, antes de mais um passeio pela baixa de Catania e o regresso ao aeroporto de Palermo.



Além das excelentes praias e paisagens, a gastronomia é muito saborosa. Os salami, queijos, massas e petiscos e claro, os gelados! Nas gelatarias de fabrico próprio são deliciosos!






As pessoas são muito prestáveis e simpáticas, sempre prontas a ajudar. Esforçam-se por compreender, ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, e se for preciso falarem meio italiano, com francês e inglês para se explicarem, não se fazem de rogados.
Para quem alugar um carro na visita à ilha (melhor opção), atenção ao trânsito dentro das cidades. Faixas ocupadas com vários carros, desrespeito dos sinais e scooters ziguezagueando são constantes. Nas passadeiras é preciso cuidado, porque o trânsito não pára, apenas vai abrandando enquanto se vai passando a estrada. Curiosamente, em nove dias de condução e depois de muitos quilómetros, não assisti a nenhum acidente.

Arrivederci









Saturday, June 15, 2013

Um Por Todos, É Apenas Um

Como cidadão atento, não deixo de me interessar e demonstrar preocupação com alguns assuntos que têm vindo a público, com maior ou menor clarividência, referentes ao estado de governação interesseira no nosso país.
Recentemente, tivemos conhecimento através de declarações do próprio Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que quando o seu anterior secretário de estado da energia saiu, teve um dos principais presidentes das produtoras de energia eléctrica em Portugal a telefonar para várias pessoas, a celebrar com champanhe.
A pessoa em causa é o Sr. ex - secretário de estado Henrique Gomes. Parece que este senhor realmente queria governar com imparcialidade e justiça, defendendo os reais interesses do estado, motivo pelo qual foi prontamente "encostado". Em suma, Henrique Gomes provou que se andam a pagar à conta do estado, rendas excessivas e insustentáveis à EDP. Apesar da EDP ter um volume de negócios bastante superior lá fora do que em Portugal, a verdade é que o mercado português é o mais rentável, visto que as rendas atingem valores absurdos em comparação a outros países em que a EDP tem negócios.
Só para terem uma ideia, segundo o relatório de Henrique Gomes, nos Estados Unidos a EDP Renováveis concentra cerca de 38% do seu volume de negócios com uma rentabilidade de 0,6%. Em Portugal a rentabilidade de capitais próprios é de 46%!!! Valores cobrados a todos nós de forma ilegal.
Quando o próprio Ministro da Economia vem a público afirmar que se festeja com champanhe quando o seu governo não tem capacidade de fazer frente aos grandes grupos económicos, torna-se claro que não são as pessoas que geram governação, mas sim um sistema complexo e muito bem montado que impossibilita alternativas de combate ao lóbi em prol dos interesses maiores do estado. Ou seja, o estado é uma espécie de peixe grande que se alimenta dos peixes pequenos e que à posteriori serve de refeição aos grandes tubarões.
Ao ter conhecimento destes factos, como cidadão, sinto-me um lixo. Afinal a S&P tem razão. Não consigo encaixar a ideia de cada vez existirem mais dificuldades, de cada vez exigirem mais sacrifícios alegando motivos excepcionais que levam a medidas extremas. Mas para quem tem o poder, o verdadeiro poder, tais medidas revelam-se de excepção, mas para o seu não cumprimento.



Tuesday, April 09, 2013

O Antes e o Agora da Europa em 2017


As dívidas começaram a vir ao de cima, passados anos de sustento de negócios ruinosos que eram orquestrados por debaixo da mesa sem o conhecimento da população geral. O Estado financiava grupos de poder privados e acarretava com os custos.
As negociatas desenvolveram-se e descontrolaram-se de tal forma que o dinheiro acabou. A Europa entrou em recessão.
O Estado cortou na sua despesa direccionada à população, aumentou os impostos e cortou nos ordenados. Empresas faliram, o desemprego aumentou a um ritmo avassalador, as progressões congelaram e os produtos de consumo tiveram aumentos abismais.
Milhares de pessoas entregam as casas aos bancos, e outras tantas são obrigadas a fazê-lo. A economia estagnou. Não há produção, não há emprego. Fazem-se pedidos de resgate, e recorre-se à austeridade para pagar juros de juros de empréstimo.
A situação foi-se tornando insustentável, alimentada pela revolta e manifestações da população querendo justiça e melhores condições de vida.
As Nações que mantiveram a sua economia equilibrada, não se revêem nas que se afundam em pedidos de ajuda. A Europa separou-se e instalou-se uma relação de afastamento e indiferença entre as Nações que lembra o clima de “Guerra-fria”. As moedas fortes reclamaram independência e o Euro colapsou.
As fronteiras foram praticamente fechadas, as trocas comerciais estagnaram desrespeitando as regras anteriormente instituídas. A fome começa a pairar sobre os países endividados, bem como um conflito entre nações.
Espanha, França, Itália, Portugal, Chipre e Grécia, ficaram sem dinheiro, os postos de trabalho decaíram 50% com cortes salariais e os funcionários públicos sobrevivem com ordenados em atraso e incertos. A população migrou para o interior em busca de agricultura sustentável como meio de sobrevivência. Muitas viviam na rua enquanto milhares de habitações se encontravam vazias por falta de pagamento. As políticas sociais praticamente desapareceram.
As pessoas entraram em pânico, vendendo tudo o que tinham e tentando retirar o dinheiro dos bancos. Os mesmos que reclamavam junto dos seus credores o pagamento de dívidas, fechando as portas e declarando falência. Todas as poupanças de uma vida ficavam perdidas.
Sem empréstimos disponíveis as empresas fecharam, empregos desapareceram e em poucos meses não havia dinheiro nas casas de famílias. Milhares de pessoas envergonhadas faziam filas nas ruas por uma sopa quente e um pão para dividir pelos filhos.
Os líderes políticos insistiam que a situação era passageira, mas a contestação social aumentou de volume e sérios confrontos se repetiam por toda a Europa.
Centenas de bairros de lata cresceram pelas principais capitais, numa luta desesperada de milhares de famílias por um lar.
A Europa continua a viver da especulação e decisões/interesses de uma minoria abastada.
No entanto, no último trimestre observou-se uma ligeira recuperação económica, que pode significar o renascer de uma nova esperança.


In Diário da Europa,
10 de Junho de 2017

Thursday, March 14, 2013

BTL - Uma Visita Frustrada

Ando a planear uma grande viagem pela Ásia e estou na fase de consultas de programas e comparações de preços. Por esse motivo resolvi dar uma vista de olhos pela BTL Feira Internacional de Turismo na FIL no passado dia 3 de Março.
A expectativa era alta, com a publicitação de grandes descontos em viagens para o público geral em campanhas televisivas.
O espaço em si estava bem organizado e apelativo, principalmente o pavilhão direccionado aos destinos do nosso maravilhoso Portugal estava muito bem conseguido e com toques de originalidade na promoção muito interessantes.
Mas o meu objectivo era sondar destinos e valores referentes ao tipo de viagem que pretendo.
De todas as agências de viagens que contactei (e creio que foram todas) apenas uma se predispôs a me apresentar um destino concreto com um orçamento concreto e com desconto BTL. Todas as outras limitaram-se a ouvir e a ficar com contactos para apresentar uma proposta e orçamento mais tarde.
Quando contactei a última agência, não resisti em perguntar algo que até aquele momento não estava de todo a compreender. Qual era a vantagem de visitar a BTL, porque ainda não me tinha sido apresentada qualquer mais valia relativamente a uma qualquer outra busca referente a viagens.
A senhora de uma forma muito simpática afirmou-me que realmente a publicidade e a mensagem que passa  por parte da BTL pode induzir ao erro, porque aquela não era exactamente uma feira de promoções de viagens e que muitas pessoas vão em busca disso mesmo.
Em suma, até hoje estou à espera dos contactos que me foram prometidos. Acabei por perder uma tarde e gastar o valor de dois bilhetes para trazer um saco cheio de folhetos e catálogos.
Fiquei frustrado!
Se quisesse pesquisar contactos, ter acesso a campanhas standard e requisitar informações sobre viagens poderia muito bem fazê-lo aqui mesmo, no meu computador, sem sair de casa.
No próximo ano terão um visitante a menos.

Thursday, February 21, 2013

Grândola de Boca em Boca Não Está Morena, Está Preta

Nos últimos tempos a canção de José Afonso tem ecoado na Assembleia da República, nas escolas, em auditórios e tem literalmente calado os Sr.s Ministros representantes do actual Governo.
Não é que concorde ou discorde, pois vendo bem a coisa, um grupo de pessoas utiliza uma canção que promove a Democracia para impedir outros de exercer o seu direito democrático.
No entanto, acredito que o cerne da questão está em tentar perceber os motivos que levam a estes acontecimentos.
Não acredito que as pessoas o façam apenas por carolice, mas talvez porque sentem uma necessidade enorme de contrariar o rumo das coisas fazendo-se ouvir. E este foi o caminho que escolheram.
Aliás, eu próprio já ando cansado de "politiquices" à muito tempo. Já não consigo ver os noticiários, carregados de casos de lobbys, favores nada éticos, corrupção e as tão badaladas derrapagens orçamentais. Chega de cinismos!
Enquanto existirem conflitos de interesse entre os que detêm o poder de decisão, por mais que se reclame e por mais que sejam as vozes de protesto, as coisas dificilmente irão mudar. O Sistema está montado e engrenado para não falhar. Pode abrandar em determinadas ocasiões, mas nunca pára e quem pode ganhar com isso está garantido.
Portanto, a solução passa por fazer alterações desde a raiz, e não continuarmos com promessas hipócritas de mudança que mergulham em círculos contínuos sem fim.
Primeiramente, acabem-se com os Partidos Políticos tal como os conhecemos hoje, com ideologias ultrapassadas e desadequadas ao nosso tempo. Quem governa, está sujeito a normas externas, e sendo de direita, esquerda ou centro, acabam por fazer algo semelhante, diferindo apenas no propósito de que o que vem a seguir não seja tão mau como o anterior. De uma forma ou de outra, os seus membros saem sempre beneficiados, normalmente sob condições no mínimo duvidosas.
Portanto, em alternativa, proponho um modelo de governação diferente do habitual. A criação de uma equipa  liderada por figuras com experiência comprovada nas várias áreas tuteladas pela Governação.
Não consigo compreender, como é possível termos Ministros da Agricultura e Pescas que não sabem o que é um tractor ou um barco. Ministros da Segurança que não fazem ideia do que é o dia a dia dos profissionais da área. Ministros da cultura que não sabem o que é um teatro. Em suma, não podemos continuar a ter responsáveis máximos em várias áreas, quando os mesmos nunca tiveram qualquer ligação ou experiência relativas à área que tutelam.
As equipas seriam lideradas por elementos referência e de excelência a nível nacional ou internacional na área da saúde, da cultura, da economia, etc. Esses elementos teriam direito ao mesmo vencimento que recebiam nas suas anteriores actividades profissionais. A única diferença é que trabalhariam em prol do País. Os elementos das suas equipas seriam escolhidos e orientados por esses líderes. Deveriam ser da sua confiança e com experiência comprovada no terreno. Essas equipas teriam a responsabilidade de propor alternativas que visassem o melhoramento da produtividade e modelos de governação do País. Sem quaisquer responsabilidades partidárias, ou interesses lobbystas. Apenas gerir o País como se de uma empresa se tratasse, tendo em consideração o factor mais importante desta equação: as pessoas e o seu bem estar.
Estas equipas seriam responsáveis por apresentar propostas e relatórios periódicos ao Presidente da República que teria a responsabilidade de tomar as decisões definitivas, tendo em consideração os seus conselhos. Sim, queremos um Presidente da República interventivo e sábio nas suas decisões sobre o País. Não apenas uma figura que serve para discursar textos preparados pelos seus acessores.
A ideia base seria gerir o País de forma isenta, com pessoas responsáveis e experientes nas várias áreas, em que tudo fosse pormenorizadamente reportado, onde houvesse discussão de ideias e criticas construtivas, sem interesses de opinião pública e manobras políticas duvidosas. Em suma, o País gerido de forma competente como empresa, tendo como prioridades máximas os seus interesses em detrimento de terceiros, a justiça social e a qualidade de vida da população.



Friday, January 25, 2013

Mas Porquê Pepa? Porquê?

Estamos perto do final do mês de Janeiro e confesso que ainda não consegui encontrar um pingo de inspiração para partilhar algo de interessante.
A crise, qual carrasco, está presente todos os dias, e já se tornou numa espécie de vírus contagioso presente em quase todas as conversas. Conversar, reflectir ou sonhar, é sinónimo de uma valente gripe intelectual.
No entanto, aconteceram algumas coisas de que quase vale a pena (não) falar.
Comecemos pela Pepa Xavier. Um vulgar nome como tantos outros - ok, Pepa é invulgar e faz lembrar nome de caniche, mas não esqueçamos que o Benfica já teve um jogador de nome Pepa, lembram-se? - que passou de desconhecido para cair nas bocas do mundo pelos piores motivos.
Como costumo andar distraído no que diz respeito a estes pseudo especialistas de modas, fiquei surpreedendido com o alarido que se criou à volta do spot publicitário onde participou a dita senhora. Depois de tantos blogs, críticas facebookianas, e até entrevistas televisivas, lá resolvi matar a curiosidade e dar uma vista de olhos pelo vídeo da polémica. No final cheguei a uma simples conclusão... Mas porque raio é que sequer se começou a falar nisto??!!
Assisti a uma jovem, de perfil fútil, manias e expressões estranhas e com uns desejos que fez confusão a muita gente, mas que para mim são perfeitamente legítimos, desde que tenha dinheiro para os pagar. O item em questão: a mala Chanel.
Primeiro ponto, muitos ficaram a saber que Chanel se escreve com um "n" e não com dois. Esta senhora prestou um autêntico serviço público! Segundo ponto, o objectivo da Samsung saiu furado, pois o protagonismo acabou por cair em cima da Pepa e da Chanel. Por fim, toda esta reacção crítica em massa, faz-me ver que realmente, em certos aspectos, somos muito pequeninos.
Por falar em pequeninos, faço uma breve passagem pela Casa dos Segredos 4. Certo dia aconteceu o momento mais degradante a que assisti na televisão portuguesa. Foram ditos cerca de 1785 palavrões em directo, quase em horário nobre, por razões que ainda hoje me são incompreensíveis. E estas pessoas têm fãs!!! Em evidência esteve um ser de nome "Fanny" que gastou 90% do vocabulário mais sujo que existe na Língua Portuguesa. Desconhecia que alguém com 1,50m de altura por 1,50m de largura pudesse conter no interior tantos resíduos. Como disse o grande (literalmente) Bruno Nogueira, Deus quando criou a Fanny e a lançou para a Terra, esqueceu-se de lhe por uma laranja na boca. Aliás, para os participantes do citado programa, Deus precisava de um enorme laranjal, para fazer face às necessidades que lhe foram apresentadas.
A verdade é que eu assisti, a uma parte do programa que ninguém vê. Todos ouvem falar, ou fazem zapping, ou vêm nas revistas e todos comentam o que se passa, mas muito poucos assumem que vêem o programa.
O Português é certinho, fá-lo pela calada.

Friday, November 02, 2012

Sonho de Papel

"O seu sonho de adolescente - melhorar o mundo, contribuir para uma sociedade mais segura e mais justa, ser promovido, lutar por um cargo no Ministério da Justiça, dar à mulher e aos filhos uma vida mais confortável, colaborar na mudança da maneira como são vistos os agentes da ordem, mostrando que ainda existem polícias honestos, termina sempre na mesma palavra.
Papel."




in O Vencedor Está Só - Paulo Coelho

Monday, September 10, 2012

Eu quero, posso e mando... Neste meu Portugalinho.


Confesso que me incomodou utilizar o diminutivo do meu país no título desta publicação, mas face à situação grotesca que vos irei descrever, creio que se adequa perfeitamente.

Partilho convosco a história de um homem que se encontrava à porta de um supermercado a fazer o seu trabalho. De quando em vez, deslocava-se junto dos automobilistas que estacionavam na faixa de rodagem, quando existiam bem próximo lugares de estacionamento vagos. Por vezes bloqueavam esses mesmos estacionamentos. O intuito era sensibilizar as pessoas a estacionarem correctamente, facto que foi acatado por todos. Mas houve uma excepção.

- A senhora está mal estacionada, se não se importa tem aqui ao lado um lugar vago.
Ignorando completamente o que lhe foi dito, a senhora sai do carro em modo de arrogância on e remata.
- Eu sei, são só dois minutos. Vou ao supermercado.
- Então é o tempo que preciso para lhe passar uma multa.

A acompanhante da senhora, prontamente afia as facas, com o ego nas nuvens e uma prepotência desmesurada, dirige-se ao Agente.
- Eu sou Magistrada do Ministério Público! O que pensa que está a fazer?
Grita a senhora em plenos pulmões do outro lado da rua, originando um aparato entre todos os presentes.
-Você deve ser novo aqui. Os seus colegas todos conhecem-me, quem pensa você que é para estar a fazer isto?
- Desculpe, eu não a conheço mas se calhar é esse o problema. Pensar que pode fazer tudo o que lhe apetece. – Responde o rapaz, perplexo com o escândalo que se estava a desencadear.
- Eu quero a sua identificação! Vou apresentar queixa de si!
O Agente fornece-lhe a identificação, tranquilo e seguro do que estava a fazer.
Entretanto a senhora suposta Magistrada pega no seu telemóvel para fazer uma chamada.
- Estou (dirigindo-se por “tu” a um Oficial de Polícia). Está aqui um rapazinho… Chama lá os teus meninos para virem aqui resolver a situação.
Os “meninos” foram chamados, mas face à aparente demora, a senhora volta a dar uso ao seu aparelho electrónico e ao seu estatuto.
- Estou. Ainda estou à espera do Carro Patrulha. Nunca mais chegam?

Um senhor que ali se encontrava, tendo sido ele próprio aconselhado, momentos antes, a estacionar devidamente a sua viatura, ao assistir indignado a tal espectáculo, resolveu aproximar-se.
- Sr. Agente, desculpe lá estar a meter-me. Mas se quiser pode ficar com a minha identificação para ser sua testemunha. É que esta mulher deve estar a pensar que manda nesta merda toda para estar a falar desta maneira.

Entretanto, a senhora parece ter começado a cair em si, e resolve fazer mais uma chamadinha “máfia russa” dizendo que afinal já não era necessária a presença do Carro Patrulha.
Mas continua…
- Isto agora fica por aqui. Nem vou apresentar queixa de si, senão arranjava-lhe uma carga de trabalhos.
Preparava-se para partir junto com a sua acompanhante, quando o Agente voltou a dirigir-se a ela.
- Não, agora vai esperar um pouco porque eu também quero a sua identificação.
- O quê? Eu não dou identificação nenhuma. Eu só tenho que me identificar perante um superior seu.
- Pois, mas eu não a conheço de lado nenhum. A Sr.ª diz que é Procuradora mas eu não sei se corresponde à verdade. Sou Agente da Autoridade e já me identifiquei. Tenho o direito de lhe requerer a identificação e como deve saber, se recusar está a incorrer num crime.
- Olhe que ela é sua patroa. (Contribui a condutora com precioso comentário).
- Eu sou sua superior e só tenho que responder perante os seus superiores.
- Não, (volta o Agente a elucidar a senhora) o meu superior é o Comandante da minha Esquadra e é a ele que tenho que prestar contas.
O Agente mantendo sempre uma postura de calma e respeito face às adversidades do circo montado, profere as últimas palavras à senhora.
- Sabe, eu sou Polícia mas quando estou fora de serviço, não ando por aí a identificar-me e a usar a profissão para benefício próprio. Já a senhora, usou e abusou do seu cargo para me tentar condicionar a fazer o meu trabalho, originando este espectáculo sem necessidade nenhuma.
A senhora formada, mas aparentemente com pouca formação, acabou por admitir que talvez tenha “exagerado um pouco” e abandonou o local.
Veio-se a verificar que a senhora era efectivamente aquilo que dizia ser.
Por enquanto, a situação ficou resolvida.

Como nota final de reflexão, é muito desapontante assistir ou ter conhecimento de situações como esta ou semelhantes. Cada vez mais torna-se notório, de que canudos académicos e estatutos profissionais não são sinónimo de educação e boa formação.

Em países civilizados, como por exemplo no Canadá, qualquer forma de descriminação, menosprezo, ou comportamentos de superioridade de um ser humano sobre outro ser humano, sejam eles relacionados com etnia, classe social ou profissional é altamente censurável. A título elucidativo, se um Magistrado se dirigisse a um varredor de ruas, sem o devido respeito, abusando do seu estatuto e lhe pedisse de forma menos própria para varrer a entrada da sua casa e se esta situação chegasse a conhecimento público, esse senhor iria com certeza deparar-se com muitos problemas.
Mas neste País, dos “baixa calcinhas”, quem pode manda e faz o que quer. Aparentemente, se estes senhores da sociedade espirram o Mundo treme…
O respeito, a educação e os bons valores não se compram. Quem acredita que sim são os idiotas e os ignorantes. Os que pertencem a essa classe elitista (e ainda bem que a é) que o sejam entrem eles e sejam felizes. E que sempre que pretendam abusar do seu estatuto, embrulhem uma resposta à altura e se apercebam que o Mundo não é só deles.


P.S – Esta história é ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Monday, May 14, 2012

Informação Útil de (Pouco) Conhecimento Público

Recentemente desloquei-me a Lisboa utilizando os transportes públicos. Como tal, adquiri um cartão Viva Viagem para poder validar a passagem.

Já há algum tempo que me questiono, porque sou obrigado a comprar um cartão que acrescenta 0.50e ao preço das viagens. Se o objectivo é facilitar a vida dos utilizadores, por vezes isso simplesmente não acontece.

Ora na minha deslocação a Lisboa adquiri um bilhete de ida e volta no comboio Fertagus. Posteriormente, necessitei de viajar no Metro, logo, tive que adquirir outro cartão, porque estes cartões não acumulam viagens relativas a meios de transporte diferentes, se uma se encontrar pendente. No final já gastei 1 euro a mais do custo das viagens.

O que muita gente não sabe é que estes cartões podem ser devolvidos e o dinheiro restituído. Essa informação existe, mas convenientemente não se encontra acessível ao conhecimento geral. Em primeiro lugar deveria encontrar-se explanada no próprio cartão, onde apenas se lê “Consulte as condições gerais de utilização do cartão e dos títulos de transportes, disponíveis nos Operadores aderentes.”

Estes Operadores reservam para si a devolução dos cartões, ou seja, só podem devolver um cartão à mesma empresa onde o compraram. Por exemplo, se adquiriram um cartão no Metro, só o podem devolver no Metro. Para além disso, existe um prazo de 5 dias par ao efeito, conforme consta em informação mais detalhada, como exemplo, no site da Metro Lisboa em http://www.metrolisboa.pt/informacao/viajar-no-metro/viva-viagem7-colinas/

“Para os clientes que não pretendam reutilizar o cartão, o valor do mesmo é reembolsável nos seguintes termos:
– o cartão tem de se encontrar em bom estado de conservação, ter sido adquirido no Metro com uma antecedência máxima de 5 dias, carregado com bilhetes viagem metro e contra a apresentação do respectivo comprovativo de compra.
Saiba aqui onde fazer a retoma do seu cartão.”

Para o utilizador casual, turistas, etc, este sistema origina um acréscimo no preço da viagem e não se revela prático no processo de retoma. Ou seja, as pessoas pagam, não questionam e a empresa agradece o “donativo”.

Apenas se pretende alertar para a quantidade de cartões que nos são impingidos encarecendo consideravelmente o preço das viagens. A grande maioria das pessoas desconhece totalmente esta informação e vai acumulando cartões na carteira ou simplesmente deitam-nos fora. Imaginem quanto não lucram estas empresas com esta forma de aquisição de bilhetes. Olhem para o exemplo de cada um de vós e reflictam: quanto já gastei eu a mais à conta deste sistema de aquisição de cartões?

Friday, January 06, 2012

Auto de Denúncia do estado do País

O presente texto pretende elucidar os leitores sobre as linhas que traçam o estado da governação em Portugal. Fica exemplificado de que forma a corrupção e interesses vários têm deixado a nossa Nação na lama. Se isto não conduz à revolta, o que conduzirá?


- Em Portugal a política tornou-se numa mega central de negócios. Em 10 anos descemos 10 lugares na lista de Países menos corruptos.
- A principal finalidade dos partidos políticos é tomar conta do governo para tomar conta do orçamento.

- Muitos sujeitos chegaram a Lisboa à 15 ou 20 anos com uma mala e fato no corpo e de repente, vemo-los a viverem de uma forma completamente desconforme com aquilo que eles foram e por azar ou por sorte, passaram pela política.


Exemplificando:

- As pessoas que mandam na defesa do País desde os últimos anos provêm todos do mesmo escritório de advogados.

- Na Comissão Parlamentar que acompanha as negociações com a Troika, as pessoas com mais relevância estão ligadas à banca e às privatizações.

- Em Espanha encontram-se presos 320 autarcas. Em Portugal 0. Quando aparece alguém com mais independência é pressionado e despachado.


Caso BPN:

- Tudo o que mexe com o BPN em Portugal está contaminado. Foi feito na sua origem por políticos numa época de perdões fiscais nos primeiros governos de Cavaco Silva.

- A SLN (Sociedade Lusa de Negócios) criada na mesma altura, é constituída por privados, que quando ficam “no osso”, passa para o Estado que fica com os prejuízos e volta a entregar limpinho aos privados.
- A história do BPN é das histórias mais tristes da Democracia Portuguesa.

- Grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos. Os Planos Directores Municipais (PDM) muitas vezes são alterados a pedido.


Vejamos:

- Alguém com influência política compra um terreno a um pobre agricultor com classificação de solo agrícola. Com a conivência do Governo, ou da Câmara, consegue alterar a classificação do solo para urbanizável. Um terreno que valia 10 mil euros passa a valer de repente 100 mil.

- Esta é uma prática generalizada ao nível do país. A excepção é o contrário.

- As alterações aos PDM´s raramente são efectuadas em função do interesse colectivo. São arbitragens das entidades administrativas que vão gerindo as suas influências, em que quem ganha são as pessoas que compram os terrenos e financiam os partidos.

- Só há dois negócios que geram margens de lucro desta dimensão em Portugal: o Urbanismo de Ordenamento do Território e o tráfico de droga.

- Os terrenos quando são avaliados desta forma geram ganhos através de empreendimentos imobiliários, ou mesmo que não se façam, vão à banca buscar financiamento sobre 1000 para um terreno que efectivamente valia 100.

- As imparidades na banca em Portugal têm a ver com negócios deste género. Os bancos fizeram empréstimos a pessoas com valorizações de terrenos indevidos. Os próprios bancos são cúmplices desta situação. (Veja-se o caso do BPN).


A contribuição da legislação:

- A maioria da legislação que tem incidência económica de grande relevância é muito confusa deliberadamente. É propositadamente feita de forma a que ninguém a perceba, de preferência, e contém muitas excepções.

- As leis são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país. Isto permite que ganhem milhares de euros pela elaboração das leis e depois, como as leis são pouco claras, passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles próprios fizeram e voltam a ganhar milhares de euros. Posteriormente, são estes mesmos escritórios de advogados que vendem a privados os alçapões que eles próprios introduziram na lei.

- Estas leis pouco claras, permitem que quem chegue à política tenha a possibilidade de autorizar valorizações de terrenos e decidir quem e quanto podem ganhar.


Desvios orçamentais:

- Na Administração Pública não pode haver desvios na despesa, na medida em que um orçamento funciona como autorização de despesa. No entanto, no nosso país assistimos ao fenómeno de desvio na despesa.

- Isto acontece porque encomendam-se obras públicas sem a respectiva cabimentação orçamental. Nos termos da responsabilidade dos políticos, o político deve de imediato perder o mandato e ter responsabilidades criminais.

- Tanto na classe política como no Tribunal de Contas onde existe um responsável do próprio Ministério Público e que teriam que actuar imediatamente, não se verificou qualquer esclarecimento ou incriminação de quem, através de documento, contratou obras não cabimentadas.

- As obras chegam a custar 7 vezes o orçamentado, 3 vezes é vulgaríssimo.


Financiamento partidário:

- O financiamento partidário é um negócio que agrada a toda a gente. Os partidos passam a ter dinheiro para as suas actividades, através de angariadores que têm uma comissão de angariação de financiamento partidário na ordem dos 40%.

- Estes senhores são conhecidos nos partidos como “Homens da Mala”. Deslocam-se junto dos privados buscar dinheiro para os partidos e ficam com a sua parte do bolo.

- Mas os verdadeiros beneficiados são os que financiam os partidos. Dão 100 mil euros a um partido, e depois só num negócio de um terreno que valia 100 mil, valorizam para 1 milhão. O ganho líquido só neste negócio é de 800 mil euros.


Assim surgem as parcerias Público Privadas:

- O princípio máximo das PPP´s é garantir os lucros para os privados e se houver prejuízo o Estado paga.

- Por exemplo em 2010 (já em plena crise) relativamente às SCUT´s, foi alterada a legislação, o que garantiu que os concessionários seriam pagos não em função do tráfego, mas em função da “Taxa de Disponibilidade Diária”, ou seja, basta que a auto-estrada esteja lá para garantir aos concessionários rentabilidades na ordem dos 15% ano, mesmo que não passe lá carro nenhum. Este custo é somado ao investimento do Estado que por sua vez já é caro.

- São estas empresas que financiam os partidos e têm nos seus concelhos de administração pessoas que estão simultaneamente nas direcções dos partidos.


Continuando:

- No momento em que se negociaram estas PPP´s, na legislatura anterior, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, constituída por cerca de 12 pessoas, 6 eram administradores de empresas públicas e simultaneamente deputados.

- Prevê-se que durante 10/15 anos estas PPP´s vão custar ao país cerca de 1500 milhões de euros/ano.

- A renegociação das PPP´s é uma das exigências do Memorando de Entendimento com a Troika e até agora ainda não se fizeram nem se tem conhecimento de qualquer explicação.


Reflectindo:

- A desgraça a que o país foi conduzido tem muito a ver com estas negociatas e falcatruas.

- Nós não vamos empregar os desempregados que temos. Nada se está a fazer na economia ocidental para que isso aconteça.

- Vamos assistir à sobrevivência de uma classe que vive à custa alheia, através de traficâncias deste género, a par de uma sociedade com um futuro completamente enegrecido.

- A corrupção está na origem de uma parte da crise e está também na base que levou à queda do regime anterior.

(Assim se percebe a necessidade de cortes nos salários e pensões)



Adaptado de “Olhos nos Olhos – Dr. Paulo Morais e Dr. Medina Carreira.


Friday, June 10, 2011

Passeio por Sintra

Hoje resolvi dar um passeio por Sintra, e como sempre faço quando vou a qualquer lado que não conheço, faço umas pesquisas para saber o que visitar, onde comer, etc.
Procurando através da Internet, cheguei à conclusão de que iria almoçar a um local chamado de “Adega do Saloio”. Segundo várias opiniões, um local onde se come boa comida tradicional a baixo custo e onde se preza a qualidade “sem pretensões ao estrelato”.
De decoração rústica, o restaurante em si é bastante simpático e acolhedor. Já o mesmo não se pode dizer do empregado, que de 0 a 10 em simpatia, no máximo, atribuo um -1.
Quanto ao atendimento, foi notória a preferência por clientela mais velha e “da casa” a quem era prestado um serviço bem mais atencioso do que o que me foi prestado.
Na altura de escolher o prato, decidi-me por secretos de porco preto grelhados e a minha companhia decidiu-se por espetadas à Bruxelas. Os secretos vêm acompanhados com ervilhas cozidas, o que me deixou surpreendido, e batata frita. A espetada fez-se acompanhar de arroz e batata frita.
Chegada a hora de degustação, os secretos estavam tão salgados que passei o dia a beber água e ainda parece que tenho sal na boca.
No final um pudim de claras saboroso salvou a refeição.
O melhor ficou guardado para o fim. A conta marcava 33,10 euros e parece que em vez de meias doses, comemos doses completas que normalmente até costuma dar para dois. Fiquei a pensar se meia dose de espetada significa servirem metade de uma espetada, mas depois de tirar de esforço educadamente com o empregado, ele com a simpatia que o caracteriza, prontamente me elucidou que afinal tínhamos comido uma dose cada.
Em suma, 33,10 euros por uma refeição a 2 perfeitamente banal, que me deixou descontente e com um gosto amargo de boca e não só.
Fica o desejo de que, numa próxima pesquisa “google”, alguém tenha acesso a este texto e consequentemente a uma outra opinião.

Para quem nunca visitou, aconselho vivamente uma visita à “Quinta da Regaleira”. Um local de paisagens, arquitectura e mistérios, onde se passa uma tarde muito agradável. Pode-se passear, percorrer grutas, visitar palácios, capelas, jardins, entre várias construções antigas.

P.S – Não esquecer uma lanterna para explorar as grutas. Evitam usar a luz do flash milhares de vezes para conseguir ver o caminho no interior, como eu tive que fazer…


Monday, March 14, 2011

Crónica de Uma Geração

Não se fala de outra coisa. Finalmente o povo decidiu sair à rua em massa e demonstrar o seu descontentamento e indignação.
Já muito se disse e escreveu sobre a recentemente manifestação de jovens (e não só) "à rasca", e não há muito mais a acrescentar, a não ser o desejo de que este movimento consiga sensibilizar de alguma forma a classe política completamente alienada dos seus propósitos.
Pessoalmente, penso que a maioria dos Portugueses não se importaria de fazer sacrifícios pelo seu País. Uma excepcional aceitação de cortes de salários, aumentos de impostos e do custo de vida, pois acredito que somos um povo com orgulho na sua Pátria e que tudo faria em nome de uma sociedade mais igual e mais justa.
No entanto, aqueles que nos pedem sacrifícios, são os primeiros a desrespeitarem os pressupostos vitais para a prosperação de uma sociedade justa.
Não podemos aceitar que o despesismo do Estado continue sem regulação, que Gestores Públicos continuem com salários milionários independentemente dos seus resultados, que obras públicas tenham custos 3 ou 4 vezes superiores ao orçamento inicial, que se fale constantemente em crise e que as grandes empresas nacionais tenham facturado dezenas de milhões de euros de lucro, que se concedam subsídios a quem não quer trabalhar e se acomoda nesta "mama" enquanto se corta nos salários de quem desconta, que se encerrem centros de saúde nas zonas interiores, negando-se desta forma o acesso de cuidados básicos a idosos por motivos financeiros. Onde está o Humanismo destes senhores? Onde está o respeito pelos valores elementares?
Continuamos a assistir a uma governação de juros, défices e dívidas, onde se tapam buracos com remendos. Esquecem-se que somos Humanos e tratam-nos como máquinas registadoras.
Com esta situação, muitas entidades empregadoras aproveitam-se do mal dos outros para conseguirem trabalhadores “desesperadamente motivados” que tudo fazem na esperança de encontrarem o seu lugar no mercado de trabalho, enquanto ziguezagueiam por estágios, subsídios de alimentação ou de transporte como remuneração, aquisição de currículo, horas extras, ou que o fazem apenas para não estarem parados. Onde estão as perspectivas de futuro para esta gente? Onde está a ética destas empresas que exploram para benefício próprio?
Por outro lado, esta também é em parte a Geração que designo de "Os pais pagam, os filhos gastam". Felizmente é uma minoria, mas a verdade é que se vêem por aí muitos jovens acomodados à vida de "estudante", perdidos entre festas e modas, à espera do trabalho ideal. É importante ter formação, mas considero igualmente importante saber-se o que é cumprir horários, ter objectivos, trabalhar para poder comprar. Às vezes é preciso fazer primeiro o que não gostamos, enquanto espreitamos uma oportunidade na nossa área de estudos. Não é vergonha para ninguém.
Termino dizendo que estive presente nesta manifestação, embora esteja empregado num sector completamente alheio à minha área de formação académica. Estive nesta e estarei se possível nas próximas, porque mais que o descontentamento de uma Geração, assistimos à indignação de todo um Povo. Somos pacíficos, acomodados, demasiadamente permissivos. Demonstramos as nossas opiniões em conversas de família ou amigos, em casa ou nos cafés. Enquanto dura este impasse, os Portugueses vão acumulando frustrações até atingirem o ponto de saturação. Não há nada mais forte do que um povo indignado a sair à rua, movido por uma causa comum.

Tuesday, February 15, 2011

Vamos jogar às Moções?

É engraçado. O Bloco de Esquerda decide formalizar uma Moção de Censura contra o Governo. E contra o PSD, o maior partido da oposição. Ou seja, dá o dito por não dito.
Um partido que decide deitar abaixo um Governo através de iniciativa própria é de louvar tendo em conta o primordial interesse que se coloca em cima da mesa da Assembleia todos os dias: a actual situação País. No entanto, quando essa iniciativa visa prejudicar outros partidos deitando assim por terra um eventual apoio, a isto eu chamo show off – vamos mostrar trabalho, vamos mostrar que estamos vivos mas sem beneficiar ou prejudicar ninguém. O resultado é uma deprimente novela.
Deprimente também, é o facto de outros partidos da oposição deixarem uma tomada de decisão quanto a esta moção para mais tarde, ou seja – vamos demonstrar que estamos contra o Governo fazendo bluff quanto a uma tomada de decisão, conquistando a opinião pública e no final vamos votar contra, ou abster porque a moção não é séria. Aliás, a Moção é também contra outros partidos da oposição, neste caso o maior. Porque não cada partido formalizar Moções contra todos os outros partidos? O resultado final seria o mesmo, mas tínhamos material político para encher jornais e opinião pública durante todo o ano.
O que me deixa triste, é a Comunicação Social atribuir tanta importância a este spam eleitoral, a estes conflitos de interesse em que cada partido se quer fazer mostrar. Em que cada partido finge ter iniciativas e tomar decisões, mas o principal objectivo, é sempre sair com a sua imagem limpa. Enquanto ninguém se decidir a pôr-se ao trabalho e sujar as mãos, vamo-nos mantendo neste jogo do empurra. O Mundo vai sempre continuar a girar e a família política agradece.

Tuesday, January 04, 2011

Com ou Sem

Ano novo, vida igual.
Sinceramente estou cansado de pensar e de tentar encontrar soluções para problemas. De me enervar com factos notíciosos polémicos. De assistir a tanta incompetência. Tanto negativismo...
Este é o ano do novo acordo ortográfico. Como já devem ter reparado ainda não ado(p)tei o novo modelo de escrita, nem sei se me vou conseguir adaptar tão depressa. A verdade é que impreterivelmente vamos tôdos ficá um pôquinho mais brasileiros, né?
Depois das pérolas "Allgarve" e "Azores"... Prefiro nem continuar, chega de negativismos.
Este será também um ano de recordes no que diz respeito ao preço dos combustíveis.
No entanto, há uma dúvida que me assombra e que torna os meus dias um pouco mais cinzentos.
Assistimos à introdução no mercado de combustíveis sem aditivos com preços bem mais simpáticos que os combustíveis regulares. Muito se tem dito que sem aditivos, as viaturas poderão vir a ter problemas. Verdade seja dita, até ao momento não existem factos que o comprovem. Aliás, já existem marcas que resolveram criar um combustível próprio sem aditivos.
Atendendo ao facto de que sem aditivos conseguimos poupar cerca de 10 cêntimos/litro sem prejudicar os lucros da empresa, eu questiono: Durante quanto tempo fomos nós "enganados" e "obrigados" a usar o combustível convencional mais caro, quando poderia existir uma alternativa?
Quantos milhares/milhões largámos durante anos de mão beijada nos bolsos de "alguém"? Isto porque assistimos a um fenómeno relativamente recente de opção de escolha e segundo estudos noticiados não existem diferenças assinaláveis. Mas ninguém parece realmente interessado em desvendar este mistério. Talvez porque desta forma é satisfatório para todos e em estratégia que ganha não se mexe.
Com ou sem aditivos, com mais ou menos dinheiro, façam o favor de ter um óptimo 2011. De preferência com todos os "pês" e "tês" a que a nossa Língua tem direito.

Thursday, October 28, 2010

"Estamos" em Crise

"A Galp Energia apurou um resultado líquido de 266 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2010, considerando o replacement cost ajustado (RCA), mais 48% do que o lucro apurado em igual período de 2009, anunciou a petrolífera portuguesa esta quinta-feira."

"O BCP terá registado lucros de 224 milhões nos primeiros nove meses do ano, segundo uma 'poll' de seis analistas."

"Estimativas do KBW apontam para que o BES tenha registado lucros de 384 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Banco de investimento diz que acções não estão caras e risco de queda é limitado."

"A ZON Multimédia registou um resultado líquido (ajustado) de 31,6 milhões de euros no final dos primeiros nove meses de 2010, mais 10% do que em igual período do ano anterior, anunciou a empresa que detém a TV Cabo e a Net Cabo."

"O lucro da Portucel terá subido 85% para 134,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, suportado na subida das vendas de papel e dos preços da pasta."

Wednesday, October 13, 2010

Crónica de Uma Juventude Anunciada


Lembro-me de há trinta anos atrás... Gostava de sair com os amigos, cometer algumas loucuras, vestíamos o que estivesse à mão, andávamos na rua, conversávamos, discutíamos, abraçávamos e isso era tudo.
Às vezes tocávamos as estrelas entre música e fumo. Outras vezes reuníamo-nos e reflectíamos sobre o que nos rodeava, sobre as árvores, o capitalismo, o tempo, o concerto passado. Tinhamos tempo para pensar, para partilhar ideias, para ver e para sentir.
Hoje tenho dois filhos. Ambos tentam poupar para poderem ter o melhor telemóvel. Gostam de internet, onde falam sobre tudo. Gostam de sair à noite com as melhores roupas e têm uma obsessão pelos seus cursos. Querem ter um bom emprego. O Luís quer ser arquitecto e a Sofia quer ser empresária. Dizem-lhes que têm de garantir os seus futuros. Devem ter um bom emprego que os deixe bem na vida, para poderem comprar uma casa num sítio agradável e "fugir" desta selva em que nos encontramos. Não vêem as notícias porque são uma seca e quando vêem acreditam em tudo. Não querem pensar no que viram. Apenas se querem despachar e sair rapidamente, onde num café próximo os amigos esperam-nos para conversar sobre o namoro terminado da Joana, o carro novo do Alberto, ou sobre o que a Isabel disse da Cátia.
Será que somos assim tão diferentes?
Às vezes tenho vontade de lhes cortar as gargantas. Não quero mais filhos, nem amigos de filhos. São apenas bonecos.
Foram educados para aceitarem o que lhes dão. Para estarem na moda. Para verem reallity shows e acompanharem-nos diariamente. Para se divertirem, consumirem, seguir tendências criadas por alguém que ninguém sabe.
São parafusos na máquina económica e quando algum salta, é posto de parte e substituído por um novo.
Se lhes perguntarem o que é ter consciência e responsabilidade social, pensam que é o nome de algum videojogo para intelectuais cromos que não sabem "viver a vida".
Continuam a comprar ténis de marca mesmo sabendo que são originários da exploração de asiáticos. A comprar jóias mesmo sabendo que estão banhadas em sangue africano. A seguir "superstars" extravagantes mesmo sabendo que no Mundo ainda se morre de fome.
Tenho vontade de lhes cortar os pescoços. Lentamente de lâmina pouco afiada.
Não votam porque "tásse" melhor na praia, não reinvidicam a não ser que lhes doam os bolsos, não saem à rua porque vão às compras, não conversam porque não vale a pena. Para quê?
Podem não poder mudar nada, mas só o poderem pensar na mudança ou terem consciência do Mundo onde vivem ou poderem fazer escolhas, já é um grande passo.
Estão vazios.
Estes idiotas chanfrados que se vestem e penteiam todos da mesma maneira estão completamente fodidos.
Eu. Eu já sou um cota. Já estou velho e não percebo nada.
Eles esquecem-se que também já fui um jovem. Tinha óculos que me ocupavam a face, calças justas, ía a festivais e dormia onde calhasse, fumava umas e bebia outras.
Um dia mais o meu grupo de amigos e mais tantos outros grupos de amigos, saímos à rua e gritámos Liberdade. E nunca mais fomos os mesmos.

Às vezes apetece-me...