As atitudes e comportamentos no dia a dia dos diferente cidadãos, deviam ser direcionados no sentido da preservação da harmonia e bem estar de todos, dentro da comunidade onde vivem.
Porém, assiste-se a uma crise de valores que me repugna. Somos diariamente contaminados por uma doença altamente contagiosa, e que se propaga descontroladamente, camuflada por uma teoria de retribuição, conforme o provérbio popular português: "Cá se fazem, cá se pagam."
Torna-se urgente encontramos o equilibrio e o respeito pelo próximo nos nossos corações. Ou o mundo tal como o conhecemos entrará em declínio e mergulhará num colapso irreversível.
Monday, May 16, 2016
Tuesday, December 29, 2015
Sushic Pouco Chique
Considerando o título de segundo melhor restaurante de sushi fora do Japão e sendo um grande apreciador de sushi à muitos anos, não poderia deixar de visitar o Suchic em Almada, que conquistou uma reputação invejável à conta da avaliação feita por utilizadores do TripAdvisor. E que melhor altura para o fazer, do que ainda antes do final do ano?
E assim foi. Confesso que ía com as expectativas demasiado elevadas, quando me deparei com o espaço. Apesar de ser simpático e acolhedor, esperava algo mais cativante. No entanto, estava ali para apreciar sushi e não dei grande importância a esse facto.
Quando chegamos recebemos um atendimento personalizado e uma espécie de recepção de boas vindas por parte do staff do restaurante. Até aqui tudo bem, até porque os primeiros pratos chegaram depressa e sim, é bom. Muito bom. A qualidade está lá e é inquestionável, tudo cheira a fresco, com boa apresentação e fica a sensação de uma explosão de sabores dentro da boca em algumas das iguarias que provei. No entanto, não notei uma grande diferença comparativamente a outros espaços que visitei.
Com o passar do tempo aquela que à partida estava a ser uma boa experiência começou a deteriorar-se. A casa encheu-se de clientes e aguardei cerca de 15 minutos para que me dessem novamente a carta para um novo pedido. Fiquei com a sensação de preferência no atendimento às mesas com mais clientes ou que apresentavam ser "clientes da casa" em detrimento dos restantes. Desde o momento em que fiz o pedido até ser servido demorou cerca de meia hora. Reparei que ficou esquecido...
O que também se revelou incomodativo era o número de funcionários relativamente às dimensões do espaço. Era demasiada gente em pé de um lado para o outro revelando alguma desorganização. A certo ponto, um senhor mais velho, bem apresentado, (dava a sensação de ser o proprietário ou gerente) verificava os registos e pressionava os sushimans a fazerem o seu serviço, pegando posteriormente nos pratos e distribuindo pelos funcionários como se estivesse a interferir e dar um "corretivo" no seu serviço. Chegou a dar um encosto numa funcionária, "Deixa estar que eu levo." disse.
Cheguei a um ponto em que toda a minha atenção centrava-se naquele frenesim constante, em vez de tentar sequer apreciar o que me levou a visitar o espaço. O sushi.
No geral, acredito que foi uma experiência a não repetir. Por duas vezes senti vontade de sair porque me senti incomodado com o que estava a presenciar e com o tempo de espera, enquanto outras mesas eram servidas repetidamente. Quanto ao sushi creio que faz juz à fama. Mas como sou da opinião que a comida aprecia-se com todos os sentidos, irei optar por uma alternativa nas próximas sushi experiences.
E assim foi. Confesso que ía com as expectativas demasiado elevadas, quando me deparei com o espaço. Apesar de ser simpático e acolhedor, esperava algo mais cativante. No entanto, estava ali para apreciar sushi e não dei grande importância a esse facto.
Quando chegamos recebemos um atendimento personalizado e uma espécie de recepção de boas vindas por parte do staff do restaurante. Até aqui tudo bem, até porque os primeiros pratos chegaram depressa e sim, é bom. Muito bom. A qualidade está lá e é inquestionável, tudo cheira a fresco, com boa apresentação e fica a sensação de uma explosão de sabores dentro da boca em algumas das iguarias que provei. No entanto, não notei uma grande diferença comparativamente a outros espaços que visitei.
Com o passar do tempo aquela que à partida estava a ser uma boa experiência começou a deteriorar-se. A casa encheu-se de clientes e aguardei cerca de 15 minutos para que me dessem novamente a carta para um novo pedido. Fiquei com a sensação de preferência no atendimento às mesas com mais clientes ou que apresentavam ser "clientes da casa" em detrimento dos restantes. Desde o momento em que fiz o pedido até ser servido demorou cerca de meia hora. Reparei que ficou esquecido...
O que também se revelou incomodativo era o número de funcionários relativamente às dimensões do espaço. Era demasiada gente em pé de um lado para o outro revelando alguma desorganização. A certo ponto, um senhor mais velho, bem apresentado, (dava a sensação de ser o proprietário ou gerente) verificava os registos e pressionava os sushimans a fazerem o seu serviço, pegando posteriormente nos pratos e distribuindo pelos funcionários como se estivesse a interferir e dar um "corretivo" no seu serviço. Chegou a dar um encosto numa funcionária, "Deixa estar que eu levo." disse.
Cheguei a um ponto em que toda a minha atenção centrava-se naquele frenesim constante, em vez de tentar sequer apreciar o que me levou a visitar o espaço. O sushi.
No geral, acredito que foi uma experiência a não repetir. Por duas vezes senti vontade de sair porque me senti incomodado com o que estava a presenciar e com o tempo de espera, enquanto outras mesas eram servidas repetidamente. Quanto ao sushi creio que faz juz à fama. Mas como sou da opinião que a comida aprecia-se com todos os sentidos, irei optar por uma alternativa nas próximas sushi experiences.
Monday, August 10, 2015
A Cura do Dinheiro
Tenho amigos que me dizem que sou o senhor das teorias da conspiração. Por vezes posso parecer exagerado e não ler correctamente nas entrelinhas, embora desconfie que algo esteja por detrás de um acontecimento, uma opinião ou uma decisão que muitas vezes acredito terem segundas intensões. Na maioria das vezes permaneço na ignorância, mas a verdade é que acredito ter um dedinho que adivinha e que me deixa com a pulga atrás da orelha. Basta um olhar, uma palavra descontextualizada, uma expressão facial, ou uma mensagem preparada com o intuito de gerar opinião que não corresponde à realidade. E acredito, claro está, que este tipo de manipulações não existe apenas no nosso dia a dia, mas também à escala mundial.
Em 2013 começamos a ter as primeiras notícias do Ébola (aquela doença de quem já ninguém se lembra mas que matou milhares de pessoas) e o pânico embora aparentemente controlado, instalou-se a um nível assombroso. A maioria das vítimas foram africanos. Aqueles seres escuros que passam dificuldades miseráveis, mas que vivem muito longe, por isso sentimos pena por alguns segundos e depois esquecemo-nos... E que melhor exemplo do que a comunicação social para acentuar esta ideia? Foram dezenas de notícias de aberturas de jornais, de suspeitas da presença do Ébola, nos EUA, na Ásia, na Europa. Qualquer constipação que apresentasse sintomas mais graves, podia ser ébola e isso, era notícia. Em África morriam aos milhares, mas poucos se pareciam interessar. Estavam muito longe.
Curioso foi, esta doença que se encontrava extinta, surgir de um dia para o outro em África, e ninguém sabe muito bem como nem porquê. Curioso também, é que no prazo de pouco mais de um ano, surge agora notícia de que foi encontrada uma vacina contra o vírus, 100% eficaz! E que conveniente, lembraram-se de experimentar esta cura milagrosa nos escurinhos que vivem lá muito longe. Dá que pensar, não?
Resumindo. Uma doença mortífera, em situação controlada, propaga-se de repente sem explicação plausível, mata milhares de pessoas na maioria africanos, gera-se um pânico geral, mas não muito, porque quem sofreu foram os pobres coitados que não têm lugar nas notícias, a epidemia é controlada e num espaço de um ano surge uma vacina milagrosa, testada em países Africanos para não ferir suscetibilidades e sensibilizar a opinião pública. E agora?
Quem vai financiar as farmaceuticas para produção e distribuição das vacinas? Quem vai comprar as vacinas? E quem não as poder comprar, irá pedir emprestado e sujeitar-se a uma dívida? Quem serão os credores?
São estas entre outras questões que provavelmente ficarão sem resposta. Mas o meu dedinho que adivinha, diz me que talvez estas mortes não tenham sido em vão. Que talvez esta cura não tenha sido descoberta agora. E que um bem maior, justifica o mal menor. O maior interesse do negócio à escala global das farmacêuticas, e o mal menor que são as vidas dos escurinhos, aqueles que vivem lá longe.
Em 2013 começamos a ter as primeiras notícias do Ébola (aquela doença de quem já ninguém se lembra mas que matou milhares de pessoas) e o pânico embora aparentemente controlado, instalou-se a um nível assombroso. A maioria das vítimas foram africanos. Aqueles seres escuros que passam dificuldades miseráveis, mas que vivem muito longe, por isso sentimos pena por alguns segundos e depois esquecemo-nos... E que melhor exemplo do que a comunicação social para acentuar esta ideia? Foram dezenas de notícias de aberturas de jornais, de suspeitas da presença do Ébola, nos EUA, na Ásia, na Europa. Qualquer constipação que apresentasse sintomas mais graves, podia ser ébola e isso, era notícia. Em África morriam aos milhares, mas poucos se pareciam interessar. Estavam muito longe.
Curioso foi, esta doença que se encontrava extinta, surgir de um dia para o outro em África, e ninguém sabe muito bem como nem porquê. Curioso também, é que no prazo de pouco mais de um ano, surge agora notícia de que foi encontrada uma vacina contra o vírus, 100% eficaz! E que conveniente, lembraram-se de experimentar esta cura milagrosa nos escurinhos que vivem lá muito longe. Dá que pensar, não?
Resumindo. Uma doença mortífera, em situação controlada, propaga-se de repente sem explicação plausível, mata milhares de pessoas na maioria africanos, gera-se um pânico geral, mas não muito, porque quem sofreu foram os pobres coitados que não têm lugar nas notícias, a epidemia é controlada e num espaço de um ano surge uma vacina milagrosa, testada em países Africanos para não ferir suscetibilidades e sensibilizar a opinião pública. E agora?
Quem vai financiar as farmaceuticas para produção e distribuição das vacinas? Quem vai comprar as vacinas? E quem não as poder comprar, irá pedir emprestado e sujeitar-se a uma dívida? Quem serão os credores?
São estas entre outras questões que provavelmente ficarão sem resposta. Mas o meu dedinho que adivinha, diz me que talvez estas mortes não tenham sido em vão. Que talvez esta cura não tenha sido descoberta agora. E que um bem maior, justifica o mal menor. O maior interesse do negócio à escala global das farmacêuticas, e o mal menor que são as vidas dos escurinhos, aqueles que vivem lá longe.
Tuesday, May 19, 2015
Polícias - O Álibi de Uma Sociedade Apodrecida
O Benfica conquistou mais um título Nacional, e como vai sendo habitual nestas ocasiões, milhares de pessoas deslocaram-se ao Marquês de Pombal para as respectivas celebrações. O que muitos não estariam à espera, é que os festejos dessem origem a uma lamentável onda de violência.
Já antes do início do jogo VSC - SLB, existiram alguns confrontos entre adeptos nas imediações do estádio D. Afonso Henriques, no entanto, foi depois do apito final que se deu o episódio que vai dominando a opinião pública nos últimos dias. Uma câmara captou o momento em que um elemento da PSP agrediu aparentemente de forma desproporcional, um adepto benfiquista junto à sua família, onde se encontravam crianças menores. Esta situação originou uma onda de indignação e comentários no mínimo desonrosos por parte de milhares de pessoas para com as Forças de Segurança.
Independentemente de qual tenha sido o comportamento do elemento Policial, o mesmo com certeza terá que ser responsabilizado por isso. O que me custa mais a digerir, é o julgamento mediático em praça pública feito pela comunicação social, onde se crucifica um homem, que apesar dos seus erros, continua a ser um cidadão com direito ao mínimo de respeito e dignidade.
Não querendo de forma alguma encontrar qualquer justificação ou tirar partido sobre o sucedido, eis que surgem imagens de outro episódio lamentável que ocorreu no interior do estádio. Um grupo de pessoas invadiu o armazém do VSC e furtou quase a totalidade dos artigos aí existentes. Mas para surpresa de alguns, onde eu me incluo, as pessoas que aparecem nas imagens, não são os animais violentos pertencentes a claques, ou grupos de arruaceiros com propósitos de caos e destruição. É perfeitamente visível (apesar das faces desfocadas por parte da comunicação social, ao contrário do que fizeram no caso da agressão pela PSP) que os que praticaram o delito são pessoas normais, aparentemente "de bem", dos 8 aos 80 anos, jovens casais, pais e mães de família, avôs, que sorriem, enquanto com toda a calma e descontracção aproveitam-se da situação para levar à borla umas prendinhas lá para casa. Quem não participou, ficou a assistir impávido e sereno aquele cenário desconcertante, sem reagir, nem ao menos censurar o que ali se estava a passar. Aliás, em muitos dos comentários a que assisti, pude ler algumas opiniões do género: "Se eu lá estivesse faria o mesmo".
Voltando ao início do texto, durante a celebração da conquista do título por parte do SLB, um grupo de indivíduos deu origem a uma batalha campal, com arremessos de pedras e garrafas, pondo em perigo milhares de pessoas que ali se encontravam. A PSP reagiu, e embora aparentemente de forma algo descoordenada, o momento mais censurável por parte da comunicação social, foi o gesto obsceno realizado por um elemento dessa Força.
Face a todos estes acontecimentos, e aos elementos a que a comunicação social e por conseguinte a população em geral, dão prioridade para uma opinião critica e censurável, fico extremamente preocupado com o estado da nossa sociedade.
Antes de mais, é preocupante verificar quanto ténue é a linha entre a paz social e o estado de desordem e caos. Vivemos num equilíbrio quase forçado por leis e regras, que se aparentemente não existissem, não teríamos capacidade para coexistir.
Esqueçam a crise económico-financeira. A verdadeira crise dos nossos tempos é a Crise de Valores. Onde as pessoas não olham a meios para conseguir os seus objectivos, não respeitam o próximo, julgam de ânimo leve e não têm ou fingem não ter, capacidade para reconhecer os seus erros.
A comunicação social e opinião pública andam virados do avesso. Neste exemplo específico, julgam um homem em praça pública, divulgam o seu nome, local de trabalho e até a sua morada, talvez não tanto pelo gesto que cometeu mas por aquilo que ele REPRESENTA, e isso é lamentável. O que vende não está correcto, generaliza, e as pessoas gostam de julgar, criticar, atacar de ânimo leve. Consigo encontrar muitas semelhanças entre estes comportamentos sociais de hoje, com os espectáculos de execução pública nos coliseus Romanos de outros tempos.
Recordo mais uma vez que não pretendo com este comentário desculpabilizar ninguém pelos seus actos. Apenas apelo a uma reflexão mais ponderada em torno destes episódios. Não nos podemos alhear do facto, de assistirmos ao roubo consumado em grupo por cidadãos comuns e de episódios de violência gratuita iniciados por indivíduos com instintos animalescos, que se não fosse a intervenção das Forças de Segurança teriam repercussões bem mais graves.
Para terminar, lamento que exista sempre alguém presente para questionar ou pôr em causa as acções das Forças de Segurança, com direito a aparições mediáticas, e que o mesmo não aconteça quando assistem a episódios de furtos, roubos, ou situações de violência por parte de outros cidadãos, como foi o caso. A sociedade não seria muito melhor se fossemos todos um pouco Polícias?
É muito fácil atirar a primeira pedra, mas o que consigo assimilar desta vaga de acontecimentos, é que aqueles que o fazem, normalmente andam carregados com elas às costas.
Já antes do início do jogo VSC - SLB, existiram alguns confrontos entre adeptos nas imediações do estádio D. Afonso Henriques, no entanto, foi depois do apito final que se deu o episódio que vai dominando a opinião pública nos últimos dias. Uma câmara captou o momento em que um elemento da PSP agrediu aparentemente de forma desproporcional, um adepto benfiquista junto à sua família, onde se encontravam crianças menores. Esta situação originou uma onda de indignação e comentários no mínimo desonrosos por parte de milhares de pessoas para com as Forças de Segurança.
Independentemente de qual tenha sido o comportamento do elemento Policial, o mesmo com certeza terá que ser responsabilizado por isso. O que me custa mais a digerir, é o julgamento mediático em praça pública feito pela comunicação social, onde se crucifica um homem, que apesar dos seus erros, continua a ser um cidadão com direito ao mínimo de respeito e dignidade.
Não querendo de forma alguma encontrar qualquer justificação ou tirar partido sobre o sucedido, eis que surgem imagens de outro episódio lamentável que ocorreu no interior do estádio. Um grupo de pessoas invadiu o armazém do VSC e furtou quase a totalidade dos artigos aí existentes. Mas para surpresa de alguns, onde eu me incluo, as pessoas que aparecem nas imagens, não são os animais violentos pertencentes a claques, ou grupos de arruaceiros com propósitos de caos e destruição. É perfeitamente visível (apesar das faces desfocadas por parte da comunicação social, ao contrário do que fizeram no caso da agressão pela PSP) que os que praticaram o delito são pessoas normais, aparentemente "de bem", dos 8 aos 80 anos, jovens casais, pais e mães de família, avôs, que sorriem, enquanto com toda a calma e descontracção aproveitam-se da situação para levar à borla umas prendinhas lá para casa. Quem não participou, ficou a assistir impávido e sereno aquele cenário desconcertante, sem reagir, nem ao menos censurar o que ali se estava a passar. Aliás, em muitos dos comentários a que assisti, pude ler algumas opiniões do género: "Se eu lá estivesse faria o mesmo".
Voltando ao início do texto, durante a celebração da conquista do título por parte do SLB, um grupo de indivíduos deu origem a uma batalha campal, com arremessos de pedras e garrafas, pondo em perigo milhares de pessoas que ali se encontravam. A PSP reagiu, e embora aparentemente de forma algo descoordenada, o momento mais censurável por parte da comunicação social, foi o gesto obsceno realizado por um elemento dessa Força.
Face a todos estes acontecimentos, e aos elementos a que a comunicação social e por conseguinte a população em geral, dão prioridade para uma opinião critica e censurável, fico extremamente preocupado com o estado da nossa sociedade.
Antes de mais, é preocupante verificar quanto ténue é a linha entre a paz social e o estado de desordem e caos. Vivemos num equilíbrio quase forçado por leis e regras, que se aparentemente não existissem, não teríamos capacidade para coexistir.
Esqueçam a crise económico-financeira. A verdadeira crise dos nossos tempos é a Crise de Valores. Onde as pessoas não olham a meios para conseguir os seus objectivos, não respeitam o próximo, julgam de ânimo leve e não têm ou fingem não ter, capacidade para reconhecer os seus erros.
A comunicação social e opinião pública andam virados do avesso. Neste exemplo específico, julgam um homem em praça pública, divulgam o seu nome, local de trabalho e até a sua morada, talvez não tanto pelo gesto que cometeu mas por aquilo que ele REPRESENTA, e isso é lamentável. O que vende não está correcto, generaliza, e as pessoas gostam de julgar, criticar, atacar de ânimo leve. Consigo encontrar muitas semelhanças entre estes comportamentos sociais de hoje, com os espectáculos de execução pública nos coliseus Romanos de outros tempos.
Recordo mais uma vez que não pretendo com este comentário desculpabilizar ninguém pelos seus actos. Apenas apelo a uma reflexão mais ponderada em torno destes episódios. Não nos podemos alhear do facto, de assistirmos ao roubo consumado em grupo por cidadãos comuns e de episódios de violência gratuita iniciados por indivíduos com instintos animalescos, que se não fosse a intervenção das Forças de Segurança teriam repercussões bem mais graves.
Para terminar, lamento que exista sempre alguém presente para questionar ou pôr em causa as acções das Forças de Segurança, com direito a aparições mediáticas, e que o mesmo não aconteça quando assistem a episódios de furtos, roubos, ou situações de violência por parte de outros cidadãos, como foi o caso. A sociedade não seria muito melhor se fossemos todos um pouco Polícias?
É muito fácil atirar a primeira pedra, mas o que consigo assimilar desta vaga de acontecimentos, é que aqueles que o fazem, normalmente andam carregados com elas às costas.
Tuesday, March 31, 2015
Devaneio do Ingénuo
A culpa é tua
De não seres chamado,
Ouvido pelos outros
Acorrentado te encontras
Entre abraços de onças
E camafeus deslumbrantes.
O sonho era teu
Mas o Mundo não deu,
Vigarista de primeira
Perdeu a estribeira
Deu pontapé de perna inteira,
Um real chuto no cú!
Afinal o que és?
O futuro mudou
E o passado já deu,
Rogado e trocado
Por meia dúzia de tostado
Abandonado ao acaso.
Acorda bandido!
Teu ar destemido
Tresloucado e arrependido
Outrora cuspido como tiro no pé.
Deixa-te de indignações,
O meu nome é trabalho e o teu qual é?
Bom dia minha gente
Com ar deficiente
Barrada de cores, postiço e formosura, ui ui...
Acordai para a vida como eu nunca o fiz,
Antes ser algo, por pouco que seja,
Que nem bem, nem mal, nem sombra de meretriz.
Sunday, March 01, 2015
Bem Servido
Como apreciador de boa gastronomia, decidi dar início à rubrica "Bem Servido", onde irei partilhar convosco esporadicamente, entre outras publicações, as minhas experiências como cliente no mundo da restauração, baseando-me acima de tudo, na variedade de cozinhas e sabores.
E para começar, nada melhor que falar de hambúrgueres. Associado a refeições fast-food durante largo tempo, hoje uma refeição de hambúrguer pode-se revelar num momento de puro prazer e degustação de um prato gourmet. E quando surge a possibilidade de se aliar uma refeição de qualidade à terra das minhas origens, então junta-se o útil ao agradável.
No bairro dos Fidalguinhos, algures entre a Baixa da Banheira e o Barreiro, nasceu a "Hamburgueria Fidalgo". Com aproximadamente um ano de existência e uma equipa jovem na frente de batalha, a verdade é que a "Hamburgueria Fidalgo", já conquistou o seu espaço e a sua fama persegue-a "além fronteiras".
O espaço é simpático e acolhedor, as cortinas e atoalhados padrão vermelho e branco dão-lhe um ar tradicional, e o quadro onde constam os menus escritos à mão ganha um lugar de destaque. Mas o clímax revela-se quando o prato chega à mesa. A apresentação revela critério e deixa água na boca, fazendo antever uma experiência agradável e deliciosa. As doses são bem distribuídas, com porções generosas que deixará saciado o maior dos comilões! As batatas fritas caseiras mergulhadas no molho de salsa e alho são o acompanhamento perfeito para um hambúrguer bem confeccionado mergulhado em ingredientes frescos e de qualidade.
Por se encontrar frequentemente com casa cheia, o serviço por vezes torna-se demorado, chegando a ser incómodo o tempo de espera enquanto o cheiro do cozinhado paira no ar e a fome aperta. No entanto, vale a pena esperar por este pequeno pecado, tão cheio de prazer e leve na carteira.
Bom apetite!
Apresentação: 8
Cozinha: 9
Serviço: 7
Localização: 8
Preço: 10
Avaliação: 8.4
E para começar, nada melhor que falar de hambúrgueres. Associado a refeições fast-food durante largo tempo, hoje uma refeição de hambúrguer pode-se revelar num momento de puro prazer e degustação de um prato gourmet. E quando surge a possibilidade de se aliar uma refeição de qualidade à terra das minhas origens, então junta-se o útil ao agradável.
No bairro dos Fidalguinhos, algures entre a Baixa da Banheira e o Barreiro, nasceu a "Hamburgueria Fidalgo". Com aproximadamente um ano de existência e uma equipa jovem na frente de batalha, a verdade é que a "Hamburgueria Fidalgo", já conquistou o seu espaço e a sua fama persegue-a "além fronteiras".
O espaço é simpático e acolhedor, as cortinas e atoalhados padrão vermelho e branco dão-lhe um ar tradicional, e o quadro onde constam os menus escritos à mão ganha um lugar de destaque. Mas o clímax revela-se quando o prato chega à mesa. A apresentação revela critério e deixa água na boca, fazendo antever uma experiência agradável e deliciosa. As doses são bem distribuídas, com porções generosas que deixará saciado o maior dos comilões! As batatas fritas caseiras mergulhadas no molho de salsa e alho são o acompanhamento perfeito para um hambúrguer bem confeccionado mergulhado em ingredientes frescos e de qualidade.
Por se encontrar frequentemente com casa cheia, o serviço por vezes torna-se demorado, chegando a ser incómodo o tempo de espera enquanto o cheiro do cozinhado paira no ar e a fome aperta. No entanto, vale a pena esperar por este pequeno pecado, tão cheio de prazer e leve na carteira.
Bom apetite!
Apresentação: 8
Cozinha: 9
Serviço: 7
Localização: 8
Preço: 10
Avaliação: 8.4
Friday, January 30, 2015
Sócrates. Filósofo ou Impostor?
Sócrates. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental. Um mestre idealista da filosofia antiga. Figura mítica Grega, que levou o seu nome a ser eternizado.
Sócrates. Político socialista Português. Ex-primeiro ministro. Acusado por crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
João Araújo. Advogado de José Sócrates (ou o que dá a cara para os media), referiu numa entrevista televisiva que o grande responsável por o seu cliente estar a passar por esta situação complexa, é ele mesmo. Porque aprovou a lei.
Ou seja, com este tipo de raciocínio podemos calcular como funcionam algumas mentes ligadas ao direito e ao poder governamental. José Sócrates não está preso porque supostamente cometeu crimes de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais. Está preso porque aprovou leis que visam combater esses mesmos crimes. Então qual seria a solução mais lógica? Não cometer este tipo de crimes ou de qualquer outro tipo. Certo? Errado... Segundo a linha de pensamento apresentada por estes senhores de fato e gravata, a resposta consiste em não aprovar leis que combatam os crimes. Assim, na eventualidade de virem a ser responsabilizados, nunca serão punidos, por uma lei que convenientemente não existe.
Sócrates, o José, também perdurará na História. E esperemos que a História nos presentei com mais casos semelhantes, com outros tantos "Sócrates" e adidos da Política nacional e do Mundo.
Como diria o saudoso José Hermano Saraiva, "E esta hein!?"
Sócrates. Político socialista Português. Ex-primeiro ministro. Acusado por crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
João Araújo. Advogado de José Sócrates (ou o que dá a cara para os media), referiu numa entrevista televisiva que o grande responsável por o seu cliente estar a passar por esta situação complexa, é ele mesmo. Porque aprovou a lei.
Ou seja, com este tipo de raciocínio podemos calcular como funcionam algumas mentes ligadas ao direito e ao poder governamental. José Sócrates não está preso porque supostamente cometeu crimes de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais. Está preso porque aprovou leis que visam combater esses mesmos crimes. Então qual seria a solução mais lógica? Não cometer este tipo de crimes ou de qualquer outro tipo. Certo? Errado... Segundo a linha de pensamento apresentada por estes senhores de fato e gravata, a resposta consiste em não aprovar leis que combatam os crimes. Assim, na eventualidade de virem a ser responsabilizados, nunca serão punidos, por uma lei que convenientemente não existe.
Sócrates, o José, também perdurará na História. E esperemos que a História nos presentei com mais casos semelhantes, com outros tantos "Sócrates" e adidos da Política nacional e do Mundo.
Como diria o saudoso José Hermano Saraiva, "E esta hein!?"
Thursday, December 11, 2014
Cidadania Mas Pouco
Em finais do passado mês de Novembro, fomos fustigados com chuvas fortes e ocorrências de algumas cheias um pouco por todo o país. E este foi o estado em que ficou o pavimento da minha área de residência.

Exactamente oito crateras de diâmetro semelhante e profundidade suficiente para originar danos em viaturas ou provocar acidentes. Nos dias de chuva, os buracos ficavam completamente cobertos com água e era impossível vislumbrar as falhas no pavimento.
Durante duas semanas a estrada ficou neste estado, numa rua movimentada, e da minha janela ouvia o som dos pneus que largavam um estrondo quando embatiam nestes buracos. Decidi tirar estas fotografias e comunicar à Junta de Freguesia. Recebi uma resposta passados dois dias, agradecendo o contacto e referindo que o Presidente da Junta se tinha deslocado ao local e dado prioridade ao caso. No dia seguinte os buracos estavam tapados.
Fiquei satisfeito por ter tomado a iniciativa e o problema ter sido resolvido para bem de todos, mas por outro lado preocupado. Preocupa-me a falta de civismo das pessoas e a falta de participação activa na sociedade. Bastou um simples gesto para se resolver a situação, mas imagino as dezenas de pessoas que se lamentaram, criticaram, ou queixaram-se em conversas de café do estado do pavimento. Mas talvez ninguém tenha dado conhecimento a quem de direito. Talvez ninguém tivesse chegado a dar o primeiro passo e as coisas não se resolvem por si, entre lamurias de ocasião.
Também recentemente desloquei-me à estação dos barcos do Barreiro, sob alçada da empresa Soflusa. Na hora de adquirir os ingressos, todas as máquinas tinham a modalidade de pagamento por multibanco inactivas. Na bilheteira fui informado que só aceitariam pagamento por multibanco de valor superior a cinco euros. Tive que me deslocar propositadamente a um multibanco para levantar dinheiro, mas a minha mulher pediu o livro de reclamações. Como é possível que todas as máquinas não estejam a aceitar multibanco e na própria bilheteira não o aceitem como forma de pagamento só porque não atinge o valor que pretendem? Qual a alternativa que me oferecem?
Durante o preenchimento da reclamação pela minha mulher, ouvia o senhor da bilheteira - Não sei para que é isto. Não vai dar em nada. Reparei também que era a primeira reclamação a ser preenchida no livro. Será que nunca ninguém reclamou? Que tudo correu às mil maravilhas? Ou será que não há tempo? Disponibilidade? Vontade de agir? Isso não sei responder. Mas sei que a frase proferida pelo senhor da bilheteira ecoa em milhões de cabeças do nosso país.
Outro exemplo semelhante é a decisão do Pingo Doce em não permitir pagamentos por multibanco em pagamentos inferiores a vinte euros. O motivo é o aumento das comissões por parte dos terminais multibanco. Se bem entendo, uma grande empresa imputa comportamentos (necessidade de levantamentos de dinheiro à priori ou durante a fase de pagamento na própria caixa) e retira meios de pagamento e respectivo conforto aos seus clientes, porque outra empresa aumentou para si os custos. Ora então eu, a quem me tem sido retirado frequentemente capacidade de poder de compra, posso também ter legitimidade para informar o Pingo Doce que irei pagar valor inferior aos preços marcados, porque têm aumentado gradualmente nos últimos tempos. Isto não faz qualquer sentido. Mas continuo a verificar que os clientes continuam a ser clientes e aceitam as mudanças que os prejudicam de ânimo leve. Se assim é, porque não seguem outras empresas os mesmos passos se ninguém reage? Será que não está na eminência de acontecer?
Se ninguém agir e deixarem as reclamações perdidas em desabafos com vizinhos e amigos, aí ninguém tem conhecimento. Ninguém se digna a resolver. Empurram-se responsabilidades e ninguém faz nada.

Exactamente oito crateras de diâmetro semelhante e profundidade suficiente para originar danos em viaturas ou provocar acidentes. Nos dias de chuva, os buracos ficavam completamente cobertos com água e era impossível vislumbrar as falhas no pavimento.
Durante duas semanas a estrada ficou neste estado, numa rua movimentada, e da minha janela ouvia o som dos pneus que largavam um estrondo quando embatiam nestes buracos. Decidi tirar estas fotografias e comunicar à Junta de Freguesia. Recebi uma resposta passados dois dias, agradecendo o contacto e referindo que o Presidente da Junta se tinha deslocado ao local e dado prioridade ao caso. No dia seguinte os buracos estavam tapados.
Fiquei satisfeito por ter tomado a iniciativa e o problema ter sido resolvido para bem de todos, mas por outro lado preocupado. Preocupa-me a falta de civismo das pessoas e a falta de participação activa na sociedade. Bastou um simples gesto para se resolver a situação, mas imagino as dezenas de pessoas que se lamentaram, criticaram, ou queixaram-se em conversas de café do estado do pavimento. Mas talvez ninguém tenha dado conhecimento a quem de direito. Talvez ninguém tivesse chegado a dar o primeiro passo e as coisas não se resolvem por si, entre lamurias de ocasião.
Também recentemente desloquei-me à estação dos barcos do Barreiro, sob alçada da empresa Soflusa. Na hora de adquirir os ingressos, todas as máquinas tinham a modalidade de pagamento por multibanco inactivas. Na bilheteira fui informado que só aceitariam pagamento por multibanco de valor superior a cinco euros. Tive que me deslocar propositadamente a um multibanco para levantar dinheiro, mas a minha mulher pediu o livro de reclamações. Como é possível que todas as máquinas não estejam a aceitar multibanco e na própria bilheteira não o aceitem como forma de pagamento só porque não atinge o valor que pretendem? Qual a alternativa que me oferecem?
Durante o preenchimento da reclamação pela minha mulher, ouvia o senhor da bilheteira - Não sei para que é isto. Não vai dar em nada. Reparei também que era a primeira reclamação a ser preenchida no livro. Será que nunca ninguém reclamou? Que tudo correu às mil maravilhas? Ou será que não há tempo? Disponibilidade? Vontade de agir? Isso não sei responder. Mas sei que a frase proferida pelo senhor da bilheteira ecoa em milhões de cabeças do nosso país.
Outro exemplo semelhante é a decisão do Pingo Doce em não permitir pagamentos por multibanco em pagamentos inferiores a vinte euros. O motivo é o aumento das comissões por parte dos terminais multibanco. Se bem entendo, uma grande empresa imputa comportamentos (necessidade de levantamentos de dinheiro à priori ou durante a fase de pagamento na própria caixa) e retira meios de pagamento e respectivo conforto aos seus clientes, porque outra empresa aumentou para si os custos. Ora então eu, a quem me tem sido retirado frequentemente capacidade de poder de compra, posso também ter legitimidade para informar o Pingo Doce que irei pagar valor inferior aos preços marcados, porque têm aumentado gradualmente nos últimos tempos. Isto não faz qualquer sentido. Mas continuo a verificar que os clientes continuam a ser clientes e aceitam as mudanças que os prejudicam de ânimo leve. Se assim é, porque não seguem outras empresas os mesmos passos se ninguém reage? Será que não está na eminência de acontecer?
Se ninguém agir e deixarem as reclamações perdidas em desabafos com vizinhos e amigos, aí ninguém tem conhecimento. Ninguém se digna a resolver. Empurram-se responsabilidades e ninguém faz nada.
Monday, October 27, 2014
Liga dos Comilões
Caros amigos. Hoje vou falar sobre futebol. Compreendo que alguns de vocês não se interessem e terminem imediatamente com a leitura. Mas também acredito que a outros despertará a curiosidade no que diz respeito à minha opinião sobre este assunto.
Com certeza que muitos dos apreciadores do futebol, já se depararam com a questão das arbitragens prejudiciais a equipas portuguesas na competição denominada Liga dos Campeões. E a verdade, é que nos últimos anos, nos jogos em que estiveram envolvidas equipas portuguesas frente a outras equipas europeias, supostamente mais "fortes", as representantes de Portugal normalmente saem prejudicadas. E este ano não é excepção. Mas também é verdade, que para os mais atentos nesta competição, e que acompanham outros jogos com outras equipas europeias, é curioso constatar que normalmente a decisão do árbitro pende para o elo mais forte. Ou seja, há muitas mais equipas europeias de menor expressão, que sofrem do mesmo mal das portuguesas.
Para que não fique no ar uma teoria da conspiração pouco fundamentada, baseada em opiniões e clubismos, desafio-vos a fazer um pequeno raciocínio. Não é por acaso que a Liga dos Campeões, é também conhecida como Liga dos Milhões. Isto porque, é uma competição que envolve muito dinheiro e claro, onde há dinheiro há interesses. Para lá do que se passa dentro das quatro linhas, existe uma panóplia de entidades envolvidas cujo objectivo é lucrar com este desporto. Desde patrocínios, casas de apostas, direitos televisivos, empresários, intermediários, e no topo da cadeia alimentar, a própria FIFA. E quem move esta máquina de gerar riqueza e alimenta todos os apêndices? Os grandes clubes, como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, etc. Ou seja, quanto mais tempo estas equipas estiverem envolvidas nesta competição com todas as suas estrelas, maior é o número de seguidores e mais dinheiro é gerado. Por isso muitas vezes, não são bem vindas surpresas de outros clubes que ousem intrometer-se numa fase mais avançada da competição.
Vou tomar como exemplo um jogo a que assisti e que de certa forma vai de encontro ao que aqui foi dito. Ludogorets - Real Madrid (e perguntam vocês, Ludo quê??). Exacto, estão a ver onde quero chegar. Esta equipa desconhecida fez frente ao Real Madrid, num passado recente e chegou a assustar os gigantes, chegando mesmo a ter vantagem no jogo. Mas um penalty bastante duvidoso e um golo em que existem dúvidas sobre uma falta atacante, permitiram ao Real dar a volta, entre outros lances que normalmente pendiam a favor dos espanhóis. Se estou a contestar o mérito do Real nesta vitória? Não. Estamos a falar de duas equipas com uma diferença abismal de qualidade. Se acredito que estes dois lances seriam decididos da mesma forma se os papéis se invertessem? Não, absolutamente. É muito mais seguro para um árbitro tomar uma decisão em que no máximo poderá ser contestado por "meia dúzia" de adeptos, do que ter os olhos do mundo em cima de si por falhar num lance em que prejudique um gigante do futebol.
Este é apenas um dos exemplos por que clubes como Benfica e mais recentemente o Sporting passam e tanto se queixam. Não só têm que enfrentar equipas mais poderosas a nível europeu, como têm que ultrapassar o interesse maior, que muitas vezes demonstra a sua influência através de arbitragens. Mas se analisarmos bem o contexto nacional, o mesmo se passa com os três grandes e as restantes equipas. E a verdade desportiva não passa de utopia.
Como diz o outro, " O fair play é uma treta."
Com certeza que muitos dos apreciadores do futebol, já se depararam com a questão das arbitragens prejudiciais a equipas portuguesas na competição denominada Liga dos Campeões. E a verdade, é que nos últimos anos, nos jogos em que estiveram envolvidas equipas portuguesas frente a outras equipas europeias, supostamente mais "fortes", as representantes de Portugal normalmente saem prejudicadas. E este ano não é excepção. Mas também é verdade, que para os mais atentos nesta competição, e que acompanham outros jogos com outras equipas europeias, é curioso constatar que normalmente a decisão do árbitro pende para o elo mais forte. Ou seja, há muitas mais equipas europeias de menor expressão, que sofrem do mesmo mal das portuguesas.
Para que não fique no ar uma teoria da conspiração pouco fundamentada, baseada em opiniões e clubismos, desafio-vos a fazer um pequeno raciocínio. Não é por acaso que a Liga dos Campeões, é também conhecida como Liga dos Milhões. Isto porque, é uma competição que envolve muito dinheiro e claro, onde há dinheiro há interesses. Para lá do que se passa dentro das quatro linhas, existe uma panóplia de entidades envolvidas cujo objectivo é lucrar com este desporto. Desde patrocínios, casas de apostas, direitos televisivos, empresários, intermediários, e no topo da cadeia alimentar, a própria FIFA. E quem move esta máquina de gerar riqueza e alimenta todos os apêndices? Os grandes clubes, como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, etc. Ou seja, quanto mais tempo estas equipas estiverem envolvidas nesta competição com todas as suas estrelas, maior é o número de seguidores e mais dinheiro é gerado. Por isso muitas vezes, não são bem vindas surpresas de outros clubes que ousem intrometer-se numa fase mais avançada da competição.
Vou tomar como exemplo um jogo a que assisti e que de certa forma vai de encontro ao que aqui foi dito. Ludogorets - Real Madrid (e perguntam vocês, Ludo quê??). Exacto, estão a ver onde quero chegar. Esta equipa desconhecida fez frente ao Real Madrid, num passado recente e chegou a assustar os gigantes, chegando mesmo a ter vantagem no jogo. Mas um penalty bastante duvidoso e um golo em que existem dúvidas sobre uma falta atacante, permitiram ao Real dar a volta, entre outros lances que normalmente pendiam a favor dos espanhóis. Se estou a contestar o mérito do Real nesta vitória? Não. Estamos a falar de duas equipas com uma diferença abismal de qualidade. Se acredito que estes dois lances seriam decididos da mesma forma se os papéis se invertessem? Não, absolutamente. É muito mais seguro para um árbitro tomar uma decisão em que no máximo poderá ser contestado por "meia dúzia" de adeptos, do que ter os olhos do mundo em cima de si por falhar num lance em que prejudique um gigante do futebol.
Este é apenas um dos exemplos por que clubes como Benfica e mais recentemente o Sporting passam e tanto se queixam. Não só têm que enfrentar equipas mais poderosas a nível europeu, como têm que ultrapassar o interesse maior, que muitas vezes demonstra a sua influência através de arbitragens. Mas se analisarmos bem o contexto nacional, o mesmo se passa com os três grandes e as restantes equipas. E a verdade desportiva não passa de utopia.
Como diz o outro, " O fair play é uma treta."
Friday, September 26, 2014
Pai, Recomenda-se!
Um ano, um mês e oito dias, foi o tempo que passou desde o último
post de “Um Mundo a Atingir”. Passou muito tempo. Demasiado tempo. A verdade é
que pelo meio sucederam-se alguns percalços, acidentes bons e outros menos
bons, alguma falta de vontade e mais importante de tudo: o nascimento de uma
criança.
Todos ouvimos falar do quanto incrível ser pai, pode ser. Tantas
histórias e experiências partilhadas, que nos fazem imaginar, o que é ser pai. Mas
a verdade, é que enquanto não vivenciamos a experiência in loco, nunca sabemos
o que significa na realidade.
Mas comecemos pelo início.
Quando soube que ía ser pai, vivi um misto de sensações. Por um lado uma alegria imensa, mas por outro alguma apatia e apreensão, porque não fazia ideia do que esperar. Sabia apenas que vinha aí "qualquer coisa" que ía mudar a minha vida por completo. Mas não sabia como...
Ao assistir à primeira ecografia, acordei para as primeiras grandes emoções, do género "Epá, já está ali desenhado. Isto é mesmo a sério!". Até ao nascimento tudo se baseia em cuidados, expectativas, preparação e muita informação à mistura. É uma menina!
No dia 24 de Abril do presente ano a menina decidiu conhecer o mundo. A muito custo, diga-se, mas os pormenores ficam para outra altura.
Os primeiros dias são no mínimo hostis. Um novo ser, de tamanha reduzido, ar engelhado e carrancudo, chorão, rabugento e completamente dependente. E agora, o que é que eu faço?
Chorar, dormir e fazer cocó. São os princípios básicos de um recém nascido. Tão bom, que saudades. Mas a descida aos infernos depressa se faz sentir, com choros e berros estridentes e repetitivos que quase nos levam à loucura. E as cólicas? Ai essas serial killers da calma e descanso. Não dão tréguas, mas com o tempo, acabam por sucumbir à ordem natural das coisas, e a uma série de "medicamentos milagrosos", que nos levam a carteira por um pouco de conforto e muito efeito placebo.
Nos primeiros três meses, não me sentia um verdadeiro pai. A sensação de ter a responsabilidade por um ser, que pouco ou nada interage e cujo único objectivo é sobreviver com ajuda dos pais, não é a que estava à espera na minha imaginação. Tudo isto aliado às queixas constantes do pequeno e pobre ser com sofrimentos que parecem não ter fim e nos levam ao desespero. "Se eu soubesse que seria assim..." Eu sei, é um pensamento ultrajante, mas acredito que passou pela cabeça de todos os pais, nem que seja por um breve segundo, e quem não o admite está a ser politicamente correcto. Uma expressão honrosa para hipócrita, que tão bem combina com política.
Mas passados os primeiros três meses, chegam os primeiros sorrisos. E assim todas as noites sem dormir e inquietações constantes valeram a pena. Bastou um sorriso.
Começam os gugus, os dadás, os gritinhos, as festinhas, e os sorrisos... Tantos sorrisos que originam outros tantos. E agora sou pai.
A interacção com aquele ser simpático, gorducho, carinhoso, construtor de felicidade, transforma-se na mais bela essência da natureza humana: o amor de um pai pela filha.
Um Mundo a Atingir leva agora oito anos de existência. Embora com algumas paragens pelo meio, prometo voltar a escrever com maior regularidade, sobre actualidade, desporto, cultura, entre outros devaneios pessoais. Porque o mundo, irá ter sempre algo a atingir.
Sunday, August 18, 2013
Ciao Sicília
Neste tópico irei relatar-vos como se desenrolou a minha
viagem de lua-de-mel. O destino escolhido foi a Sicília. Queríamos aproveitar o
sol de Agosto e belas praias, mas ao mesmo tempo conhecer uma cultura diferente
de perto. Acabamos por escolher esta bela ilha Italiana.
Ao chegarmos a Sicília deparamo-nos com um tempo quente e
húmido, muito abafado para quem não está habituado. Mesmo de noite o ar é
pesado e o pouco vento não é suficiente para combater o calor. No entanto, o
corpo habitua-se, mas é essencial ter ar condicionado no quarto.
A nossa estadia iniciou-se em Palermo, a capital da ilha, e
do Aeroporto até ao hotel é possível vislumbrar uma enorme rocha ao longo da
estrada, que nos apresenta aquilo que é a paisagem constante de Sicília, uma
região muito montanhosa.
1º Dia
Visita a Cefalú, uma vila do norte que fica a cerca de uma
hora de carro de Palermo. Pela primeira vez experimentamos a praia e não
ficamos desiludidos, a água é transparente e morna, nem é preciso adaptar o
corpo para entrar nela. Sair é que fica difícil, pois sabe maravilhosamente
bem. No final da tarde, fizemos uma visita pela vila, muito simpática e
tradicional, onde provamos alguns doces típicos da região.
2º Dia
No segundo dia, resolvemos fazer um tour por Palermo, num
daqueles autocarros Sightseeing. O tour tem dois percursos distintos – o red e
o blue – primeiro fizemos o percurso red, onde passamos pelas zonas históricas
principais da cidade, e depois o blue, que não apresenta nada digno de grande
registo. Na verdade, Palermo não é uma cidade bonita. Tirando alguns pontos
históricos, a cidade é muito cinzenta, com edifícios sujos do tempo, a precisar
de uma limpeza. À noite, com a iluminação amarelada e o movimento das pessoas,
tudo fica bem mais simpático.
3º Dia
Viagem até ao Sul à região de Agrigento. Aqui visitamos um
local muito particular chamado de Punta Bianca. Um ponto localizado numa
pequena praia selvagem, onde se chega através de um caminho de terra e depois
acessível apenas a pé ou de bicicleta. Em baixo um enorme rochedo branco
banhado pelas ondas que se fazem sentir, bem como um forte vento constante e
uma casa antiga nesse local, o que oferece um cenário muito bonito onde se
podem tirar óptimas fotografias.
Depois fomos até ao “Vale dos Templos”, onde por um bilhete
de 10 euros podemos visitar um vale com vários templos e ruínas gregas, com
especial destaque para o Templo de Concórdia que se encontra em excelente
estado de conservação. Uma excelente experiência para quem nunca teve contacto
de perto com relíquias arqueológicas tão imponentes quanto estas.
Por fim, fizemos uma passagem por Scala dei Turchi, um dos
pontos muito procurado pelos turistas, mas mantivemo-nos à distância. O mar
estava violento e pareceu-nos ser uma paisagem muito semelhante a Punta Bianca,
pelo que decidimos ficarmos pelo alto e regressar a Palermo.
4º Dia
Aproveitamos o tempo excelente para um dia na praia de
Mondello. Esta praia fica bem pertinho da capital e a água apresenta uma
temperatura e uma cor azul-turquesa do outro mundo, entre rochedos que nos
oferecem um cenário muito bonito. Mas atenção, o areal está maioritariamente
ocupado por condomínios reservados, e é bastante requisitada. Nós alugamos um
spot num dos condomínios. Foi um pouco caro, mas valeu a pena.
Da parte da tarde, viagem até Catania.
5º Dia
Resolvemos visitar um dos lugares mais procurados de
Sicília, Taormina. Não visitamos a vila em si, porque queríamos aproveitar as
praias, então ficamo-nos pela praia em Giardini – Naxos, que fica a poucos
quilómetros, onde passamos excelentes momentos. Lá é possível apanhar um barco
que nos leva em uma visita até Isola Bella, um dos locais mais bonitos que já
vi. Pelo caminho é possível ver os inúmeros iates instalados que permite aos
seus utilizadores usufruírem das águas transparentes com mais exclusividade,
bem como os hotéis localizados estrategicamente junto às encostas, alguns deles
até, com praia privativa. Visitamos a gruta e fizemos também uma paragem onde
pudemos mergulhar com óculos e respiradouros. O Sr. do barco lançou comida para
a água e dezenas de peixes vieram à superfície. Quando mergulhei, tinha vários
peixes de várias cores à minha volta e via-se o fundo perfeitamente. Foi uma
experiência excelente.
Ainda no barco deram-nos a provar alguns doces típicos da
região, frutas da época e licor.
6º Dia
Quem visita Sicília não pode deixar de fazer uma visita ao
vulcão Etna. Sem dúvida uma experiência completamente diferente, que nos
apresenta um cenário muito particular que não se vê todos os dias.
De carro fomos até Nicolosi, uma vila localizada na base do
vulcão, e seguimos em direcção a Etna Sud. Após vários quilómetros a subir,
onde se apresenta uma paisagem rochosa resultante da actividade do vulcão,
chegamos ao Funivia, o teleférico que
nos levará até ao topo. Durante a subida, vamos observando o terreno rochoso e
a vegetação que foi crescendo no local. Após terminar a subida, apanhei um
pequeno autocarro que nos leva ainda mais acima, junto das crateras secundárias
do vulcão e aí sim, consegue-se sentir verdadeiramente o ambiente vulcânico. É
possível sentir o calor do vapor que sai das crateras e que contrasta com o
imenso frio e vento que lá existe, bem como o solo característico rochoso. A
vista é deslumbrante. Aconselho o uso de agasalho adequado pois lá no alto faz
imenso frio.
Da parte da tarde, um passeio pela cidade de Catania. Mais
uma vez, não acho que seja uma cidade muito apelativa para se visitar, porém, o
centro histórico é excepção. Vale a pena passear pela avenida que termina na Duomo, onde se podem observar vários
monumentos interessantes e um ambiente muito agradável.
7º Dia
No último dia, queríamos apenas aproveitar a praia, então
fomos até uma terra chamada Fondachello, onde ficamos numa praia de pedrinhas
muito agradável. Junto ao mar fazia um pequeno declive, onde era possível
sentar e sentir o impacto de pequenas ondas nas pernas enquanto se ouvia o
chocalhar das pedrinhas. Para não variar, a água era quente e transparente e
foi onde passei a maior parte do tempo. Almoçamos no restaurante com vista para
o mar e assim terminamos a nossa lua-de-mel, antes de mais um passeio pela
baixa de Catania e o regresso ao aeroporto de Palermo.
Além das excelentes praias e paisagens, a gastronomia é
muito saborosa. Os salami, queijos,
massas e petiscos e claro, os gelados! Nas gelatarias de fabrico próprio são
deliciosos!
As pessoas são muito prestáveis e simpáticas, sempre prontas
a ajudar. Esforçam-se por compreender, ao contrário dos nossos vizinhos
espanhóis, e se for preciso falarem meio italiano, com francês e inglês para se
explicarem, não se fazem de rogados.
Para quem alugar um carro na visita à ilha (melhor opção),
atenção ao trânsito dentro das cidades. Faixas ocupadas com vários carros,
desrespeito dos sinais e scooters ziguezagueando são constantes. Nas
passadeiras é preciso cuidado, porque o trânsito não pára, apenas vai
abrandando enquanto se vai passando a estrada. Curiosamente, em nove dias de
condução e depois de muitos quilómetros, não assisti a nenhum acidente.
Arrivederci
Saturday, June 15, 2013
Um Por Todos, É Apenas Um
Como cidadão atento, não deixo de me interessar e demonstrar preocupação com alguns assuntos que têm vindo a público, com maior ou menor clarividência, referentes ao estado de governação interesseira no nosso país.
Recentemente, tivemos conhecimento através de declarações do próprio Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que quando o seu anterior secretário de estado da energia saiu, teve um dos principais presidentes das produtoras de energia eléctrica em Portugal a telefonar para várias pessoas, a celebrar com champanhe.
A pessoa em causa é o Sr. ex - secretário de estado Henrique Gomes. Parece que este senhor realmente queria governar com imparcialidade e justiça, defendendo os reais interesses do estado, motivo pelo qual foi prontamente "encostado". Em suma, Henrique Gomes provou que se andam a pagar à conta do estado, rendas excessivas e insustentáveis à EDP. Apesar da EDP ter um volume de negócios bastante superior lá fora do que em Portugal, a verdade é que o mercado português é o mais rentável, visto que as rendas atingem valores absurdos em comparação a outros países em que a EDP tem negócios.
Só para terem uma ideia, segundo o relatório de Henrique Gomes, nos Estados Unidos a EDP Renováveis concentra cerca de 38% do seu volume de negócios com uma rentabilidade de 0,6%. Em Portugal a rentabilidade de capitais próprios é de 46%!!! Valores cobrados a todos nós de forma ilegal.
Quando o próprio Ministro da Economia vem a público afirmar que se festeja com champanhe quando o seu governo não tem capacidade de fazer frente aos grandes grupos económicos, torna-se claro que não são as pessoas que geram governação, mas sim um sistema complexo e muito bem montado que impossibilita alternativas de combate ao lóbi em prol dos interesses maiores do estado. Ou seja, o estado é uma espécie de peixe grande que se alimenta dos peixes pequenos e que à posteriori serve de refeição aos grandes tubarões.
Ao ter conhecimento destes factos, como cidadão, sinto-me um lixo. Afinal a S&P tem razão. Não consigo encaixar a ideia de cada vez existirem mais dificuldades, de cada vez exigirem mais sacrifícios alegando motivos excepcionais que levam a medidas extremas. Mas para quem tem o poder, o verdadeiro poder, tais medidas revelam-se de excepção, mas para o seu não cumprimento.
Recentemente, tivemos conhecimento através de declarações do próprio Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que quando o seu anterior secretário de estado da energia saiu, teve um dos principais presidentes das produtoras de energia eléctrica em Portugal a telefonar para várias pessoas, a celebrar com champanhe.
A pessoa em causa é o Sr. ex - secretário de estado Henrique Gomes. Parece que este senhor realmente queria governar com imparcialidade e justiça, defendendo os reais interesses do estado, motivo pelo qual foi prontamente "encostado". Em suma, Henrique Gomes provou que se andam a pagar à conta do estado, rendas excessivas e insustentáveis à EDP. Apesar da EDP ter um volume de negócios bastante superior lá fora do que em Portugal, a verdade é que o mercado português é o mais rentável, visto que as rendas atingem valores absurdos em comparação a outros países em que a EDP tem negócios.
Só para terem uma ideia, segundo o relatório de Henrique Gomes, nos Estados Unidos a EDP Renováveis concentra cerca de 38% do seu volume de negócios com uma rentabilidade de 0,6%. Em Portugal a rentabilidade de capitais próprios é de 46%!!! Valores cobrados a todos nós de forma ilegal.
Quando o próprio Ministro da Economia vem a público afirmar que se festeja com champanhe quando o seu governo não tem capacidade de fazer frente aos grandes grupos económicos, torna-se claro que não são as pessoas que geram governação, mas sim um sistema complexo e muito bem montado que impossibilita alternativas de combate ao lóbi em prol dos interesses maiores do estado. Ou seja, o estado é uma espécie de peixe grande que se alimenta dos peixes pequenos e que à posteriori serve de refeição aos grandes tubarões.
Ao ter conhecimento destes factos, como cidadão, sinto-me um lixo. Afinal a S&P tem razão. Não consigo encaixar a ideia de cada vez existirem mais dificuldades, de cada vez exigirem mais sacrifícios alegando motivos excepcionais que levam a medidas extremas. Mas para quem tem o poder, o verdadeiro poder, tais medidas revelam-se de excepção, mas para o seu não cumprimento.
Tuesday, April 09, 2013
O Antes e o Agora da Europa em 2017
As dívidas começaram a vir ao de cima, passados anos de
sustento de negócios ruinosos que eram orquestrados por debaixo da mesa sem o
conhecimento da população geral. O Estado financiava grupos de poder privados e
acarretava com os custos.
As negociatas desenvolveram-se e descontrolaram-se de tal
forma que o dinheiro acabou. A Europa entrou em recessão.
O Estado cortou na sua despesa direccionada à população,
aumentou os impostos e cortou nos ordenados. Empresas faliram, o desemprego
aumentou a um ritmo avassalador, as progressões congelaram e os produtos de
consumo tiveram aumentos abismais.
Milhares de pessoas entregam as casas aos bancos, e outras
tantas são obrigadas a fazê-lo. A economia estagnou. Não há produção, não há
emprego. Fazem-se pedidos de resgate, e recorre-se à austeridade para pagar
juros de juros de empréstimo.
A situação foi-se tornando insustentável, alimentada pela
revolta e manifestações da população querendo justiça e melhores condições de
vida.
As Nações que mantiveram a sua economia equilibrada, não se
revêem nas que se afundam em pedidos de ajuda. A Europa separou-se e
instalou-se uma relação de afastamento e indiferença entre as Nações que lembra
o clima de “Guerra-fria”. As moedas fortes reclamaram independência e o Euro colapsou.
As fronteiras foram praticamente fechadas, as trocas
comerciais estagnaram desrespeitando as regras anteriormente instituídas. A
fome começa a pairar sobre os países endividados, bem como um conflito entre
nações.
Espanha, França, Itália, Portugal, Chipre e Grécia, ficaram
sem dinheiro, os postos de trabalho decaíram 50% com cortes salariais e os
funcionários públicos sobrevivem com ordenados em atraso e incertos. A população
migrou para o interior em busca de agricultura sustentável como meio de
sobrevivência. Muitas viviam na rua enquanto milhares de habitações se
encontravam vazias por falta de pagamento. As políticas sociais praticamente
desapareceram.
As pessoas entraram em pânico, vendendo tudo o que tinham e
tentando retirar o dinheiro dos bancos. Os mesmos que reclamavam junto dos seus credores o pagamento de dívidas, fechando as portas e declarando falência. Todas as
poupanças de uma vida ficavam perdidas.
Sem empréstimos disponíveis as empresas fecharam, empregos
desapareceram e em poucos meses não havia dinheiro nas casas de famílias. Milhares
de pessoas envergonhadas faziam filas nas ruas por uma sopa quente e um pão
para dividir pelos filhos.
Os líderes políticos insistiam que a situação era
passageira, mas a contestação social aumentou de volume e sérios confrontos se
repetiam por toda a Europa.
Centenas de bairros de lata cresceram pelas principais
capitais, numa luta desesperada de milhares de famílias por um lar.
A Europa continua a viver da especulação e decisões/interesses
de uma minoria abastada.
No entanto, no último trimestre observou-se uma ligeira
recuperação económica, que pode significar o renascer de uma nova esperança.
In Diário da Europa,
10 de Junho de 2017
Thursday, March 14, 2013
BTL - Uma Visita Frustrada
Ando a planear uma grande viagem pela Ásia e estou na fase de consultas de programas e comparações de preços. Por esse motivo resolvi dar uma vista de olhos pela BTL Feira Internacional de Turismo na FIL no passado dia 3 de Março.
A expectativa era alta, com a publicitação de grandes descontos em viagens para o público geral em campanhas televisivas.
O espaço em si estava bem organizado e apelativo, principalmente o pavilhão direccionado aos destinos do nosso maravilhoso Portugal estava muito bem conseguido e com toques de originalidade na promoção muito interessantes.
Mas o meu objectivo era sondar destinos e valores referentes ao tipo de viagem que pretendo.
De todas as agências de viagens que contactei (e creio que foram todas) apenas uma se predispôs a me apresentar um destino concreto com um orçamento concreto e com desconto BTL. Todas as outras limitaram-se a ouvir e a ficar com contactos para apresentar uma proposta e orçamento mais tarde.
Quando contactei a última agência, não resisti em perguntar algo que até aquele momento não estava de todo a compreender. Qual era a vantagem de visitar a BTL, porque ainda não me tinha sido apresentada qualquer mais valia relativamente a uma qualquer outra busca referente a viagens.
A senhora de uma forma muito simpática afirmou-me que realmente a publicidade e a mensagem que passa por parte da BTL pode induzir ao erro, porque aquela não era exactamente uma feira de promoções de viagens e que muitas pessoas vão em busca disso mesmo.
Em suma, até hoje estou à espera dos contactos que me foram prometidos. Acabei por perder uma tarde e gastar o valor de dois bilhetes para trazer um saco cheio de folhetos e catálogos.
Fiquei frustrado!
Se quisesse pesquisar contactos, ter acesso a campanhas standard e requisitar informações sobre viagens poderia muito bem fazê-lo aqui mesmo, no meu computador, sem sair de casa.
No próximo ano terão um visitante a menos.
A expectativa era alta, com a publicitação de grandes descontos em viagens para o público geral em campanhas televisivas.
O espaço em si estava bem organizado e apelativo, principalmente o pavilhão direccionado aos destinos do nosso maravilhoso Portugal estava muito bem conseguido e com toques de originalidade na promoção muito interessantes.
Mas o meu objectivo era sondar destinos e valores referentes ao tipo de viagem que pretendo.
De todas as agências de viagens que contactei (e creio que foram todas) apenas uma se predispôs a me apresentar um destino concreto com um orçamento concreto e com desconto BTL. Todas as outras limitaram-se a ouvir e a ficar com contactos para apresentar uma proposta e orçamento mais tarde.
Quando contactei a última agência, não resisti em perguntar algo que até aquele momento não estava de todo a compreender. Qual era a vantagem de visitar a BTL, porque ainda não me tinha sido apresentada qualquer mais valia relativamente a uma qualquer outra busca referente a viagens.
A senhora de uma forma muito simpática afirmou-me que realmente a publicidade e a mensagem que passa por parte da BTL pode induzir ao erro, porque aquela não era exactamente uma feira de promoções de viagens e que muitas pessoas vão em busca disso mesmo.
Em suma, até hoje estou à espera dos contactos que me foram prometidos. Acabei por perder uma tarde e gastar o valor de dois bilhetes para trazer um saco cheio de folhetos e catálogos.
Fiquei frustrado!
Se quisesse pesquisar contactos, ter acesso a campanhas standard e requisitar informações sobre viagens poderia muito bem fazê-lo aqui mesmo, no meu computador, sem sair de casa.
No próximo ano terão um visitante a menos.
Thursday, February 21, 2013
Grândola de Boca em Boca Não Está Morena, Está Preta
Nos últimos tempos a canção de José Afonso tem ecoado na Assembleia da República, nas escolas, em auditórios e tem literalmente calado os Sr.s Ministros representantes do actual Governo.
Não é que concorde ou discorde, pois vendo bem a coisa, um grupo de pessoas utiliza uma canção que promove a Democracia para impedir outros de exercer o seu direito democrático.
No entanto, acredito que o cerne da questão está em tentar perceber os motivos que levam a estes acontecimentos.
Não acredito que as pessoas o façam apenas por carolice, mas talvez porque sentem uma necessidade enorme de contrariar o rumo das coisas fazendo-se ouvir. E este foi o caminho que escolheram.
Aliás, eu próprio já ando cansado de "politiquices" à muito tempo. Já não consigo ver os noticiários, carregados de casos de lobbys, favores nada éticos, corrupção e as tão badaladas derrapagens orçamentais. Chega de cinismos!
Enquanto existirem conflitos de interesse entre os que detêm o poder de decisão, por mais que se reclame e por mais que sejam as vozes de protesto, as coisas dificilmente irão mudar. O Sistema está montado e engrenado para não falhar. Pode abrandar em determinadas ocasiões, mas nunca pára e quem pode ganhar com isso está garantido.
Portanto, a solução passa por fazer alterações desde a raiz, e não continuarmos com promessas hipócritas de mudança que mergulham em círculos contínuos sem fim.
Primeiramente, acabem-se com os Partidos Políticos tal como os conhecemos hoje, com ideologias ultrapassadas e desadequadas ao nosso tempo. Quem governa, está sujeito a normas externas, e sendo de direita, esquerda ou centro, acabam por fazer algo semelhante, diferindo apenas no propósito de que o que vem a seguir não seja tão mau como o anterior. De uma forma ou de outra, os seus membros saem sempre beneficiados, normalmente sob condições no mínimo duvidosas.
Portanto, em alternativa, proponho um modelo de governação diferente do habitual. A criação de uma equipa liderada por figuras com experiência comprovada nas várias áreas tuteladas pela Governação.
Não consigo compreender, como é possível termos Ministros da Agricultura e Pescas que não sabem o que é um tractor ou um barco. Ministros da Segurança que não fazem ideia do que é o dia a dia dos profissionais da área. Ministros da cultura que não sabem o que é um teatro. Em suma, não podemos continuar a ter responsáveis máximos em várias áreas, quando os mesmos nunca tiveram qualquer ligação ou experiência relativas à área que tutelam.
As equipas seriam lideradas por elementos referência e de excelência a nível nacional ou internacional na área da saúde, da cultura, da economia, etc. Esses elementos teriam direito ao mesmo vencimento que recebiam nas suas anteriores actividades profissionais. A única diferença é que trabalhariam em prol do País. Os elementos das suas equipas seriam escolhidos e orientados por esses líderes. Deveriam ser da sua confiança e com experiência comprovada no terreno. Essas equipas teriam a responsabilidade de propor alternativas que visassem o melhoramento da produtividade e modelos de governação do País. Sem quaisquer responsabilidades partidárias, ou interesses lobbystas. Apenas gerir o País como se de uma empresa se tratasse, tendo em consideração o factor mais importante desta equação: as pessoas e o seu bem estar.
Estas equipas seriam responsáveis por apresentar propostas e relatórios periódicos ao Presidente da República que teria a responsabilidade de tomar as decisões definitivas, tendo em consideração os seus conselhos. Sim, queremos um Presidente da República interventivo e sábio nas suas decisões sobre o País. Não apenas uma figura que serve para discursar textos preparados pelos seus acessores.
A ideia base seria gerir o País de forma isenta, com pessoas responsáveis e experientes nas várias áreas, em que tudo fosse pormenorizadamente reportado, onde houvesse discussão de ideias e criticas construtivas, sem interesses de opinião pública e manobras políticas duvidosas. Em suma, o País gerido de forma competente como empresa, tendo como prioridades máximas os seus interesses em detrimento de terceiros, a justiça social e a qualidade de vida da população.
Não é que concorde ou discorde, pois vendo bem a coisa, um grupo de pessoas utiliza uma canção que promove a Democracia para impedir outros de exercer o seu direito democrático.
No entanto, acredito que o cerne da questão está em tentar perceber os motivos que levam a estes acontecimentos.
Não acredito que as pessoas o façam apenas por carolice, mas talvez porque sentem uma necessidade enorme de contrariar o rumo das coisas fazendo-se ouvir. E este foi o caminho que escolheram.
Aliás, eu próprio já ando cansado de "politiquices" à muito tempo. Já não consigo ver os noticiários, carregados de casos de lobbys, favores nada éticos, corrupção e as tão badaladas derrapagens orçamentais. Chega de cinismos!
Enquanto existirem conflitos de interesse entre os que detêm o poder de decisão, por mais que se reclame e por mais que sejam as vozes de protesto, as coisas dificilmente irão mudar. O Sistema está montado e engrenado para não falhar. Pode abrandar em determinadas ocasiões, mas nunca pára e quem pode ganhar com isso está garantido.
Portanto, a solução passa por fazer alterações desde a raiz, e não continuarmos com promessas hipócritas de mudança que mergulham em círculos contínuos sem fim.
Primeiramente, acabem-se com os Partidos Políticos tal como os conhecemos hoje, com ideologias ultrapassadas e desadequadas ao nosso tempo. Quem governa, está sujeito a normas externas, e sendo de direita, esquerda ou centro, acabam por fazer algo semelhante, diferindo apenas no propósito de que o que vem a seguir não seja tão mau como o anterior. De uma forma ou de outra, os seus membros saem sempre beneficiados, normalmente sob condições no mínimo duvidosas.
Portanto, em alternativa, proponho um modelo de governação diferente do habitual. A criação de uma equipa liderada por figuras com experiência comprovada nas várias áreas tuteladas pela Governação.
Não consigo compreender, como é possível termos Ministros da Agricultura e Pescas que não sabem o que é um tractor ou um barco. Ministros da Segurança que não fazem ideia do que é o dia a dia dos profissionais da área. Ministros da cultura que não sabem o que é um teatro. Em suma, não podemos continuar a ter responsáveis máximos em várias áreas, quando os mesmos nunca tiveram qualquer ligação ou experiência relativas à área que tutelam.
As equipas seriam lideradas por elementos referência e de excelência a nível nacional ou internacional na área da saúde, da cultura, da economia, etc. Esses elementos teriam direito ao mesmo vencimento que recebiam nas suas anteriores actividades profissionais. A única diferença é que trabalhariam em prol do País. Os elementos das suas equipas seriam escolhidos e orientados por esses líderes. Deveriam ser da sua confiança e com experiência comprovada no terreno. Essas equipas teriam a responsabilidade de propor alternativas que visassem o melhoramento da produtividade e modelos de governação do País. Sem quaisquer responsabilidades partidárias, ou interesses lobbystas. Apenas gerir o País como se de uma empresa se tratasse, tendo em consideração o factor mais importante desta equação: as pessoas e o seu bem estar.
Estas equipas seriam responsáveis por apresentar propostas e relatórios periódicos ao Presidente da República que teria a responsabilidade de tomar as decisões definitivas, tendo em consideração os seus conselhos. Sim, queremos um Presidente da República interventivo e sábio nas suas decisões sobre o País. Não apenas uma figura que serve para discursar textos preparados pelos seus acessores.
A ideia base seria gerir o País de forma isenta, com pessoas responsáveis e experientes nas várias áreas, em que tudo fosse pormenorizadamente reportado, onde houvesse discussão de ideias e criticas construtivas, sem interesses de opinião pública e manobras políticas duvidosas. Em suma, o País gerido de forma competente como empresa, tendo como prioridades máximas os seus interesses em detrimento de terceiros, a justiça social e a qualidade de vida da população.
Friday, January 25, 2013
Mas Porquê Pepa? Porquê?
Estamos perto do final do mês de Janeiro e confesso que ainda não consegui encontrar um pingo de inspiração para partilhar algo de interessante.
A crise, qual carrasco, está presente todos os dias, e já se tornou numa espécie de vírus contagioso presente em quase todas as conversas. Conversar, reflectir ou sonhar, é sinónimo de uma valente gripe intelectual.
No entanto, aconteceram algumas coisas de que quase vale a pena (não) falar.
Comecemos pela Pepa Xavier. Um vulgar nome como tantos outros - ok, Pepa é invulgar e faz lembrar nome de caniche, mas não esqueçamos que o Benfica já teve um jogador de nome Pepa, lembram-se? - que passou de desconhecido para cair nas bocas do mundo pelos piores motivos.
Como costumo andar distraído no que diz respeito a estes pseudo especialistas de modas, fiquei surpreedendido com o alarido que se criou à volta do spot publicitário onde participou a dita senhora. Depois de tantos blogs, críticas facebookianas, e até entrevistas televisivas, lá resolvi matar a curiosidade e dar uma vista de olhos pelo vídeo da polémica. No final cheguei a uma simples conclusão... Mas porque raio é que sequer se começou a falar nisto??!!
Assisti a uma jovem, de perfil fútil, manias e expressões estranhas e com uns desejos que fez confusão a muita gente, mas que para mim são perfeitamente legítimos, desde que tenha dinheiro para os pagar. O item em questão: a mala Chanel.
Primeiro ponto, muitos ficaram a saber que Chanel se escreve com um "n" e não com dois. Esta senhora prestou um autêntico serviço público! Segundo ponto, o objectivo da Samsung saiu furado, pois o protagonismo acabou por cair em cima da Pepa e da Chanel. Por fim, toda esta reacção crítica em massa, faz-me ver que realmente, em certos aspectos, somos muito pequeninos.
Por falar em pequeninos, faço uma breve passagem pela Casa dos Segredos 4. Certo dia aconteceu o momento mais degradante a que assisti na televisão portuguesa. Foram ditos cerca de 1785 palavrões em directo, quase em horário nobre, por razões que ainda hoje me são incompreensíveis. E estas pessoas têm fãs!!! Em evidência esteve um ser de nome "Fanny" que gastou 90% do vocabulário mais sujo que existe na Língua Portuguesa. Desconhecia que alguém com 1,50m de altura por 1,50m de largura pudesse conter no interior tantos resíduos. Como disse o grande (literalmente) Bruno Nogueira, Deus quando criou a Fanny e a lançou para a Terra, esqueceu-se de lhe por uma laranja na boca. Aliás, para os participantes do citado programa, Deus precisava de um enorme laranjal, para fazer face às necessidades que lhe foram apresentadas.
A verdade é que eu assisti, a uma parte do programa que ninguém vê. Todos ouvem falar, ou fazem zapping, ou vêm nas revistas e todos comentam o que se passa, mas muito poucos assumem que vêem o programa.
O Português é certinho, fá-lo pela calada.
A crise, qual carrasco, está presente todos os dias, e já se tornou numa espécie de vírus contagioso presente em quase todas as conversas. Conversar, reflectir ou sonhar, é sinónimo de uma valente gripe intelectual.
No entanto, aconteceram algumas coisas de que quase vale a pena (não) falar.
Comecemos pela Pepa Xavier. Um vulgar nome como tantos outros - ok, Pepa é invulgar e faz lembrar nome de caniche, mas não esqueçamos que o Benfica já teve um jogador de nome Pepa, lembram-se? - que passou de desconhecido para cair nas bocas do mundo pelos piores motivos.
Como costumo andar distraído no que diz respeito a estes pseudo especialistas de modas, fiquei surpreedendido com o alarido que se criou à volta do spot publicitário onde participou a dita senhora. Depois de tantos blogs, críticas facebookianas, e até entrevistas televisivas, lá resolvi matar a curiosidade e dar uma vista de olhos pelo vídeo da polémica. No final cheguei a uma simples conclusão... Mas porque raio é que sequer se começou a falar nisto??!!
Assisti a uma jovem, de perfil fútil, manias e expressões estranhas e com uns desejos que fez confusão a muita gente, mas que para mim são perfeitamente legítimos, desde que tenha dinheiro para os pagar. O item em questão: a mala Chanel.
Primeiro ponto, muitos ficaram a saber que Chanel se escreve com um "n" e não com dois. Esta senhora prestou um autêntico serviço público! Segundo ponto, o objectivo da Samsung saiu furado, pois o protagonismo acabou por cair em cima da Pepa e da Chanel. Por fim, toda esta reacção crítica em massa, faz-me ver que realmente, em certos aspectos, somos muito pequeninos.
Por falar em pequeninos, faço uma breve passagem pela Casa dos Segredos 4. Certo dia aconteceu o momento mais degradante a que assisti na televisão portuguesa. Foram ditos cerca de 1785 palavrões em directo, quase em horário nobre, por razões que ainda hoje me são incompreensíveis. E estas pessoas têm fãs!!! Em evidência esteve um ser de nome "Fanny" que gastou 90% do vocabulário mais sujo que existe na Língua Portuguesa. Desconhecia que alguém com 1,50m de altura por 1,50m de largura pudesse conter no interior tantos resíduos. Como disse o grande (literalmente) Bruno Nogueira, Deus quando criou a Fanny e a lançou para a Terra, esqueceu-se de lhe por uma laranja na boca. Aliás, para os participantes do citado programa, Deus precisava de um enorme laranjal, para fazer face às necessidades que lhe foram apresentadas.
A verdade é que eu assisti, a uma parte do programa que ninguém vê. Todos ouvem falar, ou fazem zapping, ou vêm nas revistas e todos comentam o que se passa, mas muito poucos assumem que vêem o programa.
O Português é certinho, fá-lo pela calada.
Friday, November 02, 2012
Sonho de Papel
"O seu sonho de adolescente - melhorar o mundo, contribuir para uma sociedade mais segura e mais justa, ser promovido, lutar por um cargo no Ministério da Justiça, dar à mulher e aos filhos uma vida mais confortável, colaborar na mudança da maneira como são vistos os agentes da ordem, mostrando que ainda existem polícias honestos, termina sempre na mesma palavra.
Papel."
in O Vencedor Está Só - Paulo Coelho
Papel."
in O Vencedor Está Só - Paulo Coelho
Monday, September 10, 2012
Eu quero, posso e mando... Neste meu Portugalinho.
Confesso que me incomodou utilizar o diminutivo do meu país
no título desta publicação, mas face à situação grotesca que vos irei
descrever, creio que se adequa perfeitamente.
Partilho convosco a história de um homem que se encontrava à
porta de um supermercado a fazer o seu trabalho. De quando em vez, deslocava-se junto dos automobilistas que
estacionavam na faixa de rodagem, quando existiam bem próximo lugares de
estacionamento vagos. Por vezes bloqueavam esses mesmos estacionamentos. O
intuito era sensibilizar as pessoas a estacionarem correctamente, facto que foi
acatado por todos. Mas houve uma excepção.
- A senhora está mal estacionada, se não se importa tem aqui
ao lado um lugar vago.
Ignorando completamente o que lhe foi dito, a senhora sai do
carro em modo de arrogância on e
remata.
- Eu sei, são só dois minutos. Vou ao supermercado.
- Então é o tempo que preciso para lhe passar uma multa.
A acompanhante da senhora, prontamente afia as facas, com o
ego nas nuvens e uma prepotência desmesurada, dirige-se ao Agente.
- Eu sou Magistrada do Ministério Público! O que pensa que
está a fazer?
Grita a senhora em plenos pulmões do outro lado da rua,
originando um aparato entre todos os presentes.
-Você deve ser novo aqui. Os seus colegas todos conhecem-me,
quem pensa você que é para estar a fazer isto?
- Desculpe, eu não a conheço mas se calhar é esse o
problema. Pensar que pode fazer tudo o que lhe apetece. – Responde o rapaz,
perplexo com o escândalo que se estava a desencadear.
- Eu quero a sua identificação! Vou apresentar queixa de si!
O Agente fornece-lhe a identificação, tranquilo e seguro do
que estava a fazer.
Entretanto a senhora suposta Magistrada pega no seu
telemóvel para fazer uma chamada.
- Estou (dirigindo-se por “tu” a um Oficial de Polícia).
Está aqui um rapazinho… Chama lá os teus meninos para virem aqui resolver a
situação.
Os “meninos” foram chamados, mas face à aparente demora, a
senhora volta a dar uso ao seu aparelho electrónico e ao seu estatuto.
- Estou. Ainda estou à espera do Carro Patrulha. Nunca mais
chegam?
Um senhor que ali se encontrava, tendo sido ele próprio aconselhado,
momentos antes, a estacionar devidamente a sua viatura, ao assistir indignado a
tal espectáculo, resolveu aproximar-se.
- Sr. Agente, desculpe lá estar a meter-me. Mas se quiser
pode ficar com a minha identificação para ser sua testemunha. É que esta mulher
deve estar a pensar que manda nesta merda toda para estar a falar desta
maneira.
Entretanto, a senhora parece ter começado a cair em si, e
resolve fazer mais uma chamadinha “máfia russa” dizendo que afinal já não era
necessária a presença do Carro Patrulha.
Mas continua…
- Isto agora fica por aqui. Nem vou apresentar queixa de si,
senão arranjava-lhe uma carga de trabalhos.
Preparava-se para partir junto com a sua acompanhante,
quando o Agente voltou a dirigir-se a ela.
- Não, agora vai esperar um pouco porque eu também quero a
sua identificação.
- O quê? Eu não dou identificação nenhuma. Eu só tenho que
me identificar perante um superior seu.
- Pois, mas eu não a conheço de lado nenhum. A Sr.ª diz que
é Procuradora mas eu não sei se corresponde à verdade. Sou Agente da Autoridade
e já me identifiquei. Tenho o direito de lhe requerer a identificação e como
deve saber, se recusar está a incorrer num crime.
- Olhe que ela é sua patroa. (Contribui a condutora com
precioso comentário).
- Eu sou sua superior e só tenho que responder perante os
seus superiores.
- Não, (volta o Agente a elucidar a senhora) o meu superior
é o Comandante da minha Esquadra e é a ele que tenho que prestar contas.
O Agente mantendo sempre uma postura de calma e respeito
face às adversidades do circo montado, profere as últimas palavras à senhora.
- Sabe, eu sou Polícia mas quando estou fora de serviço, não
ando por aí a identificar-me e a usar a profissão para benefício próprio. Já a
senhora, usou e abusou do seu cargo para me tentar condicionar a fazer o meu
trabalho, originando este espectáculo sem necessidade nenhuma.
A senhora formada, mas aparentemente com pouca formação,
acabou por admitir que talvez tenha “exagerado um pouco” e abandonou o local.
Veio-se a verificar que a senhora era efectivamente aquilo
que dizia ser.
Por enquanto, a situação ficou resolvida.
Como nota final de reflexão, é muito desapontante assistir
ou ter conhecimento de situações como esta ou semelhantes. Cada vez mais
torna-se notório, de que canudos académicos e estatutos profissionais não são
sinónimo de educação e boa formação.
Em países civilizados, como por exemplo no Canadá, qualquer
forma de descriminação, menosprezo, ou comportamentos de superioridade de um
ser humano sobre outro ser humano, sejam eles relacionados com etnia, classe
social ou profissional é altamente censurável. A título elucidativo, se um
Magistrado se dirigisse a um varredor de ruas, sem o devido respeito, abusando
do seu estatuto e lhe pedisse de forma menos própria para varrer a entrada da
sua casa e se esta situação chegasse a conhecimento público, esse senhor iria com
certeza deparar-se com muitos problemas.
Mas neste País, dos “baixa calcinhas”, quem pode manda e faz
o que quer. Aparentemente, se estes senhores da sociedade espirram o Mundo
treme…
O respeito, a educação e os bons valores não se compram. Quem
acredita que sim são os idiotas e os ignorantes. Os que pertencem a essa
classe elitista (e ainda bem que a é) que o sejam entrem eles e sejam felizes.
E que sempre que pretendam abusar do seu estatuto, embrulhem uma resposta à
altura e se apercebam que o Mundo não é só deles.
P.S – Esta história é ficção. Qualquer semelhança com a
realidade é pura coincidência.
Monday, May 14, 2012
Informação Útil de (Pouco) Conhecimento Público
Recentemente desloquei-me a Lisboa utilizando os transportes públicos. Como tal, adquiri um cartão Viva Viagem para poder validar a passagem.
Já há algum tempo que me questiono, porque sou obrigado a comprar um cartão que acrescenta 0.50e ao preço das viagens. Se o objectivo é facilitar a vida dos utilizadores, por vezes isso simplesmente não acontece.
Ora na minha deslocação a Lisboa adquiri um bilhete de ida e volta no comboio Fertagus. Posteriormente, necessitei de viajar no Metro, logo, tive que adquirir outro cartão, porque estes cartões não acumulam viagens relativas a meios de transporte diferentes, se uma se encontrar pendente. No final já gastei 1 euro a mais do custo das viagens.
O que muita gente não sabe é que estes cartões podem ser devolvidos e o dinheiro restituído. Essa informação existe, mas convenientemente não se encontra acessível ao conhecimento geral. Em primeiro lugar deveria encontrar-se explanada no próprio cartão, onde apenas se lê “Consulte as condições gerais de utilização do cartão e dos títulos de transportes, disponíveis nos Operadores aderentes.”
Estes Operadores reservam para si a devolução dos cartões, ou seja, só podem devolver um cartão à mesma empresa onde o compraram. Por exemplo, se adquiriram um cartão no Metro, só o podem devolver no Metro. Para além disso, existe um prazo de 5 dias par ao efeito, conforme consta em informação mais detalhada, como exemplo, no site da Metro Lisboa em http://www.metrolisboa.pt/informacao/viajar-no-metro/viva-viagem7-colinas/
“Para os clientes que não pretendam reutilizar o cartão, o valor do mesmo é reembolsável nos seguintes termos:
– o cartão tem de se encontrar em bom estado de conservação, ter sido adquirido no Metro com uma antecedência máxima de 5 dias, carregado com bilhetes viagem metro e contra a apresentação do respectivo comprovativo de compra.
Saiba aqui onde fazer a retoma do seu cartão.”
Para o utilizador casual, turistas, etc, este sistema origina um acréscimo no preço da viagem e não se revela prático no processo de retoma. Ou seja, as pessoas pagam, não questionam e a empresa agradece o “donativo”.
Apenas se pretende alertar para a quantidade de cartões que nos são impingidos encarecendo consideravelmente o preço das viagens. A grande maioria das pessoas desconhece totalmente esta informação e vai acumulando cartões na carteira ou simplesmente deitam-nos fora. Imaginem quanto não lucram estas empresas com esta forma de aquisição de bilhetes. Olhem para o exemplo de cada um de vós e reflictam: quanto já gastei eu a mais à conta deste sistema de aquisição de cartões?
Já há algum tempo que me questiono, porque sou obrigado a comprar um cartão que acrescenta 0.50e ao preço das viagens. Se o objectivo é facilitar a vida dos utilizadores, por vezes isso simplesmente não acontece.
Ora na minha deslocação a Lisboa adquiri um bilhete de ida e volta no comboio Fertagus. Posteriormente, necessitei de viajar no Metro, logo, tive que adquirir outro cartão, porque estes cartões não acumulam viagens relativas a meios de transporte diferentes, se uma se encontrar pendente. No final já gastei 1 euro a mais do custo das viagens.
O que muita gente não sabe é que estes cartões podem ser devolvidos e o dinheiro restituído. Essa informação existe, mas convenientemente não se encontra acessível ao conhecimento geral. Em primeiro lugar deveria encontrar-se explanada no próprio cartão, onde apenas se lê “Consulte as condições gerais de utilização do cartão e dos títulos de transportes, disponíveis nos Operadores aderentes.”
Estes Operadores reservam para si a devolução dos cartões, ou seja, só podem devolver um cartão à mesma empresa onde o compraram. Por exemplo, se adquiriram um cartão no Metro, só o podem devolver no Metro. Para além disso, existe um prazo de 5 dias par ao efeito, conforme consta em informação mais detalhada, como exemplo, no site da Metro Lisboa em http://www.metrolisboa.pt/informacao/viajar-no-metro/viva-viagem7-colinas/
“Para os clientes que não pretendam reutilizar o cartão, o valor do mesmo é reembolsável nos seguintes termos:
– o cartão tem de se encontrar em bom estado de conservação, ter sido adquirido no Metro com uma antecedência máxima de 5 dias, carregado com bilhetes viagem metro e contra a apresentação do respectivo comprovativo de compra.
Saiba aqui onde fazer a retoma do seu cartão.”
Para o utilizador casual, turistas, etc, este sistema origina um acréscimo no preço da viagem e não se revela prático no processo de retoma. Ou seja, as pessoas pagam, não questionam e a empresa agradece o “donativo”.
Apenas se pretende alertar para a quantidade de cartões que nos são impingidos encarecendo consideravelmente o preço das viagens. A grande maioria das pessoas desconhece totalmente esta informação e vai acumulando cartões na carteira ou simplesmente deitam-nos fora. Imaginem quanto não lucram estas empresas com esta forma de aquisição de bilhetes. Olhem para o exemplo de cada um de vós e reflictam: quanto já gastei eu a mais à conta deste sistema de aquisição de cartões?
Friday, January 06, 2012
Auto de Denúncia do estado do País
O presente texto pretende elucidar os leitores sobre as linhas que traçam o estado da governação em Portugal. Fica exemplificado de que forma a corrupção e interesses vários têm deixado a nossa Nação na lama. Se isto não conduz à revolta, o que conduzirá?
- Em Portugal a política tornou-se numa mega central de negócios. Em 10 anos descemos 10 lugares na lista de Países menos corruptos.
- A principal finalidade dos partidos políticos é tomar conta do governo para tomar conta do orçamento.
- Muitos sujeitos chegaram a Lisboa à 15 ou 20 anos com uma mala e fato no corpo e de repente, vemo-los a viverem de uma forma completamente desconforme com aquilo que eles foram e por azar ou por sorte, passaram pela política.
Exemplificando:
- As pessoas que mandam na defesa do País desde os últimos anos provêm todos do mesmo escritório de advogados.
- Na Comissão Parlamentar que acompanha as negociações com a Troika, as pessoas com mais relevância estão ligadas à banca e às privatizações.
- Em Espanha encontram-se presos 320 autarcas. Em Portugal 0. Quando aparece alguém com mais independência é pressionado e despachado.
Caso BPN:
- Tudo o que mexe com o BPN em Portugal está contaminado. Foi feito na sua origem por políticos numa época de perdões fiscais nos primeiros governos de Cavaco Silva.
- A SLN (Sociedade Lusa de Negócios) criada na mesma altura, é constituída por privados, que quando ficam “no osso”, passa para o Estado que fica com os prejuízos e volta a entregar limpinho aos privados.
- A história do BPN é das histórias mais tristes da Democracia Portuguesa.
- Grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos. Os Planos Directores Municipais (PDM) muitas vezes são alterados a pedido.
Vejamos:
- Alguém com influência política compra um terreno a um pobre agricultor com classificação de solo agrícola. Com a conivência do Governo, ou da Câmara, consegue alterar a classificação do solo para urbanizável. Um terreno que valia 10 mil euros passa a valer de repente 100 mil.
- Esta é uma prática generalizada ao nível do país. A excepção é o contrário.
- As alterações aos PDM´s raramente são efectuadas em função do interesse colectivo. São arbitragens das entidades administrativas que vão gerindo as suas influências, em que quem ganha são as pessoas que compram os terrenos e financiam os partidos.
- Só há dois negócios que geram margens de lucro desta dimensão em Portugal: o Urbanismo de Ordenamento do Território e o tráfico de droga.
- Os terrenos quando são avaliados desta forma geram ganhos através de empreendimentos imobiliários, ou mesmo que não se façam, vão à banca buscar financiamento sobre 1000 para um terreno que efectivamente valia 100.
- As imparidades na banca em Portugal têm a ver com negócios deste género. Os bancos fizeram empréstimos a pessoas com valorizações de terrenos indevidos. Os próprios bancos são cúmplices desta situação. (Veja-se o caso do BPN).
A contribuição da legislação:
- A maioria da legislação que tem incidência económica de grande relevância é muito confusa deliberadamente. É propositadamente feita de forma a que ninguém a perceba, de preferência, e contém muitas excepções.
- As leis são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país. Isto permite que ganhem milhares de euros pela elaboração das leis e depois, como as leis são pouco claras, passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles próprios fizeram e voltam a ganhar milhares de euros. Posteriormente, são estes mesmos escritórios de advogados que vendem a privados os alçapões que eles próprios introduziram na lei.
- Estas leis pouco claras, permitem que quem chegue à política tenha a possibilidade de autorizar valorizações de terrenos e decidir quem e quanto podem ganhar.
Desvios orçamentais:
- Na Administração Pública não pode haver desvios na despesa, na medida em que um orçamento funciona como autorização de despesa. No entanto, no nosso país assistimos ao fenómeno de desvio na despesa.
- Isto acontece porque encomendam-se obras públicas sem a respectiva cabimentação orçamental. Nos termos da responsabilidade dos políticos, o político deve de imediato perder o mandato e ter responsabilidades criminais.
- Tanto na classe política como no Tribunal de Contas onde existe um responsável do próprio Ministério Público e que teriam que actuar imediatamente, não se verificou qualquer esclarecimento ou incriminação de quem, através de documento, contratou obras não cabimentadas.
- As obras chegam a custar 7 vezes o orçamentado, 3 vezes é vulgaríssimo.
Financiamento partidário:
- O financiamento partidário é um negócio que agrada a toda a gente. Os partidos passam a ter dinheiro para as suas actividades, através de angariadores que têm uma comissão de angariação de financiamento partidário na ordem dos 40%.
- Estes senhores são conhecidos nos partidos como “Homens da Mala”. Deslocam-se junto dos privados buscar dinheiro para os partidos e ficam com a sua parte do bolo.
- Mas os verdadeiros beneficiados são os que financiam os partidos. Dão 100 mil euros a um partido, e depois só num negócio de um terreno que valia 100 mil, valorizam para 1 milhão. O ganho líquido só neste negócio é de 800 mil euros.
Assim surgem as parcerias Público Privadas:
- O princípio máximo das PPP´s é garantir os lucros para os privados e se houver prejuízo o Estado paga.
- Por exemplo em 2010 (já em plena crise) relativamente às SCUT´s, foi alterada a legislação, o que garantiu que os concessionários seriam pagos não em função do tráfego, mas em função da “Taxa de Disponibilidade Diária”, ou seja, basta que a auto-estrada esteja lá para garantir aos concessionários rentabilidades na ordem dos 15% ano, mesmo que não passe lá carro nenhum. Este custo é somado ao investimento do Estado que por sua vez já é caro.
- São estas empresas que financiam os partidos e têm nos seus concelhos de administração pessoas que estão simultaneamente nas direcções dos partidos.
Continuando:
- No momento em que se negociaram estas PPP´s, na legislatura anterior, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, constituída por cerca de 12 pessoas, 6 eram administradores de empresas públicas e simultaneamente deputados.
- Prevê-se que durante 10/15 anos estas PPP´s vão custar ao país cerca de 1500 milhões de euros/ano.
- A renegociação das PPP´s é uma das exigências do Memorando de Entendimento com a Troika e até agora ainda não se fizeram nem se tem conhecimento de qualquer explicação.
Reflectindo:
- A desgraça a que o país foi conduzido tem muito a ver com estas negociatas e falcatruas.
- Nós não vamos empregar os desempregados que temos. Nada se está a fazer na economia ocidental para que isso aconteça.
- Vamos assistir à sobrevivência de uma classe que vive à custa alheia, através de traficâncias deste género, a par de uma sociedade com um futuro completamente enegrecido.
- A corrupção está na origem de uma parte da crise e está também na base que levou à queda do regime anterior.
(Assim se percebe a necessidade de cortes nos salários e pensões)
Adaptado de “Olhos nos Olhos – Dr. Paulo Morais e Dr. Medina Carreira.
- Em Portugal a política tornou-se numa mega central de negócios. Em 10 anos descemos 10 lugares na lista de Países menos corruptos.
- A principal finalidade dos partidos políticos é tomar conta do governo para tomar conta do orçamento.
- Muitos sujeitos chegaram a Lisboa à 15 ou 20 anos com uma mala e fato no corpo e de repente, vemo-los a viverem de uma forma completamente desconforme com aquilo que eles foram e por azar ou por sorte, passaram pela política.
Exemplificando:
- As pessoas que mandam na defesa do País desde os últimos anos provêm todos do mesmo escritório de advogados.
- Na Comissão Parlamentar que acompanha as negociações com a Troika, as pessoas com mais relevância estão ligadas à banca e às privatizações.
- Em Espanha encontram-se presos 320 autarcas. Em Portugal 0. Quando aparece alguém com mais independência é pressionado e despachado.
Caso BPN:
- Tudo o que mexe com o BPN em Portugal está contaminado. Foi feito na sua origem por políticos numa época de perdões fiscais nos primeiros governos de Cavaco Silva.
- A SLN (Sociedade Lusa de Negócios) criada na mesma altura, é constituída por privados, que quando ficam “no osso”, passa para o Estado que fica com os prejuízos e volta a entregar limpinho aos privados.
- A história do BPN é das histórias mais tristes da Democracia Portuguesa.
- Grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos. Os Planos Directores Municipais (PDM) muitas vezes são alterados a pedido.
Vejamos:
- Alguém com influência política compra um terreno a um pobre agricultor com classificação de solo agrícola. Com a conivência do Governo, ou da Câmara, consegue alterar a classificação do solo para urbanizável. Um terreno que valia 10 mil euros passa a valer de repente 100 mil.
- Esta é uma prática generalizada ao nível do país. A excepção é o contrário.
- As alterações aos PDM´s raramente são efectuadas em função do interesse colectivo. São arbitragens das entidades administrativas que vão gerindo as suas influências, em que quem ganha são as pessoas que compram os terrenos e financiam os partidos.
- Só há dois negócios que geram margens de lucro desta dimensão em Portugal: o Urbanismo de Ordenamento do Território e o tráfico de droga.
- Os terrenos quando são avaliados desta forma geram ganhos através de empreendimentos imobiliários, ou mesmo que não se façam, vão à banca buscar financiamento sobre 1000 para um terreno que efectivamente valia 100.
- As imparidades na banca em Portugal têm a ver com negócios deste género. Os bancos fizeram empréstimos a pessoas com valorizações de terrenos indevidos. Os próprios bancos são cúmplices desta situação. (Veja-se o caso do BPN).
A contribuição da legislação:
- A maioria da legislação que tem incidência económica de grande relevância é muito confusa deliberadamente. É propositadamente feita de forma a que ninguém a perceba, de preferência, e contém muitas excepções.
- As leis são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país. Isto permite que ganhem milhares de euros pela elaboração das leis e depois, como as leis são pouco claras, passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles próprios fizeram e voltam a ganhar milhares de euros. Posteriormente, são estes mesmos escritórios de advogados que vendem a privados os alçapões que eles próprios introduziram na lei.
- Estas leis pouco claras, permitem que quem chegue à política tenha a possibilidade de autorizar valorizações de terrenos e decidir quem e quanto podem ganhar.
Desvios orçamentais:
- Na Administração Pública não pode haver desvios na despesa, na medida em que um orçamento funciona como autorização de despesa. No entanto, no nosso país assistimos ao fenómeno de desvio na despesa.
- Isto acontece porque encomendam-se obras públicas sem a respectiva cabimentação orçamental. Nos termos da responsabilidade dos políticos, o político deve de imediato perder o mandato e ter responsabilidades criminais.
- Tanto na classe política como no Tribunal de Contas onde existe um responsável do próprio Ministério Público e que teriam que actuar imediatamente, não se verificou qualquer esclarecimento ou incriminação de quem, através de documento, contratou obras não cabimentadas.
- As obras chegam a custar 7 vezes o orçamentado, 3 vezes é vulgaríssimo.
Financiamento partidário:
- O financiamento partidário é um negócio que agrada a toda a gente. Os partidos passam a ter dinheiro para as suas actividades, através de angariadores que têm uma comissão de angariação de financiamento partidário na ordem dos 40%.
- Estes senhores são conhecidos nos partidos como “Homens da Mala”. Deslocam-se junto dos privados buscar dinheiro para os partidos e ficam com a sua parte do bolo.
- Mas os verdadeiros beneficiados são os que financiam os partidos. Dão 100 mil euros a um partido, e depois só num negócio de um terreno que valia 100 mil, valorizam para 1 milhão. O ganho líquido só neste negócio é de 800 mil euros.
Assim surgem as parcerias Público Privadas:
- O princípio máximo das PPP´s é garantir os lucros para os privados e se houver prejuízo o Estado paga.
- Por exemplo em 2010 (já em plena crise) relativamente às SCUT´s, foi alterada a legislação, o que garantiu que os concessionários seriam pagos não em função do tráfego, mas em função da “Taxa de Disponibilidade Diária”, ou seja, basta que a auto-estrada esteja lá para garantir aos concessionários rentabilidades na ordem dos 15% ano, mesmo que não passe lá carro nenhum. Este custo é somado ao investimento do Estado que por sua vez já é caro.
- São estas empresas que financiam os partidos e têm nos seus concelhos de administração pessoas que estão simultaneamente nas direcções dos partidos.
Continuando:
- No momento em que se negociaram estas PPP´s, na legislatura anterior, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, constituída por cerca de 12 pessoas, 6 eram administradores de empresas públicas e simultaneamente deputados.
- Prevê-se que durante 10/15 anos estas PPP´s vão custar ao país cerca de 1500 milhões de euros/ano.
- A renegociação das PPP´s é uma das exigências do Memorando de Entendimento com a Troika e até agora ainda não se fizeram nem se tem conhecimento de qualquer explicação.
Reflectindo:
- A desgraça a que o país foi conduzido tem muito a ver com estas negociatas e falcatruas.
- Nós não vamos empregar os desempregados que temos. Nada se está a fazer na economia ocidental para que isso aconteça.
- Vamos assistir à sobrevivência de uma classe que vive à custa alheia, através de traficâncias deste género, a par de uma sociedade com um futuro completamente enegrecido.
- A corrupção está na origem de uma parte da crise e está também na base que levou à queda do regime anterior.
(Assim se percebe a necessidade de cortes nos salários e pensões)
Adaptado de “Olhos nos Olhos – Dr. Paulo Morais e Dr. Medina Carreira.
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